Tarifaço não será unicamente decisivo nas eleições de 2026

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1 de 1 Com novo design e melhorias no processamento, urnas eletrônicas das Eleições 2024 contam com sistema de voz para guiar deficientes visuais - Metrópoes - Foto: Reprodução/ TSE

A negociação tarifária entre o Brasil e os Estados Unidos não pode ser isolada como fator decisivo nas eleições de 2026. A avaliação é de Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, que comentou o cenário político e eleitoral brasileiro ao WW. Segundo ele, o tema, no entanto, será amplamente explorado ao longo da campanha por diferentes lados.

“A gente não pode isolar esse assunto como decisivo nas eleições”, afirmou Aragão. “A gente vive um carrossel de emoções, uma espécie de novela mexicana, onde cada semana aparece um fato novo que afeta a popularidade de alguém.”

Geopolítica entra no cenário eleitoral

Aragão destacou que, pela primeira vez, a questão internacional passa a integrar de forma significativa o debate eleitoral brasileiro. Ele citou como exemplo uma declaração do Itamaraty sobre a possibilidade de uma intervenção militar norte-americana no Brasil — afirmação que, segundo ele, foi posteriormente negada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

“Como a gente chega a esse ponto de acreditar oficialmente de que poderia haver algum tipo de ação militar norte-americana no Brasil? Isso é impensável se olharmos o passado”, disse.

Para Aragão, nenhuma eleição recente, especialmente no período da redemocratização, teve uma influência tão grande da geopolítica.

Além disso, para o CEO, a questão tarifária pode não ter muito peso direto para o eleitor comum, mas tem o potencial de desarrumar a narrativa dos candidatos.

Ele observou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode adotar a teoria da soberania, mas adversários podem contra-argumentar que tal postura prejudica a economia ao inviabilizar negociações. “Ambos os ponteiros das eleições podem ser prejudicados pela questão”, pontuou.

Politização do Itamaraty

Também foi mencionada a politização do Itamaraty, que teria adotado um vocabulário incomum para a instituição — incluindo referências a “traidores da pátria” — e a resposta do chanceler Mauro Vieira à Comissão de Relações Exteriores da Câmara sobre o risco de uma operação militar estrangeira no país.

Aragão analisou o ambiente institucional brasileiro, ressaltando o conflito entre o Executivo e o Senado Federal. Ele citou a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal) como exemplo de bloqueio de pautas de interesse do governo.

“Não há diálogo firme entre a presidência da República e o Senado Federal”, afirmou. Segundo ele, enquanto não se souber qual será a composição do Congresso após as eleições, essa incerteza continuará e nenhum projeto importante deverá ser votado — a não ser que tenha impacto eleitoral.

Aragão ainda alertou para a possibilidade de um populismo legislativo, com o Congresso aprovando medidas que beneficiem candidatos à reeleição.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

 

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