Suposta operadora do orçamento secreto teria desrespeitado ordem do STF

Suposta operadora do orçamento secreto teria desrespeitado ordem do STF

A servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek – a Tuca, como é conhecida – é uma das citadas na decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que mirou supostas emendas irregulares controladas pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Em dezembro do ano passado, a assessora foi alvo de operação da Polícia Federal que investiga o desvio de emendas. Na época, Dino determinou que a servidora fosse afastada de “qualquer atividade ou ação atinente a emendas parlamentares, até a conclusão das investigações”.

A decisão de Dino desta semana cita, no entanto, que Tuca teria atuado com a divisão e organização de emendas até março deste ano. A PF indicou que de junho de 2024 até março deste ano Tuca e outros dois servidores – Garigham Amarante e Nara Brum – teriam atuado no desvio de pelo menos 21 emendas em prol de Valdemar com montante de cerca de R$ 119,2 milhões.

Atualmente, Tuca está lotada como servidora na Diretoria Administrativa da Câmara, na área de Infraestrutura e Patrimônio. Antes, no fim do ano passado, ela ocupava cargo na liderança do PP. Também citados na decisão, Garigham está lotado como assessor no gabinete da liderança da oposição e Nara está em exercício como assessora na liderança do PL.

Foi a partir de informações obtidas no celular de Tuca, apreendido em dezembro, e das conclusões da PF, que Dino determinou o bloqueio de emendas e de bens de Valdemar. Mensagens trocadas entre os servidores mencionaram negociações com Valdemar, que é ex-deputado e não exerce mandato atualmente.

Conforme a investigação, um conjunto de planilhas, mensagens e registros indicariam uma suposta operacionalização em que, com a ajuda de servidores, nomes de deputados eram alocados de forma fraudulenta como “solicitantes” de recursos, mas as escolhas eram feitas, na verdade, pelo presidente do PL. A defesa de Valdemar nega irregularidades.

Atuação questionada

A suposta atuação de Tuca na operacionalização de emendas, mesmo após a decisão do STF de afastamento, também foi questionada pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) no mês passado.

Em 25 de junho, o parlamentar enviou manifestação ao STF em que afirmou ter recebido relatos de que a servidora “estaria realizando atendimentos a parlamentares federais e assessores parlamentares para tratar da operacionalização das emendas de comissão”. O deputado sugeriu que a informação fosse considerada nas investigações e que novas diligências fossem avaliadas.

Em nota, a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a atuação dela era “estritamente técnica, apartidária e impessoal” e destacou que não se atribui à servidora “a prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal”. A CNN também questionou a Câmara sobre os demais servidores citados na decisão de Dino e aguarda retorno.

Já a defesa de Valdemar disse ser “natural” sua articulação e nega categoricamente a prática de qualquer crime, alegando que a decisão parte de premissas frágeis.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por emillybehnke

 

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