Capitão do Irã é retido em aeroporto de Los Angeles após jogo da Copa

Capitão do Irã é retido em aeroporto de Los Angeles após jogo da Copa

O desembarque da seleção do Irã para a disputa da Copa do Mundo de 2026 transformou-se em um incidente político e diplomático na madrugada desta terça-feira (16). Impedida de fixar sua base de treinamentos em território norte-americano devido às restrições geopolíticas, a delegação iraniana enfrentou problemas burocráticos ao tentar retornar ao México após estrear no torneio. O capitão da equipe, o atacante Mehdi Taremi, e o auxiliar técnico Saeed Al-Hawie foram retidos por agentes de segurança e imigração no Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX).

O imbróglio ocorreu durante o procedimento de embarque do voo que transportaria a equipe de volta a Tijuana, cidade mexicana que serve de subsede para os iranianos. Enquanto a maior parte da delegação já se encontrava acomodada no interior da aeronave, Taremi e Al-Hawie foram isolados para uma verificação suplementar de documentos, o que gerou atrasos na decolagem e protestos formais da comissão técnica.

Em nota oficial distribuída à imprensa internacional, a Federação Iraniana de Futebol classificou a abordagem das autoridades dos Estados Unidos como arbitrária e ilegal. Segundo a entidade esportiva, os protocolos de segurança e a documentação apresentados no aeroporto de Los Angeles eram rigorosamente os mesmos validados no momento da entrada do grupo no país, o que configuraria um tratamento diferenciado e de motivação política contra os cidadãos iranianos.

A crise burocrática da seleção iraniana se estende além do episódio em Los Angeles e ameaça a continuidade de um de seus principais atletas no torneio. O atacante Mehdi Torabi, que também viajou para o México com o restante do elenco, corre o risco de ser impedido de retornar aos Estados Unidos para disputar as partidas da segunda rodada da fase de grupos.

As autoridades consulares norte-americanas emitiram para Torabi um visto de trânsito de entrada única. Como a seleção precisa obrigatoriamente cruzar a fronteira para jogar e regressar imediatamente ao território mexicano, o documento perdeu a validade assim que o atleta deixou o solo americano. O departamento jurídico da federação iraniana informou que abriu canais de negociação em caráter de urgência com os comitês organizadores da Fifa para tentar a emissão de uma nova autorização consular que evite o corte do jogador das rodadas decisivas da Copa.

As tensões migratórias e burocráticas seguiram o clima de forte instabilidade registrado horas antes no estádio. A partida de estreia do Irã contra a Nova Zelândia terminou empatada por 2 a 2. Os gols da equipe asiática foram marcados por Ramin Rezaeian e Mohammad Mohebi, enquanto o atacante Elijah Just balançou as redes duas vezes para garantir o ponto dos neozelandeses.

Nas arquibancadas, o confronto foi marcado por manifestações políticas explícitas, desafiando a norma estatutária da Fifa que proíbe exibições ideológicas em praças esportivas. Ativistas iranianos contrários ao regime teocrático de Teerã exibiram bandeiras ostentando o leão e o sol, antigo símbolo nacional deposto após a Revolução Islâmica de 1979.

Paralelamente, grupos de torcedores organizaram um protesto direcionado à política externa de Washington. Cartazes e faixas com a inscrição “Minab 168” foram estendidos nas arquibancadas em memória das 168 vítimas — em sua maioria crianças — mortas em fevereiro de 2026 durante um bombardeio aéreo executado pelas forças militares dos Estados Unidos na cidade de Minab, localizada no sul do Irã.

Fonte: ContilNet

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