Festival debate se escravidão realmente acabou no Brasil

Festival no Acre debate se escravidão realmente acabou no Brasil
Festival no Acre debate se escravidão realmente acabou no Brasil/Foto: Reprodução

Com o tema “Rodas de Liberdade – capoeira e folguedos na desconstrução do mito da Lei Áurea e na revelação do 14 de maio”, o Festival AfroPedagógico chega à quinta edição, em 2026. A programação gratuita e aberta ao público inclui painéis, apresentações culturais, oficinas e rodas de capoeira que ocorrem nos dias 14, 15 e 16 de maio (quinta-feira a sábado), no Campus Rio Branco do Instituto Federal do Acre (Ifac), localizado no Conjunto Xavier Maia.

Fruto de uma construção intersetorial, o projeto se cumpre como Programa de Extensão que conta com o apoio institucional do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Ifac (Neabi-Ifac). Outra raiz importante nessa realização é do Grupo Candeias de Capoeira, sob da supervisão de Antônio Barbosa, o Mestre Saci.

O professor doutor do Ifac, Cledir Amaral, conhecido na capoeira como contramestre Riquinho, coordena o projeto que foi aprovado no Edital 01/2026 de Arte e Patrimônio, lançado pela Prefeitura de Rio Branco, por meio da Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil (FGB) com recursos da Lei de Política Nacional Aldir Blanc (PNAB)/Ministério da Cultura (MinC).

O V Festival AfroPedagógico integra a lista de cinco ações do Programa de Extensão Capoeira e Folguedos no Ifac que também possui: Aulas de capoeira e folguedos; Gravação e lançamento do álbum “Ecos do Berimbau”; Batizado e trocas de corda de capoeira; e Elaboração de um Projeto Pedagógico de Curso (PPC) para Formação Inicial e Continuada (FIC) em Docência na Capoeira.

De acordo com a organização, a intenção este ano passa pela desconstrução do mito brasileiro do 13 de maio de 1888, que completa 138 anos, associada à abolição da escravização de pessoas sequestradas em países do continente africano, assim como, afrodescendentes. Além disso, também se objetiva articular a capoeira e folguedos (tradições da cultura popular em suas formas artísticas) enquanto pedagogias negras.

Crime contra a humanidade

O tráfico transatlântico de pessoas do continente africano para escravização foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 25 de março deste ano, como o mais grave crime já cometido contra a humanidade. No Brasil, os registros deste crime internacional datam de 1530, seguindo praticado por portugueses da colônia ao império.

O V Festival AfroPedagógico tem na ementa o impacto dos 388 anos de escravização legalizada no Brasil, sobre as gerações de pessoas e seus descendentes. Tal crítica também será refletida por meio da letra “14 de maio”, música do cantor, compositor e ativista brasileiro, Lazzo Matumbi, um dos expoentes da música baiana oriundo do bloco afro Ilê Aiyê.

Festival no Acre debate se escravidão realmente acabou no Brasil

Saiba mais detalhes desta edição!

V Festival AfroPedagógico

Programação | Local: Ifac – Campus Rio Branco (Conjunto Xavier Maia)

Quinta-feira | 14/05
07h – Abertura
08h – Painel 1: Racismo Estrutural e o Mito de 13 de Maio
Mediação: Prof. Me. Paulo Roberto de Souza e Prof. Dr. Adão Galo Júnior

• Tema 1: Racismo Estrutural e o Mito de 13 de Maio | Expositor: Ivan de Castela (Fundação Elias Mansour/FEM)
• Tema 2: A denúncia da Música “14 de Maio” e práticas culturais afrodescentes | Expositor: Giovanny Cley Silva (Movimento Por uma Universidade Popular/MUP)

Sexta-feira | 15/05

16h – Oficinas de Maculelê e Capoeira Contemporânea | Oficineiro: Mestre Saci

18h30min – Apresentação de Maculelê e Capoeira

19h – Painel 2: Pedagogia Crítica, Intersetorialidade e Educação das Relações Étnico-raciais

Mediação: Prof. Me. Paulo Roberto de Souza e Prof. Dr. Adão Galo Júnior

• Tema 1: Fundamentos da pedagogia crítica na desnaturalização do mito do 13 de Maio | Expositora: Mineia Spoltore (presidenta Unegro/AC)

• Tema 2: Pedagogias Intersetoriais que incorporam práticas culturais afrodescendentes enquanto ferramentas educativas antirracistas | Expositora: Ellen Cristina Setubal (Neabi/Ufac)

Sábado | 16/05
16h – Oficinas e apresentações culturais | Oficineiros: Mestre Saci, Contramestre Zagarra e Contramestra Pantera

Fonte: Contilnet

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