Uma análise dos relatórios anuais e mensais da Polícia Civil do Acre feita pelo ac24horas revela que os homicídios ligados a conflitos entre facções criminosas seguem como um dos principais motores da violência letal no estado, embora com variações ao longo dos anos e uma mudança recente de padrão.
Em 2025, os dados mais completos disponíveis mostram com clareza o peso desse tipo de crime. Segundo o gráfico de motivações, 66 dos 160 homicídios registrados no estado foram classificados como “possível guerra entre facções”, o que representa 41% de todos os assassinatos no ano . Trata-se, de longe, da principal motivação isolada, superando causas como brigas fúteis, crimes passionais e acertos de contas individuais.

O cenário de 2024 mantém a influência das facções, ainda que o relatório traga a categorização de forma mais agregada. A própria Polícia Civil destaca que o auge da violência recente está diretamente ligado ao início das disputas entre grupos criminosos no triênio 2016-2018, com reflexos que ainda se estendem nos anos seguintes, mesmo com a redução gradual dos homicídios totais. Ou seja, embora o número absoluto de mortes tenha caído entre 2023 e 2024, a dinâmica estruturante da violência baseada em facções permaneceu.
Voltando um pouco mais, o relatório de 2023 já apontava a presença significativa dessas organizações na explicação dos homicídios. No gráfico de motivações, categorias como “guerra entre facções” e “vingança” aparecem entre as principais causas, reforçando que o conflito entre grupos criminosos já era um componente central da violência letal naquele momento. Além disso, o próprio documento destaca que foi justamente a guerra entre facções que impulsionou o pico histórico de homicídios no estado anos antes.
Quando se observa o primeiro trimestre de 2026, porém, há uma nuance importante. Os relatórios mensais indicam que as facções continuam presentes, mas com uma dispersão maior das motivações. Em janeiro, por exemplo, 46% dos casos foram associados à “possível guerra de facções”. Já em fevereiro, o cenário se fragmenta, com registros distribuídos entre “acerto de contas”, “disciplina de facção” e conflitos ligados ao tráfico. Em março, aparecem categorias como “execução (facção)” e “possível guerra de facções”, mas dividindo espaço com motivações passionais e fúteis .
Embora os relatórios mensais deste ano não consolidem uma porcentagem única para o trimestre, a leitura conjunta indica que os crimes ligados direta ou indiretamente a facções continuam representando uma parcela relevante, possivelmente majoritária, dos homicídios, ainda que menos concentrada do que em 2025. Há uma transição de um cenário dominado por “guerra entre facções” para outro mais pulverizado, mas ainda dentro do universo da criminalidade organizada.
Em síntese, a série histórica recente aponta três movimentos principais: primeiro, a consolidação das facções como principal vetor da violência letal no Acre desde meados da década passada; segundo, um pico de participação explícita desses conflitos, atingindo cerca de 41% dos homicídios em 2025; e, por fim, uma leve diversificação das motivações em 2026, sem que isso signifique a perda de protagonismo das organizações criminosas.







