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Médica do Acre apresenta avanços no atendimento infantil nos EUA

Especialista expôs como a sobrevida de bebês com malformações passou de 5% para 80% no estado/ Foto: Reprodução

A médica cirurgiã e docente da Universidade Federal do Acre (Ufac) Fernanda Lage Lima Dantas representou o estado na Conferência Anual da Association of Women Surgeons (AWS), realizada entre os dias 25 e 26 de setembro, em Washington, nos Estados Unidos.

O encontro reuniu especialistas internacionais para debater cirurgia em regiões isoladas, modelos de treinamento profissional e a representatividade feminina na medicina cirúrgica. Durante o simpósio, a médica apresentou os resultados obtidos na estruturação da assistência pediátrica especializada na Região Norte do Brasil.

“Levo o exemplo de como a dedicação e o empenho de um profissional podem transformar a realidade de uma população. A ideia de vir a esse evento é apresentar como levamos cirurgia de qualidade em locais remotos, com baixos recursos, como é o nosso Acre”, afirmou a médica.

Pioneira no desenvolvimento da cirurgia pediátrica no Acre, com atuação concentrada em Rio Branco, Fernanda integra o Colégio Americano dos Cirurgiões (American College of Surgeons – ACS). A ligação com a entidade teve início em 2018, quando o trabalho desenvolvido no estado foi reconhecido internacionalmente, garantindo sua participação em treinamentos especializados nos Estados Unidos.

Em 2019, obteve o título de fellow do ACS e passou a compor a Association of Women Surgeons. Desde outubro de 2024, a cirurgiã integra a diretoria executiva do comitê de relações internacionais do Colégio Americano.

Aumento nos índices de sobrevivência neonatal

Durante a conferência em Washington, a médica detalhou a evolução dos indicadores de saúde infantil no estado. Segundo a especialista, no início de suas atividades no Acre, cerca de 95% dos recém-nascidos diagnosticados com malformações congênitas não resistiam.

A estruturação do atendimento cirúrgico na rede pública e o acompanhamento precoce alteraram o quadro assistencial. Atualmente, a taxa de sobrevivência entre bebês operados no estado alcança ao menos 80%.

“O nosso trabalho desenvolvido ao longo dos anos ajudou a mudar esse cenário, chegando atualmente à sobrevivência de pelo menos 80% desses bebês, que antes, infelizmente, morriam e nem sequer chegavam a receber o diagnóstico”, ressaltou.

Com atuação voltada ao Sistema Único de Saúde (SUS), Fernanda projeta a consolidação de uma rede pública regional focada no tratamento contínuo de malformações, abrangendo desde a intervenção cirúrgica imediata até etapas de reabilitação e acompanhamento pós-operatório.

“Meu sonho e planos para o futuro, visto que trabalho primordialmente para o Sistema Único de Saúde, é organizar a assistência à saúde da criança portadora de malformações congênitas no estado, de forma que possamos oferecer tratamento integral”, completou.

Igualdade de gênero no ambiente cirúrgico

A inclusão e a equidade profissional na medicina cirúrgica também pautaram os debates da convenção na capital norte-americana. A médica acreana destacou as barreiras estruturais ainda enfrentadas por mulheres no setor.

“Ainda temos muito que evoluir na aceitação das mulheres nesses espaços tradicionalmente masculinos. A mulher ainda tem que provar duas ou três vezes mais que o homem que merece ocupar um espaço nesse ambiente”, pontuou.

A pauta integra ações promovidas globalmente em março, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, e durante setembro, mês dedicado à conscientização sobre a presença feminina na área médica. Neste ano, a campanha internacional teve como tema central “Mulheres Cirurgiãs Causando Impacto no Mundo”.

Com informações Juruá Online

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