Lula adota reciprocidade e diz que EUA taxam país ‘com base em mentiras’

Lula adota reciprocidade e diz que EUA taxam país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que pretende “vencer os Estados Unidos pela narrativa” diante das tarifas impostas pelo governo norte-americano ao Brasil. Em entrevista, o petista também defendeu a adoção da Lei da Reciprocidade e disse que os EUA taxaram produtos brasileiros “com base em mentiras”.

Lula declarou que pretende manter uma relação positiva com os Estados Unidos, mas destacou que o Brasil precisa demonstrar que exige tratamento equivalente nas relações entre os dois países.

“O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse, com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras”, afirmou.

O presidente acrescentou que deseja preservar uma boa relação com os norte-americanos. Segundo ele, o governo brasileiro iniciou, na quinta-feira (13), o processo para aplicar a Lei da Reciprocidade, como forma de mostrar que o país “não é pouca coisa”.

As medidas foram anunciadas após tarifas impostas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros, que chegam a 37,5%. A Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso e sancionada por Lula em 2025, permite que o Brasil aplique a outro país medidas, restrições ou tarifas equivalentes às que sofreu.

Lula rejeita escalada do conflito

Apesar das críticas ao governo americano, Lula afirmou que não pretende ampliar o conflito. “Não quero guerra, eu quero discutir com seriedade”, declarou.

O presidente reconheceu que o Brasil não possui o mesmo poderio militar dos Estados Unidos, mas afirmou ter argumentos para contestar as acusações feitas contra o país. Ele também disse acreditar que conseguirá defender a posição brasileira por meio da narrativa.

Lula criticou ainda algumas justificativas apresentadas pelos americanos para impor restrições ao Brasil. Segundo ele, são infundadas as alegações de que o país compra produtos provenientes de trabalho escravo e não combate o desmatamento.

As declarações foram dadas durante uma entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, realizada no Palácio da Alvorada.

Relação com Donald Trump

Lula também afirmou que busca manter uma relação cordial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O petista disse que pretende conversar diretamente com o americano por telefone, em uma conversa “tête-à-tête”.

Segundo Lula, os dois mantêm um tratamento respeitoso e devem preservar uma relação institucional entre as duas maiores democracias do continente.

O presidente afirmou ainda que pretende pedir a Trump que não interfira nos assuntos internos brasileiros, principalmente nas eleições.

“Vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição”, declarou. Lula questionou por que Trump interferiria no processo eleitoral brasileiro, já que ele próprio nunca teria se envolvido nas eleições americanas.

Disputa eleitoral de 2026

As declarações ocorrem durante a corrida eleitoral de 2026, na qual Lula disputa a reeleição. Nas últimas semanas, o presidente ampliou sua participação em podcasts e canais digitais, buscando alcançar públicos mais jovens e ampliar sua presença nas redes sociais.

Recentemente, ele participou do podcast “Inteligência Ltda.”, onde falou sobre campanha, economia, programas do governo e temas políticos.

A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começará oficialmente em 28 de agosto. Nesta quinta-feira (13), Lula também iniciou as gravações dos primeiros vídeos que serão utilizados na campanha e na estratégia de comunicação do PT e de seus aliados.

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