Existe um lugar onde brasileiros, peruanos e bolivianos se divertem juntos sem precisar de um único documento. Esse lugar é Assis Brasil, na tríplice fronteira, onde o Festival de Praia acaba de completar duas décadas de história. A maior festividade do município foi registrada pelo repórter Kennedy Santos, do ac24horas.
Já são vinte edições transformando as margens do rio Acre em ponto de encontro dos povos da fronteira. Mais que lazer, o evento virou patrimônio cultural e uma importante ferramenta de geração de emprego, renda e movimentação da economia local.
O prefeito Jerry Corria, filho de Assis Brasil, destacou o compromisso de fortalecer ainda mais a festa. “Nós temos a oportunidade, eu como filho de Assis Brasil e estando como prefeito, de fortalecer ainda mais este evento, que além de oportunizar um espaço de lazer e entretenimento para a comunidade local e visitantes, também é uma grande ferramenta de geração de emprego, renda e aquecimento da economia local”, afirmou.
Diferente das praias de mar, a paisagem tem outro charme. A areia é diferente, a água mais rasa em alguns trechos e a régua do biquíni obedece a outros costumes. O jeito amazônico, mais discreto e tranquilo, chama a atenção de quem chega de fora. “Homem de sunga? Ainda não vi. As mulheres não deixam”, brincou um dos visitantes, entre risadas.
A cada visita, a diversidade da fronteira aparece nos detalhes. Famílias inteiras se reúnem trazendo arroz, farofa, vinagrete e carne assada para dividir. Não faltam churrasqueiras, quadriciclos, carretas e até ventilador para enfrentar o calor.
Do lado peruano, os visitantes de Puerto Maldonado elogiam a cultura brasileira. “A cultura, o trato, a comida, o sotaque, o ritmo, a alegria, o clima. Muito belo, muito”, resumiu um deles. Do lado boliviano e brasileiro, a mensagem é a mesma, de união. “Recordar os costumes e a união entre irmãos, que é brasileiro, peruano e boliviano”, disse uma visitante.
E teve descoberta curiosa. O curso natural do rio vem mudando ao longo dos anos, e em alguns pontos a margem brasileira avança sobre antigas áreas que já foram território boliviano. A natureza redesenhando a fronteira, sem guerra e sem pedir passaporte.
Rebeca Martins







