Cruz critica terceirização da saúde, mas admite modelo em especialidades específicas

Fotos: Sérgio Vale/ Reprodução

Durante entrevista ao programa Bar do Vaz, nesta terça-feira (11), o deputado estadual Adailton Cruz (UB) afirmou ser ideologicamente contrário à terceirização de serviços de saúde, mas reconheceu que o modelo pode ser adotado em algumas áreas diante das limitações financeiras, estruturais e de gestão enfrentadas pelo Acre.

Segundo o parlamentar, algumas especialidades têm custos elevados e dificuldades para a contratação de profissionais, o que, na avaliação dele, pode justificar a utilização de serviços terceirizados em situações específicas. “Eu sou ideologicamente contrário à terceirização, mas a gente não pode deixar de reconhecer que, por sermos um estado pequeno e dependermos de repasses federais, temos muita dificuldade para ter recurso suficiente e uma estrutura pública integral com todas essas especialidades”, afirmou.

Adailton citou exames de imagem, como a ressonância magnética, como exemplo de serviço que pode ser terceirizado para garantir o atendimento à população.
“Quando a gente fala de terceirizar especialidades onde, de fato, é muito caro e difícil chegar, temos que concordar que esse pode ser o caminho para que a população não fique sem atendimento”, disse.

Deputado alerta para riscos de fiscalização

Apesar de admitir a terceirização em determinadas situações, Cruz alertou para dificuldades de fiscalização dos serviços contratados e possíveis irregularidades na execução e no pagamento de procedimentos médicos. “O perigo de terceirizar é que isso pode se tornar uma válvula de escape para a corrupção e para manobras políticas e eleitorais”, declarou.

O parlamentar citou como exemplo procedimentos ortopédicos que envolvem próteses e outros materiais específicos. Segundo ele, a ausência de profissionais com capacidade técnica para fiscalizar os procedimentos pode dificultar o controle dos serviços prestados.“Como vamos fiscalizar uma cirurgia ortopédica em que foram cobrados três tipos de prótese se não temos capacidade técnica para conferir? Você acaba tendo que pagar com base no laudo apresentado”, argumentou.

Adailton também mencionou a possibilidade de cobranças incompatíveis com os materiais efetivamente utilizados.“É um caminho muito perigoso. Você pode ter peças pequenas, parafusos, e pagar por uma, duas ou dez unidades quando foi utilizada apenas uma, ou até mesmo quando determinado material não foi utilizado”, afirmou.

Especialidades podem ser terceirizadas

Apesar das críticas ao modelo, o deputado ressaltou que algumas áreas podem depender da terceirização enquanto o Estado não consegue estruturar uma carreira pública capaz de atrair profissionais especializados.

“A gente tem que entender que, em razão das nossas deficiências, algumas especialidades, infelizmente, precisam ser terceirizadas”, disse.

Entre as áreas citadas por Adailton estão neurologia, ginecologia, oncologia e cardiologia.“Não temos condições, hoje, de ter uma estrutura e uma carreira de Estado suficientemente atrativas para essas especialidades”, explicou.

Saimo Martins

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