As chances de formação de um novo El Niño em 2026 já ultrapassam 90%, segundo projeções divulgadas por órgãos internacionais de monitoramento climático. O fenômeno, ligado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças no regime de chuvas, ondas de calor e impactos diretos no agronegócio brasileiro.
De acordo com dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a possibilidade de desenvolvimento do El Niño começa a aumentar ainda no primeiro semestre, mas ganha força entre setembro e o fim do ano. Meteorologistas alertam que o cenário preocupa principalmente regiões que historicamente sofrem com estiagem durante o fenôeno, como Norte e Nordeste do país.
O El Niño faz parte do chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e altera o comportamento da atmosfera em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos costumam ser opostos entre as regiões: enquanto o Sul tende a registrar excesso de chuvas e temporais, áreas da Amazônia e do Nordeste frequentemente enfrentam redução das precipitações e aumento das temperaturas.
Especialistas afirmam que ainda é cedo para prever a intensidade exata do fenômeno em 2026. Mesmo assim, os modelos climáticos já indicam preocupação com possíveis reflexos na agricultura, principalmente em culturas como soja, milho, trigo, café e cana-de-açúcar.
No Sul do Brasil, o excesso de chuva pode dificultar colheitas, favorecer doenças fúngicas e causar encharcamento do solo. Já em regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o temor é de veranicos prolongados e falta de água em períodos importantes para o desenvolvimento das lavouras.
Meteorologistas também associam o retorno do El Niño ao aumento do risco de ondas de calor e eventos climáticos extremos. Em episódios anteriores, o Brasil registrou secas severas na Amazônia, temperaturas recordes e tempestades intensas no Sul do país.
Apesar do alerta, pesquisadores reforçam que previsões sobre impactos extremos ainda são consideradas preliminares. A tendência é que os modelos climáticos fiquem mais precisos nos próximos meses, especialmente durante o inverno.
Com informações Exame








