Acreano leva pesquisa sobre animais silvestres a congresso na Colômbia

Acreano leva pesquisa sobre animais silvestres a congresso na Colômbia

A ciência produzida na Amazônia ganhará destaque internacional no cenário da saúde pública. O biólogo acreano Pedro Zanata, de 25 anos, teve um estudo científico aprovado no 28º Congresso Latino-Americano de Parasitologia (FLAP 2026), que acontece em Cartagena, na Colômbia, considerado o evento mais importante do segmento na América Latina.

O congresso reunirá pesquisadores, profissionais e estudantes de diversos países para discutir avanços científicos relacionados à parasitologia, doenças infecciosas, vigilância em saúde e Saúde Única (One Health).

O estudo aprovado, intitulado “Hemoparasite Coinfection in Amazonian Wild Mammals: Implications for One Health Surveillance”, investiga a ocorrência de coinfecções por hemoparasitos em mamíferos silvestres da Amazônia e suas implicações para a vigilância em saúde.

“A aprovação deste trabalho no 28º Congresso Latino-Americano de Parasitologia representa um importante reconhecimento da pesquisa desenvolvida na Amazônia e reforça a relevância da vigilância integrada de agentes infecciosos em animais silvestres”, explicou o pesquisador.

De acordo com Zanata, a pesquisa integra abordagens ecoepidemiológicas e moleculares para compreender a circulação de agentes parasitários em populações de animais silvestres, destacando o papel desses hospedeiros na manutenção de ciclos enzoóticos e no potencial surgimento de zoonoses.

O trabalho reforça a importância da vigilância integrada entre saúde humana, animal e ambiental, princípio central da abordagem One Health, considerada atualmente uma das principais estratégias globais para enfrentamento de doenças emergentes e reemergentes.

Com foco em ecoepidemiologia, parasitologia e saúde pública, a pesquisa busca fortalecer o conhecimento sobre a diversidade de hemoparasitos circulantes em ecossistemas amazônicos, gerando informações relevantes para ações de monitoramento, vigilância e prevenção de agravos de importância para a saúde pública.

Para o pesquisador, que é mestre em Saúde Pública pela Fiocruz Amazônia e doutorando em Biologia Parasitária pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a aprovação representa um marco para a comunidade científica do estado.

“Para mim, como pesquisador acreano, é uma grande satisfação poder levar esse trabalho para um evento internacional de referência na área da parasitologia e contribuir para dar visibilidade à ciência produzida na Amazônia. Espécies encontradas no Acre estiveram entre os animais analisados e demonstram a importância do monitoramento da fauna silvestre para compreender a circulação de agentes infecciosos na região. Esse conhecimento é fundamental para fortalecer estratégias de vigilância e prevenção de doenças em um cenário de crescente interação entre seres humanos, animais e ambientes naturais”, destaca Zanata.

Entre os animais analisados no estudo estão espécies bem conhecidas da fauna local, como a preguiça-de-três-dedos (Bradypus tridactylus) e o macaco parauacu (Pithecia pithecia). Segundo o biólogo, o monitoramento dessas espécies é a chave para antecipar cenários de risco epidemiológico.

Preguiça-de-três-dedos (Bradypus tridactylus)

Preguiça-de-três-dedos (Bradypus tridactylus)/Foto: NTCO/Getty Images

“Esse conhecimento é fundamental para fortalecer estratégias de vigilância e prevenção de doenças em um cenário de crescente interação entre seres humanos, animais e ambientes naturais”, explica.

Pedro Zanata, é natural de Rio Branco, Acre. É biólogo formado pelo Instituto Federal do Acre (Ifac), mestre em Saúde Pública pela Fiocruz Amazônia e doutorando em Biologia Parasitária pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). 

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O acreano é integrante do Núcleo de Patógenos, Reservatórios e Vetores na Amazônia (PReV/Fiocruz Amazônia), desenvolve pesquisas na interface entre Parasitologia, Saúde Pública, Eco-epidemiologia e One Health. 

Seus estudos concentram-se na diversidade, vigilância e diagnóstico de agentes parasitários e zoonóticos em mamíferos silvestres amazônicos, com ênfase em filárias, hemoparasitos e outros patógenos de importância médica e veterinária. Além da atuação científica, possui experiência em vigilância epidemiológica, saúde indígena e monitoramento de doenças em territórios amazônicos, contribuindo para a integração entre pesquisa, conservação da biodiversidade e saúde pública.

Fonte: ContilNet

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