Um mês após desabamento, destroços de ponte seguem no rio e aguardam conclusão de perícia

Foto: Whidy Melo

Um mês após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), os destroços da estrutura permanecem no leito do Rio Iaco, sem qualquer previsão para retirada. O cenário da tragédia segue o mesmo desde o acidente ocorrido em 5 de junho, que deixou quatro pessoas feridas e interrompeu a principal ligação entre os dois distritos do município.

Ao ac24horas, a Polícia Civil informou que a perícia técnica ainda não foi concluída. Enquanto os trabalhos seguem em andamento, a área permanece preservada para garantir a coleta de todos os elementos necessários à investigação que apura as causas do colapso da ponte.

A permanência da estrutura no rio também atende a um pedido do Ministério Público do Acre (MPAC). À reportagem, a assessoria do órgão informou que, em ação cautelar, o MPAC requereu que o local só fosse desbloqueado após a realização de todas as perícias necessárias.

Segundo o Ministério Público, os laudos periciais ainda não foram encaminhados ao órgão nem anexados ao processo judicial. Somente após o recebimento desses documentos será possível discutir a liberação da área para a retirada dos escombros.

Enquanto isso, moradores de Sena Madureira continuam convivendo diariamente com os impactos do desabamento e com a imagem da ponte destruída sobre o Rio Iaco.

Vítimas seguem em recuperação

O acidente deixou quatro pessoas feridas. O caso mais grave foi o do juiz aposentado e advogado Edinaldo Muniz dos Santos, que sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas. No último boletim divulgado pelas autoridades, em 17 de junho, ele permanecia internado em estado de saúde estável e havia sido transferido de UTI aérea para um hospital em São Paulo para dar continuidade ao tratamento especializado.

O irmão dele, Ednei Muniz dos Santos, sofreu fratura no antebraço e estava hospitalizado para tratamento ortopédico. Antônio Morais Lima Filho teve fratura no fêmur e precisou passar por cirurgia. Já Weverton Murieta, que sofreu ferimentos considerados leves, recebeu alta médica poucos dias após o acidente.

O desabamento ganhou repercussão nacional por ter ocorrido apenas cerca de dois anos e meio após a inauguração da ponte, obra que custou mais de R$ 36 milhões aos cofres públicos. Desde então, além das investigações conduzidas pela Polícia Civil, o caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público e motivou cobranças na Assembleia Legislativa do Acre por mais transparência sobre a contratação, fiscalização e execução da obra.

Enquanto as causas do desabamento seguem sob investigação, a retirada dos destroços permanece condicionada à conclusão das perícias. Até lá, a estrutura destruída continuará onde caiu, servindo como uma das principais evidências de um dos maiores acidentes de engenharia já registrados na história recente do Acre.

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