Zé Lopes critica “inversão de prioridades” e cobra mais recursos para o setor rural

Foto: Jardy Lopes

O vereador de Rio Branco e candidato a deputado estadual Zé Lopes (Republicanos) criticou, durante entrevista ao ac24horas na penúltima noite da Expoacre 2026, a aplicação de recursos públicos no Acre e defendeu que mais investimentos sejam direcionados ao setor rural, à infraestrutura e à geração de emprego e renda. Produtor rural, ele avaliou na noite deste sábado, 08, que há uma “inversão de prioridades” tanto no governo do Estado quanto na Prefeitura de Rio Branco.

Para Zé Lopes, a produção rural tem papel fundamental no desenvolvimento econômico do Acre, principalmente diante do isolamento do estado em relação aos grandes centros urbanos e da ausência de uma estrutura como a Zona Franca de Manaus.

“O Acre está afastado dos grandes centros urbanos e não tem uma Zona Franca como Manaus. Então, esse investimento na produção rural é fundamental para desenvolver o nosso Estado”, afirmou.

Foto: Jardy Lopes

Ao avaliar a estrutura da Expoacre, o vereador defendeu uma participação maior da iniciativa privada e investimentos que tenham impacto direto na geração de emprego e renda.

“Eu gostaria muito de ver, como em outras exposições do Brasil, que esses estandes mais bonitos fossem de empresas que estivessem investindo aqui e realmente gerando emprego e renda, e não sendo bancados pelo governo do Estado”, declarou.

Durante a entrevista, Zé Lopes também criticou investimentos públicos que, na avaliação dele, não estariam atendendo às principais necessidades da população. Um dos exemplos citados foi a chamada “Vaca Mecânica”, projeto da Prefeitura de Rio Branco destinado à produção de leite de soja.

Segundo o vereador, o projeto recebeu investimento de aproximadamente R$ 20 milhões e ainda não entrou em funcionamento.

“Eu não entendo como é que a Prefeitura de Rio Branco gastou R$ 20 milhões para fazer uma fábrica de leite de soja para depois descobrir que a nossa soja aqui não serve para isso”, afirmou.

Na avaliação do produtor rural, recursos dessa magnitude poderiam ser aplicados na melhoria da infraestrutura das áreas rurais, especialmente na recuperação de ramais.

“Se tivesse pego esses R$ 20 milhões e investido em ramais, hoje a gente estava beneficiando o pequeno, o médio e o grande produtor, além da criança que precisa sair de casa para pegar o ônibus para chegar à escola e da ambulância chegar em uma emergência”, disse.

Zé Lopes também mencionou a atuação do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) na fiscalização dos gastos públicos e citou o caso envolvendo a tentativa de aquisição de uma área para a Expoacre. Para ele, os investimentos precisam seguir uma ordem de prioridades.
“O que está faltando realmente é colocar as prioridades certas nos lugares certos”, afirmou.

Ao concluir a avaliação, o vereador defendeu investimentos principalmente em saúde, infraestrutura, geração de emprego, renda e comércio exterior.
“Se você está com o telhado da sua casa cheio de goteira, você não vai investir em embelezamento de jardim. Hoje, o que eu vejo, tanto no governo do Estado como na Prefeitura de Rio Branco, é uma inversão de prioridades”, declarou.

Na entrevista, Zé Lopes também comentou o leilão realizado pela Galileu Leilões durante a Expoacre, que teve como um dos principais destaques a negociação do touro Nelore Famoso do Lemos por R$ 183 mil. Segundo ele, um investimento desse porte pode ser viável para produtores que tenham estrutura e tecnologia para explorar o potencial genético do animal.

“Você não vai pegar um touro desse e colocar para ele emprenhar uma vaca por ano. Você vai coletar o sêmen e fazer inseminação artificial em tempo fixo para tirar 200 bezerros dele por ano”, explicou.

Foto: Jardy Lopes

Zé Lopes contou ainda que, há cerca de cinco ou seis anos, retirou os machos de sua propriedade e passou a trabalhar exclusivamente com inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Segundo ele, a estratégia permite organizar melhor os períodos de reprodução e nascimento dos animais, além de ampliar o aproveitamento genético dos rebanhos.

“Hoje, 100% da minha cria é feita através de inseminação artificial em tempo fixo. Com alguns produtos e protocolos, a gente sincroniza o cio das fêmeas e coloca 200 pela manhã e 200 à tarde”, relatou.

Saimo Martins

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