Dados do Comitê Nacional de Secretários da Fazenda dos Estados (Comsefaz) apontam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com plataformas de apostas, conhecidas como bets, em 2025. O valor supera o Produto Interno Bruto (PIB) do Acre e de outros três estados do Brasil.
De acordo com o último levantamento divulgado, o PIB do Acre é de R$ 26,3 bilhões, enquanto do Amapá é de R$ 28 bi, Roraima tem R$ 25,1 bi, e Sergipe tem R$ 60,8 bilhões.
Os números, baseados nos dados do Banco Central, são uma projeção com base nas transferências de Pix de pessoas físicas para empresas dos setores de artes, cultura, esporte e recreação. O Pix é o principal meio de pagamento das apostas, já que não é mais permitido uso de cartão de crédito.
De acordo com os dados, o valor transferido de pessoas físicas para bets, projetado em 2025, é de R$ 350,97 bilhões. Considerando as transferências líquidas, ou seja, a diferença do que pagam e do que recebem, o montante alcançou R$ 62,5 bilhões.
Em todo o ano de 2025, 25,3 milhões de pessoas apostaram em plataformas de apostas esportivas no Brasil. De acordo com o governo federal, são 100,8 milhões de contas ativas em bets, considerando que um mesmo CPF pode ter mais de uma conta.
Os valores dispararam a partir de janeiro de 2025, quando a regulamentação entrou em vigor, e registrou uma queda em outubro, quando foi proibido a aposta por beneficiários do Bolsa Família.
O dinheiro perdido com bets em 2025 no Brasil representa quase 40% do valor pago para o Bolsa Família e mais da metade do Benefício de Prestação Continuada (BPC), repassado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.
Bloqueados das bets
Mais de 5 milhões de brasileiros estão atualmente proibidos de acessar sites de apostas online, embora as razões para essa restrição variem. Esse total agrupa indivíduos que optaram voluntariamente pela interrupção dos jogos, beneficiários de auxílios governamentais e pessoas incluídas em um programa de quitação de débitos.
O maior volume dessa restrição corresponde a cerca de 3 milhões de cidadãos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou o Bolsa Família, os quais estão proibidos de empregar recursos nessas páginas de apostas.
Adicionalmente, 1,2 milhão de usuários foram bloqueados por iniciativa própria ao recorrerem à ferramenta de autoexclusão, mecanismo que possibilita vetar o próprio acesso a tais aplicativos e plataformas.
O grupo também engloba perto de 800 mil indivíduos que aderiram à nova edição do Desenrola. Conforme as diretrizes do programa, esses participantes ficam temporariamente impedidos de apostar na internet pelo período de meio ano.
Considerando os três públicos em conjunto, o contingente de pessoas impedidas de frequentar as plataformas de apostas supera a marca de 5 milhões no país.
Fonte: Contilnet







