O ex-governador do Acre e pré-candidato ao Senado, Jorge Viana (PT), afirmou nesta quinta-feira, 06, que pretende levar ao Congresso uma postura de diálogo e articulação política caso seja eleito em 2026. Em entrevista ao ac24horas durante a Expoacre, o político disse que o momento atual exige união entre diferentes grupos e defendeu que as disputas políticas sejam deixadas em segundo plano diante dos problemas enfrentados pelo Estado.
Durante a conversa, Jorge relembrou sua trajetória política e administrativa, citando obras e ações realizadas durante seus mandatos como prefeito de Rio Branco e governador do Acre. “É bom conhecer cada palma desse chão. Eu estava ali, a UPA foi feita na minha época, a Via Verde também. Eu conheço cada palma desse chão que eu amo, que é o Acre”, afirmou.
Ao avaliar a Expoacre, Jorge destacou a importância da feira como espaço de valorização das tradições, negócios e entretenimento. Ele lembrou que retomou o evento durante sua gestão no governo estadual e também criou a Expo Juruá, levando a iniciativa para o interior.
“Não gosto só quando fica aquele negócio que o pessoal chama de arraialzão. Se estão chamando de arraial, é porque não está legal. Tem que dar mais atenção aos negócios, e o entretenimento também ajuda muito”, disse.
Durante a entrevista, o ex-governador afirmou que uma das suas preocupações é criar condições para que os acreanos não precisem deixar o Estado em busca de oportunidades.
Jorge relatou que recentemente participou de reuniões com investidores chineses e instituições financeiras para discutir exportações e oportunidades econômicas. Para ele, o Acre precisa ampliar sua capacidade produtiva e criar alternativas de renda.
“Eu estava com uma comitiva de chineses discutindo exportação, discutindo o Porto de Chancay, conversando com bancos. A gente precisa todo mundo junto focar na economia para que os nossos irmãos acreanos não tenham que ir embora buscar uma melhor sorte em outro estado”, afirmou.
O pré-candidato também destacou sua atuação como produtor rural e disse que pretende ser um dos primeiros produtores acreanos a exportar café de alta qualidade para mercados internacionais.
“Eu sou produtor de café. Há quatro anos estou desenvolvendo clones em Brasileia. Tenho uma área produtiva, com indústria, e esse ano, se Deus quiser, pretendo ser o primeiro a exportar uma produção de café de grande qualidade para os Estados Unidos e quem sabe para a China”, declarou.
Segundo ele, a experiência adquirida na presidência da Apex Brasil pode ajudar o Acre a ampliar mercados internacionais.
Questionado sobre a mudança de postura ao longo dos anos e sobre a relação com antigos adversários políticos, Jorge Viana afirmou que amadureceu, mas manteve seus princípios. O ex-governador comentou críticas feitas pelo senador Márcio Bittar e disse que não pretende transformar a política em um ambiente permanente de confronto.
“Eu mudei sem mudar de lado. Eu acho triste uma pessoa que tem o privilégio de viver mais dias, mais janeiros, e não procura ficar um pouco melhor”, afirmou.
Jorge disse que mantém diálogo com diferentes lideranças, incluindo adversários políticos, e citou conversas com a governadora e com prefeitos. Para ele, o Acre precisa superar dificuldades e não pode perder energia com conflitos.
“Quando as coisas estão ruins, é como ter alguém doente na família. Toda energia tem que ser de curar aquela pessoa. O nosso Estado está passando por tanta dificuldade e ter pessoas querendo acirrar diferenças na hora da dificuldade não vai ajudar em nada”, declarou.
Jorge Viana afirmou que pretende disputar novamente uma vaga no Senado e disse que sua candidatura representa a possibilidade de levar experiência acumulada ao Legislativo federal. “Se eu for escolhido, vou virar candidato dia 16. Já registrei, mas já pedi voto e tal, só depois do dia 16. Se eu virar senador, eu quero ajudar meu Estado, ajudar a população”, disse.
O ex-governador afirmou que pretende atuar como um articulador de soluções para problemas do Acre. “Eu sou um lutador pelo Acre, eu sou um resolvedor de problemas. Eu penso assim. Eu quero ser um resolvedor de problemas do Acre”, afirmou.
Ele também declarou que pretende trabalhar com prefeitos de diferentes partidos caso seja eleito. “Eu já estou visitando todos os prefeitos e dizendo: eu vou trabalhar com vocês, independente de qualquer coisa. Porque passou a eleição, vai ter que trabalhar para o nosso Estado”, disse.
Um dos principais temas abordados na entrevista foi a situação das propriedades rurais embargadas por órgãos ambientais. Jorge defendeu uma solução que, segundo ele, concilie produção e preservação. O ex-governador lembrou que foi relator do Código Florestal Brasileiro em 2012 e afirmou que possui experiência para participar do debate.
“Eu fiz a relatoria do Código Florestal Brasileiro em 2012. Foi uma lei complicada, estabelecendo limite para uso da terra e proteção do meio ambiente”, afirmou.
Segundo ele, a discussão ambiental não deve ser tratada de forma ideológica, mas técnica. “Você acha que uma pessoa vai resolver um problema ambiental tendo ódio do meio ambiente? Eu sou produtor. Você acha que eu consigo produzir se eu não tiver água, se eu não tiver clima, se eu não tiver meio ambiente como aliado?”, questionou.
Jorge defendeu alterações legais e políticas públicas para regularizar áreas produtivas, mas afirmou que a preservação ambiental deve ser mantida. “Vai mexer na lei, vai. Mas o meio ambiente não pode sair perdendo”, declarou.
Ele citou áreas já desmatadas próximas a Rio Branco como exemplo de locais que poderiam receber investimentos em produção agrícola. “Aqui no entorno de Rio Branco tem 400 mil hectares já desmatados, que pode ser implantado milho mecanizado, soja, café, algodão, açaí”, afirmou.
Outro ponto destacado por Jorge foi a necessidade de ampliar a conectividade no Acre. O pré-candidato afirmou que pretende defender que o Estado tenha a melhor internet da Amazônia. “Eu vou trabalhar para que o Acre seja o Estado que tenha a melhor e mais rápida e mais potente internet da Amazônia. Não é do Brasil, é da Amazônia”, afirmou.
Ele lembrou que durante seu governo criou o programa Floresta Digital, que oferecia internet gratuita em espaços públicos. “Há 20 anos atrás, tinha internet de graça nas praças, nos bairros de Rio Branco. Tem hoje? Então eu não estou falando que vou fazer um negócio e não vou fazer, porque já fiz”, declarou.
Ao final, Jorge reforçou que pretende concentrar sua atuação em pontos de convergência entre diferentes grupos políticos. “Eu não tenho mais tempo para gastar energia discutindo bobagem, querendo pegar diferenças. Todos nós somos diferentes uns dos outros, mas eu acho que tem um ponto de convergência: eu vou trabalhar esse ponto de convergência. E para ter isso, eu ponho o Acre na frente. Não é partido, não é ideologia, é o Acre”, concluiu.
Lucas Vitor







