Uma tragédia que ficará na história da Volta a Portugal e do ciclismo mundial. Finlay Tarling, ciclista de apenas 19 anos da NSN Development Team, morreu na tarde de sexta-feira, depois de ser atropelado por um veículo utilitário que não fazia parte da caravana, em Arcozelo, no município de Ponte de Lima, durante a oitava etapa da prova.
O alerta para o acidente aconteceu por volta das 15h30, e a confirmação da morte do jovem ciclista veio cerca de uma hora e meia depois, às 17h, levando à suspensão da etapa.
Os últimos 20 quilômetros do percurso entre Melgaço e Fafe foram percorridos em clima de luto, com os ciclistas se unindo em um momento de dor e deixando de lado as cores das camisas que os tornam adversários. Do lado de fora, o público permaneceu no local, mas trocou o entusiasmo habitual, provocado pela passagem dos ciclistas pelas estradas nacionais, por aplausos, em uma homenagem liderada pelos cinco companheiros de equipe de Finlay Tarling — o espanhol Álvaro García, o australiano Zac Marriage, o canadense Ben Morin, o dinamarquês Emil Nielsen e o australiano Ales Hewes —, que seguiram à frente do pelotão.
Luto internacional
A morte de Finlay Tarling chocou Portugal e entrou para a lista das perdas mais inesperadas no esporte nacional, mas rapidamente ultrapassou fronteiras, trazendo à tona o sentimento de uma perda compartilhada.
A notícia repercutiu em várias partes do mundo e foi destaque nos principais jornais esportivos, como o L’Équipe, jornal francês conhecido por dar grande destaque ao ciclismo.
As circunstâncias da morte
A morte de Finlay Tarling aconteceu em uma curva com visibilidade reduzida, mas tudo indica que o veículo envolvido no acidente entrou no percurso antes mesmo da passagem do carro-vassoura.
Uma fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo disse à Lusa, pouco depois do acidente, que “um veículo utilitário estava na via circulando no sentido contrário ao da prova e o ciclista colidiu, e aconteceu a situação trágica”.
Mais tarde, a SIC informou que as autoridades estão investigando como o veículo utilitário conseguiu ultrapassar o perímetro de segurança enquanto a prova ainda estava em andamento. Ao mesmo tempo, o motorista do veículo, que está em estado de choque, permanece hospitalizado e foi submetido a testes toxicológicos, além de exames para verificar a presença de álcool no sangue. Os resultados serão determinantes para o desfecho da investigação.
O que acontece agora na Volta a Portugal?
Apesar da morte de Tarling, a Volta a Portugal deverá ser retomada neste sábado, com a dupla subida à Senhora da Graça. Os ciclistas percorrerão 142,3 quilômetros entre Paredes e o santuário de Nossa Senhora da Graça, em Mondim de Basto, depois que o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, afirmou na tarde de sexta-feira que a corrida “terá de continuar”.
No entanto, o pelotão ficará reduzido a 89 ciclistas, já que a NSN Development Team decidiu abandonar a competição.
Neste domingo, será disputada a 10ª e última etapa desta edição da Volta a Portugal, com um percurso entre a Maia e o Porto. O francês Alexis Guérin (Anicolor-Campicarn) veste a camisa amarela.







