Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou um cenário cinematográfico de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. No centro da Operação Resina Oculta, deflagrada nesta quinta-feira (19), surge a figura de Yago César dos Santos Ferreira, um frentista de apenas 19 anos que, no papel, comandava um império de dez empresas enquanto levava uma vida simples na periferia de Goiânia.
A operação, coordenada pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), aponta que Yago atuava como um “laranja” de luxo. Suas empresas eram utilizadas para escoar e ocultar lucros provenientes do tráfico de cocaína, haxixe e skunk. O esquema começou a ser desvendado em outubro de 2025, após uma apreensão de drogas em um apartamento no Riacho Fundo (DF), que servia como centro de distribuição para o Entorno.
O sofisticado sistema financeiro da organização criminosa não se limitava a empresas físicas de fachada. O grupo operava aproximadamente 15 plataformas de apostas online (bets) clandestinas para pulverizar os valores. Em uma das frentes, no Maranhão, um empresário chegou a movimentar R$ 30 milhões em um intervalo de apenas 45 dias.
A rede de influência contava ainda com uma influenciadora digital com mais de 50 mil seguidores. Segundo a polícia, ela utilizava sua loja de calçados para dar aparência de legalidade a movimentações financeiras ilícitas. Em Manaus, outro núcleo composto por três mulheres era responsável por fragmentar os valores para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle.
Balanço da Operação Ao todo, a PCDF cumpriu 41 mandados de busca e apreensão e 9 mandados de prisão temporária. A justiça determinou o bloqueio de contas de 50 empresas e 12 pessoas físicas, com sequestro de bens e veículos de luxo. O montante bloqueado pode atingir R$ 15 milhões por conta bancária.
As investigações prosseguem para identificar os verdadeiros chefes da organização que se escondiam atrás dos CNPJs registrados em nome do jovem frentista. A operação revela a crescente simbiose entre o tráfico de entorpecentes e a tecnologia das apostas digitais como ferramenta de lavagem de capitais no Brasil.
Fonte: Contilnet







