Acre tem 81% de chance de enfrentar super El Niño, e Mailza reúne gabinete de crise

 

O governo do Acre iniciou o planejamento das ações para enfrentar o período mais crítico da estiagem de 2026 diante de um cenário considerado preocupante. Um prognóstico apresentado pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) aponta que o estado tem 81% de probabilidade de enfrentar um episódio de super El Niño a partir de outubro, aumentando significativamente o risco de seca severa, queimadas, incêndios florestais e dificuldades no abastecimento de água.

Diante da previsão, a governadora Mailza Assis participou, nesta sexta-feira (24), em Brasileia, de uma reunião do Gabinete de Crise para definir medidas preventivas e alinhar a atuação dos órgãos estaduais durante os próximos meses.

O encontro reuniu representantes da Defesa Civil, Casa Civil, secretarias estaduais e órgãos ambientais para traçar estratégias de enfrentamento à crise hídrica, considerada uma das principais ameaças do segundo semestre.

Segundo o relatório técnico apresentado durante a reunião, os meses de julho, agosto e setembro ainda devem registrar um El Niño de intensidade moderada. No entanto, a partir de outubro, novembro e dezembro, o cenário tende a se agravar, com elevada probabilidade de evolução para um super El Niño.

Entre as principais preocupações estão a redução do nível dos rios, que compromete o abastecimento de água, dificulta o transporte fluvial e afeta diretamente comunidades ribeirinhas que dependem dos mananciais para locomoção e atividades econômicas.

Além disso, o clima mais quente e seco favorece o aumento das queimadas e dos incêndios florestais, com impactos ambientais e também na saúde da população.

Durante a reunião, a governadora Mailza afirmou que o Estado está antecipando o planejamento para garantir uma resposta rápida caso a estiagem se intensifique.

“Nós tivemos aqui uma reunião do gabinete de crise, que demonstra a preocupação do Estado com o início da estiagem. Ainda está tudo bem, mas se aproxima um período em que precisamos voltar toda a nossa atenção para essa necessidade, que é a das secas. Ora muita água, ora pouca água, a ponto de os rios pedirem socorro e as famílias precisarem da nossa ajuda. É para isso que já estamos nos preparando, organizando as equipes, as secretarias, a Defesa Civil, a Casa Civil, a Saúde e a Assistência Social para darmos todo o suporte às famílias, caso essa necessidade venha em um grau elevado”, afirmou.

O coronel Batista, coordenador estadual da Defesa Civil, explicou que o Gabinete de Crise já vem realizando reuniões em Rio Branco e agora amplia o trabalho para as regionais do estado, envolvendo também as coordenadorias municipais.

Segundo ele, a expectativa é de que os meses de outubro, novembro e dezembro concentrem os efeitos mais intensos da estiagem.

“Tudo indica que esse período será mais forte, então o Estado precisa se preparar. Estamos conversando com as coordenadorias municipais de Defesa Civil, os órgãos ambientais e as estruturas municipais para minimizar os impactos na saúde, na educação, na agricultura, na pecuária e no abastecimento de água”, destacou.

O coronel também reforçou que a população tem papel importante na redução dos impactos da seca, especialmente com o uso consciente da água e a prevenção de queimadas.

“A maioria dos incêndios florestais tem origem em ações humanas. Queimar é crime. Reduzir o uso do fogo ajuda a diminuir a fumaça na atmosfera e, consequentemente, os problemas respiratórios. A população pode contribuir economizando água e evitando qualquer tipo de queimada.”

Além das medidas emergenciais, o governo definiu que será reforçado o monitoramento dos indicadores climáticos e a integração entre os órgãos estaduais para ampliar a capacidade de resposta aos municípios mais vulneráveis.

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. Na Amazônia, seus efeitos costumam provocar redução das precipitações, aumento das temperaturas e prolongamento da estiagem, elevando o risco de incêndios florestais, escassez de água e prejuízos às atividades econômicas e às populações mais vulneráveis.

Fonte: ContilNet

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