O ataque no Instituto São José completa um mês nesta sexta-feira, 5 de junho. Um aluno de 13 anos entrou armado na escola e atirou contra quatro pessoas: três funcionárias e uma aluna de 11 anos. Dentre as servidoras, duas inspetoras foram mortas.
Após o ataque, o adolescente se dirigiu ao Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Acre (PMAC), localizado a poucos metros da instituição de ensino, e se entregou.
No decorrer da tarde, a Polícia Militar divulgou que a arma utilizada no ataque pertencia ao padrasto do adolescente, o advogado Ruan Mesquita, que foi preso ainda na terça-feira e encaminhado à Delegacia de Flagrantes (Defla), mas foi liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Com a notícia dos tiros dentro da instituição, as autoridades policiais isolaram o perímetro da escola para permitir o trabalho da Polícia Científica. Sob supervisão das autoridades, os parentes passaram pelo processo de reconhecimento das vítimas.
As vítimas
As inspetoras de corredor Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos, morreram ainda no local.
Uma aluna de 11 anos e uma outra funcionária ficaram feridas e foram encaminhadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Pronto-Socorro de Rio Branco.

Raquel e Alzenir/Foto: Reprodução
Alzenir Pereira da Silva trabalhava há décadas no Instituto São José e Raquel era funcionária da escola há cerca de 3 anos.
As duas funcionárias foram veladas na quarta-feira e sepultadas no mesmo dia: Tia ‘Zena’, como Alzenir era conhecida, foi velada na residência da mãe, no bairro Cidade Nova, e sepultada no Cemitério São João Batista. Já Raquel Sales foi velada na Capela São João Batista e sepultada no Cemitério Morada da Paz.
Primeiras informações oficiais
Na noite da terça-feira (5), o governo do Acre concedeu uma coletiva de imprensa para detalhar os primeiros desdobramentos do caso. Na ocasião, a comandante-geral da Polícia Militar do Acre (PMAC), coronel Marta Renata, explicou como aconteceu a apresentação do adolescente no quartel.
“Ele obviamente estava nervoso, mas foi muito bem articulado na sua fala e de modo muito direto disse que estava se apresentando porque era o responsável pelo ocorrido no colégio São José”, explicou.
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Questionada se o adolescente havia demonstrado arrependimento, ela respondeu que ele não fez nenhum comentário relacionado. Além disso, as autoridades também não descartaram a possibilidade de novos ataques.
A PM confirmou que o adolescente entrou armado na escola e, ao ser surpreendido pelas duas inspetoras, atirou contra elas. Apesar de portar três carregadores completos, totalizando aproximadamente 45 balas, o garoto não conseguiu continuar os disparos porque não soube realizar a troca de munição após os primeiros. Mesmo assim, ao menos oito tiros foram efetuados.
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Poucas horas depois do tiroteio, a 4ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público do Acre (MPAC) apresentou pedido de internação provisória do adolescente.
A medida está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para casos considerados de maior gravidade. Em coletiva de imprensa concedida na manhã de quinta-feira (7), o MPAC informou que a Justiça decretou a internação provisória do adolescente.
Ações governamentais e mobilização
Diante da repercussão do atentado, o governo do Acre mobilizou uma força-tarefa envolvendo diferentes secretarias e órgãos de segurança pública.
A governadora Mailza Assis reuniu representantes das forças de segurança para alinhar medidas emergenciais e definir o posicionamento institucional diante da tragédia.
“Como mãe e governadora, quero me solidarizar com as vítimas e garantir que as investigações seguirão até o esclarecimento total dessa fatalidade”, afirmou. Ela reiterou que o garoto não cometeu o crime sozinho.
O governo decretou luto oficial de três dias. As redes estadual, municipal e privada suspenderam as aulas temporariamente.
Investigações

O delegado-geral adjunto deu detalhes sobre a investigação/Foto: Maria Fernanda Arival/ContilNet
A Polícia Civil do Acre deu detalhes das investigações sobre o ataque no Instituto São José, que aconteceu na última terça-feira (7). Em entrevista coletiva, o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Martin Hessel, explicou que todo trabalho pericial e toda coleta de materiais que podem levar a mais provas foram feitos.
Hessel explicou que no dia do fato, toda ação policial, tanto da parte ostensiva quanto da polícia judiciária, foi feita. “Todos os equipamentos [celulares] resultantes das buscas que foram feitas, também com autorização judicial, estão sendo analisadas”, disse.
O delegado-adjunto geral afirmou que a Polícia Civil pretende finalizar o inquérito em 30 dias, mas vai depender da quantidade de material.
“Então, tão logo saia essa análise das provas que estão sendo coletadas, haverá divulgações acerca do procedimento, mas tudo que está ao alcance da Polícia Civil está sendo feito, está sendo providenciado, e logo mais será encaminhado ao Poder Judiciário para que o processo judicial ocorra, e a gente tenha essa resposta definitiva. A gente quer concluir no prazo de 30 dias, mas dependendo da quantidade de material pode ser que não, mas está sendo feito diuturnamente sem parar mesmo, a equipe está trabalhando nessas coletas, nessas análises para que a gente consiga solucionar isso o quanto antes”, disse à época.
Com relação aos mandados de busca, foram cumpridos dois na casa do pai e do padrasto do adolescente, autor dos tiros que matou duas funcionárias e feriu outras duas pessoas.
“Foram dois mandados de busca, no mesmo dia inclusive. Foi feito a busca na casa do pai e do padrasto. O padrasto foi conduzido à Delegacia de Flagrantes também, foi feito o procedimento, mas em razão da quantidade da pena, do crime que supostamente ele tenha cometido, que é a falta de cuidado na guarda do armamento, foi feito um procedimento mais simples, que é o TCO”, concluiu.
No dia 27 de maio, em contato com a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil do Acre (PCAC), a reportagem do ContilNet foi informada que a instituição só deve se manifestar quando concluir o inquérito.
Volta às aulas
As aulas do Instituto São José, em Rio Branco, voltaram no dia 18 de maio, quase duas semanas após o ataque que terminou com a morte de duas servidoras da escola. O retorno foi feito de forma escalonada e com uma série de medidas de acolhimento e segurança para estudantes, professores e funcionários.
Segundo a direção da instituição, a volta das atividades foi organizada após uma semana de reuniões entre equipes da escola, pais, representantes da Educação, Saúde, Assistência Social, Segurança Pública, Ministério Público e Tribunal de Justiça.

A polícia esteve presente na escola | Foto: ContilNet
Durante os primeiros dias, os alunos participaram de atividades leves, com rodas de conversa, momentos de escuta, convivência e apoio psicológico.
Além do acompanhamento psicossocial, o retorno contou com reforço na segurança. Entre as medidas adotadas estão detectores de metais e presença da Polícia Militar Escolar e Comunitária, em parceria com outros órgãos públicos.
A Sejusp instalou um posto eletrônico em frente à escola. O equipamento foi desenvolvido com tecnologia avançada para conectar a população, em tempo real, ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) com apenas um toque. O equipamento foi instalado quase um mês após o ataque a tiros que matou duas funcionárias.
O posto eletrônico, que está em fase de instalação, deve permanecer em teste por cerca de 90 dias.
Indenização aos familiares das vítimas
Nesta semana, a Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) aprovou por unanimidade, tanto nas comissões temáticas quanto no plenário da Casa, o Projeto de Lei que institui uma indenização especial, de natureza compensatória e humanitária, destinada aos dependentes das vítimas fatais do episódio de violência ocorrido no Instituto São José, em Rio Branco.
A proposta, de autoria do deputado Pedro Longo (MDB), foi chancelada de forma célere pelos parlamentares diante da extrema gravidade do ocorrido em 5 de maio de 2026.
A medida garante o pagamento em parcela única no valor de R$ 100.000,00 por vítima fatal, beneficiando diretamente os familiares de Raquel Sales Feitosa e Alzenir Pereira da Silva, trabalhadoras que perderam suas vidas no exercício de suas funções dentro do ambiente escolar.
Fonte: ContilNet







