O Acre continua sendo o estado brasileiro com os menores índices de vacinação contra o HPV, situação que preocupa especialistas por reduzir a proteção da população contra o vírus, responsável por diversos tipos de câncer. Os dados fazem parte de um dos maiores estudos já realizados na América Latina sobre o impacto da vacina.
A pesquisa, desenvolvida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, analisou informações de mais de 16 mil brasileiros entre 16 e 25 anos. O levantamento comparou resultados obtidos logo após a chegada da vacina ao Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2016 e 2017, com dados coletados de 2020 a 2023.
Embora o estudo tenha mostrado que a vacina trouxe resultados positivos em todo o país, o Acre aparece com a menor cobertura vacinal. Segundo o Ministério da Saúde, apenas 43% das meninas e 36% dos meninos receberam a imunização no estado, números bem abaixo da média nacional, que alcança cerca de 86%.
Especialistas atribuem esse cenário à disseminação de informações falsas sobre a vacina entre 2018 e 2019. De acordo com Ana Goretti Maranhão, do Ministério da Saúde, o estado nunca conseguiu recuperar os índices de vacinação registrados antes desse período.
Além de proteger quem recebe a dose, a pesquisa revelou que a vacinação também reduz a circulação do vírus entre pessoas não vacinadas. Esse efeito, conhecido como proteção coletiva, acontece quando uma grande parte da população está imunizada.
Entre as mulheres vacinadas, a presença dos tipos de HPV combatidos pela vacina caiu 81%, passando de 15,6% para 3,1%. Já entre aquelas que nunca foram vacinadas, houve uma redução de 33% na circulação desses mesmos tipos do vírus, mostrando que a imunização beneficia toda a comunidade quando a cobertura é elevada.
Cobertura na capital acreana
Outro levantamento, realizado em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), comparou Rio Branco com Ariquemes, em Rondônia. Apesar de terem características socioeconômicas parecidas, a capital acreana registrou cobertura vacinal de aproximadamente 52%, enquanto o município rondoniense superou 90%. Segundo os pesquisadores, uma das diferenças está na vacinação realizada dentro das escolas, estratégia que o Ministério da Saúde vem reforçando nos últimos anos.
O estudo também apontou uma diferença entre os sexos. Enquanto cerca de 61,8% das mulheres participantes haviam sido vacinadas, entre os homens o índice foi de apenas 31,1%. Isso acontece porque a vacinação para meninas começou em 2014, enquanto os meninos passaram a ser incluídos no programa apenas em 2017. As faixas etárias dos dois grupos só foram igualadas em 2022.
Outro resultado importante da pesquisa mostrou que uma única dose da vacina contra o HPV oferece proteção semelhante à de duas ou três aplicações, reforçando a eficácia da estratégia adotada atualmente pelo Ministério da Saúde e ampliando as chances de aumentar a cobertura vacinal no país, especialmente em estados como o Acre.
Conteúdo Original / Fonte: Folha de São Paulo







