O superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Espírito Santo, Wermeson Mario Pestana, conhecido como “Jhonson Pestana” nas redes sociais, é alvo de análise do setor correicional da corporação por suposta utilização de sua visibilidade institucional para divulgar cursos particulares de legislação de trânsito. A informação foi confirmada pela própria PRF à coluna nesta terça-feira (2/6).
Segundo denúncias obtidas pela coluna, Pestana utiliza o mesmo perfil pessoal nas redes sociais para divulgar ações oficiais da corporação e promover seus cursinhos particulares de preparação para concursos.
Em uma das fotos, datada de 12 de outubro de 2025, ele aparece em um evento público ao lado do ex-deputado e ex-governador do estado, Renato Casagrande (PSB).
Judiciário
Em fevereiro de 2023, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) analisou um recurso envolvendo a atuação de Wermeson em atividades de magistério e divulgação de conteúdo nas redes sociais. Na ocasião, a Corte derrubou uma liminar que impedia a Polícia Rodoviária Federal de apurar administrativamente a conduta do servidor.
No processo, a União argumentou que a legislação da carreira exige “dedicação integral e exclusiva dos policiais rodoviários federais”. Em sua defesa, o policial sustentou que as atividades eram de natureza intelectual, exercidas fora do horário de serviço e sem prejuízo às funções na corporação.
Ao analisar o caso, o desembargador responsável pelo caso entendeu que não cabia ao Judiciário impedir previamente a administração pública de apurar os fatos e votou pelo prosseguimento da apuração administrativa.
“De qualquer modo, não cabe cortar o andamento de apuração e, quanto ao tema de fundo, a análise do caso deve ser aprofundada, e não há, no exame do momento, elementos suficientes para determinar que a União se abstenha de instaurar ou dar prosseguimento a eventuais processos administrativos disciplinares em face do agravado.”
Trajetória
Policial rodoviário federal desde 2016, Wermeson iniciou a carreira na superintendência regional de Rondônia, onde atuou em atividades operacionais nas regiões de Porto Velho (RO), Humaitá (AM) e na área de fronteira com a Bolívia.
Além disso, integrou o Grupo de Educação de Trânsito (GETRAN) e a Base Descentralizada de Comunicação (BDCOM) em Rondônia. Também participou de missões ligadas aos Grupos de Direitos Humanos em ações de combate ao trabalho em condições análogas à escravidão.
Em 2020, foi removido para a superintendência da PRF no Espírito Santo, seu estado de origem, passando a atuar no Grupo de Fiscalização de Trânsito e Transporte (GFT) da Delegacia de Linhares. Em 2022, concluiu o Curso Avançado de Fiscalização de Trânsito (CAFTI), promovido pela UniPRF.
No ano seguinte, foi designado para o comando da Superintendência da PRF no Espírito Santo. O termo de posse foi assinado pelo Diretor-Geral da PRF Antônio Fernando.
Em nota enviada à coluna, a Polícia Rodoviária Federal informou que o caso está sendo analisado internamente.
“A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informa que os fatos mencionados no questionamento são de conhecimento da administração e objeto de análise pelo setor correicional da PRF”, afirmou a corporação.
A instituição acrescentou que não divulga informações sobre apurações em andamento em razão do sigilo dos procedimentos correicionais.
“A PRF reforça, ainda, que quaisquer indícios ou denúncias sobre possíveis irregularidades relacionadas a servidores devem ser encaminhadas à Corregedoria da instituição por meio dos canais oficiais de denúncia, especialmente pela plataforma Fala.BR.”
A coluna tentou contato com o policial, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Fonte: Metrópoles








