O Comitê Chico Mendes e o Movimento Jovens do Futuro anunciaram nesta sexta-feira (7) a nova edição do Festival Jovens do Futuro (FJF), que ocorre nos dias 5 e 6 de setembro de 2026, em Rio Branco. A sétima edição terá como tema “Pertencer para Proteger”, com foco no fortalecimento dos vínculos entre as juventudes acreanas, seu território e suas identidades coletivas.
Criado em 2020, durante a pandemia, o festival tem inspiração na carta-testamento deixada por Chico Mendes em 1988, que conclamava a juventude a promover transformações. Ao longo dos anos, o evento se firmou como espaço de artivismo, cultura e formação política na Amazônia. A proposta é aproximar a população da cidade da floresta e defender a justiça climática, em oposição ao avanço do agronegócio e ao isolamento das juventudes periféricas e tradicionais.
Presidenta do Comitê Chico Mendes, Angela Mendes destacou o peso político e estratégico da iniciativa em um período que considera decisivo para o país. “O festival pode ser um espaço muito estratégico de mobilização da juventude para a ação. Acho que, quando a gente pensa em cultura de floresta e em caminhos de futuro, estamos falando de ação para conseguir almejar a possibilidade de um amanhã. Não é possível, com o cenário que temos hoje, ficar de braços cruzados. É preciso se movimentar, e acho que é isso que conecta a campanha ao festival. Vamos nos movimentar, vamos sonhar, mas, além de tudo, fazer”, afirmou.
A edição tem base na campanha “Cultura de floresta é caminho de futuro”, que busca unir as pautas das periferias urbanas e das comunidades da floresta. Em um estado marcado por crises climáticas severas e por altos índices de violência contra lideranças e mulheres, o festival apresenta a coletividade como ferramenta de sobrevivência e transformação.
“Abrir esse diálogo com a sociedade é importante para a gente, inclusive, conectar a identidade da floresta com a identidade das periferias, porque são dois públicos que, ao longo da história, foram ficando à margem do direito a políticas públicas. O festival promove esses encontros e fortalece essa luta”, refletiu a presidenta.
A programação também pretende questionar narrativas dominantes na região, entre elas a de que o agronegócio impulsiona o desenvolvimento social da juventude amazônida. Angela Mendes reforçou a importância de pesquisas feitas pelos próprios jovens e a necessidade de debater alternativas econômicas reais e sustentáveis para o Acre.
“É uma pesquisa feita de jovem para jovem, olhando esse mundo, esse cenário como ele está posto para a juventude, que normalmente não tem pesquisas sobre isso. Outra coisa que acho muito importante é olhar para essa perspectiva de que existe uma narrativa falsa de que o agro desenvolve, o que não é exatamente verdade. O agro importa para uma pessoa: para o próprio agro, para os próprios fazendeiros”, pontuou.
Ainda de acordo com o Comitê Chico Mendes, não se protege o que não se conhece nem aquilo a que não se sente pertencer. A sétima edição reúne ativistas, artistas, mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+ para debater alternativas socioambientais concretas, como a transição ecológica justa e a agroecologia.
A programação de dois dias em Rio Branco terá o 3º painel Crias de Chico, o lançamento da primeira pesquisa do Núcleo “Juventudes, Clima e Economia” e apresentações culturais com artistas locais, além de uma atração nacional no dia 6 de setembro. Mais detalhes serão divulgados em breve.
Rebeca Martins







