“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos.” A declaração do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi suficiente para colocá-lo entre os assuntos mais comentados das redes sociais nesta quinta-feira (4). Feita em meio à crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, a fala gerou uma onda de críticas de internautas, que acusaram o parlamentar de defender interesses americanos em detrimento do sistema financeiro brasileiro.
O vídeo, publicado nas redes sociais, mostra Eduardo argumentando que a existência de mecanismos semelhantes ao Pix nos Estados Unidos poderia servir como ponto de partida para negociações entre os dois países após a recomendação do governo americano de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
“Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, afirmou o parlamentar ao citar o Zelle, plataforma de transferências instantâneas amplamente utilizada nos Estados Unidos.
A fala repercutiu rapidamente no X (antigo Twitter), onde usuários passaram a compartilhar o trecho acompanhado de críticas e ironias. O termo “vassalagem” figurou entre os assuntos mais comentados da plataforma, enquanto perfis ligados à esquerda e ao governo associaram a declaração a uma suposta submissão aos interesses norte-americanos.
A controvérsia ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) incluir o Pix entre os pontos questionados em uma investigação comercial contra o Brasil. No documento, o órgão argumenta que o Banco Central acumula as funções de regulador e operador do sistema, o que, segundo os americanos, poderia criar vantagens competitivas em relação a empresas privadas do setor de pagamentos.
A avaliação é rejeitada pelo governo brasileiro, que sustenta que o Pix ampliou a concorrência, reduziu custos para consumidores e empresas e promoveu inclusão financeira. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também saiu em defesa do sistema, afirmando que o Pix não é um produto comercial, mas uma infraestrutura aberta de pagamentos que favorece a competição e permite a participação de bancos, fintechs e instituições nacionais e estrangeiras.







