Jorge Viana
Um itinerário político de Jorge Viana e a história de um movimento
A noite calorenta de 22 de dezembro estava convidativa para uma piscina. Ao menos para os moradores das poucas casas em que havia uma piscina no Acre no tumultuado ano de 1988. A casa do governador Flaviano Melo era uma delas. No sistema de som que havia em toda parte de trás da residência, Gonzaguinha, com “O que é o que é?”, um sucesso da época, embalava a alegria regada a whisky Royal Salute 21 anos. Dois jovens com jeans surrados entraram no ambiente. As risadas pararam e o som teve o volume baixado.
Naquele instante, o jovem engenheiro florestal Jorge Viana, então com 29 anos, e o professor de História Binho Marques, com 26, informavam ao governador sobre a morte do líder seringueiro Chico Mendes. Providências precisavam ser tomadas. Todos ali sabiam da gravidade do momento. A partir daquela noite, o Acre nunca mais seria o mesmo. Nem o Acre, nem Jorge Viana e nem Binho Marques. Do ponto de vista histórico, a década dos 80, no Acre, terminou com dois anos de antecedência.
Após a morte de Chico Mendes, a esquerda ficou meio atordoada no Acre. Mas algumas sementes haviam sido lançadas, a partir da criação do PT, em 1980, e do trabalho do líder seringueiro assassinado.
Um dos frutos foi o Centro de Trabalhadores da Amazônia (CTA), organização não governamental responsável pelo Projeto Seringueiro, que aplicou o Método Paulo Freire para alfabetizar milhares de pessoas na área florestal de Xapuri. Binho Marques era o coordenador do projeto. Havia mais alunos e locais de referência de Educação no Projeto Seringueiro dentro da mata do que na rede de ensino de Xapuri. Jorge Viana foi presidente do CTA no início dos anos 90.
O trabalho do CTA e as articulações que germinavam silenciosamente nas salas e corredores da Funtac lançaram o que mais tarde viria a se tornar o Governo da Floresta. Mas houve uma balsa antes. Em 1990, Jorge Viana coloca o PT do Acre na agenda do eleitor, efetivamente, quando vai ao segundo turno para eleição ao Governo do Estado, disputando contra Edmundo Pinto (PDS). Foi uma derrota com claro sabor de vitória. E ela veio dois anos depois.
Em 1992, Jorge Viana foi eleito prefeito de Rio Branco. Sem conseguir eleger o sucessor, o professor Marcos Afonso, Jorge Viana, junto com uma nova geração de biólogos, antropólogos e engenheiros florestais, constrói, na Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), uma referência para transformar em política pública uma expressão pouco usual naquela época: “Desenvolvimento Sustentável”. No antigo Colégio Agrícola, em uma reunião com esse grupo e outros colaboradores ligados à área da Educação e da Cultura, foi criada a palavra que até hoje perturba o imaginário de muita gente no Acre: “Florestania”.
Uma parte do grupo sabia que havia sido criado algo forte. Gilberto Siqueira e Jorge Viana tinham uma percepção; o poeta e ator Jorge Nazaré e o escritor Toinho Alves tinham outra, bem distinta. Anos mais tarde, o filósofo Leonardo Boff, que há muito tempo já fazia relação entre o Cristianismo e Meio Ambiente, declarou que todos os governos eram movidos por símbolos e que, nesse aspecto, o Acre havia criado a “metáfora perfeita”. Era como ele entendia a nova palavra.
De 1999 para cá, Jorge Viana deve ter sido o político que mais teve a vida exposta ao povo do Acre. Poucas coisas são desconhecidas do eleitor. A disputa que faz ao Senado nestas eleições de 2026 compõe longo itinerário.
Sobre os dois mandatos no Governo, um detalhe: o primeiro mandato de Jorge Viana teve um diferencial. O Acre foi o único estado do país em que houve coligação do PT com o PSDB. Os grupos eram rivais no país inteiro. No Acre, também. Mas o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, entendeu que para combater o Esquadrão da Morte e trazer normalidade democrática ao Acre, o PSDB precisava apoiar o movimento político que era hegemônico naquele momento no Acre. E, naquele contexto, a hegemonia estava com o PT e quem liderava o PT era Jorge Viana. Foi o governador eleito com o maior percentual de votos do país naquele pleito. Ele e o vice, Edson Cadaxo.
Depois do período que passou pelo Governo do Acre, atuou brevemente na iniciativa privada. Dois anos, aproximadamente. Foi o tempo certo para organizar a retomada para a política com um destacado mandato no Senado (2011-2018). Na sequência, disputa reeleição, mas é derrotado: uma ferida ainda não cicatrizada até hoje. Em 2022, surpreende muitos correligionários, eleitores e cronistas políticos e disputa o Governo do Acre. Nova derrota. Na campanha de 2026, Jorge Viana apresenta-se com o mote “onde eu tô, tem Acre”.
Marcio Bittar
Paulista, pantaneiro e acreano: de partido em partido, a trajetória de Marcio Bittar
O nome correto, inteiro e sem acento é Marcio Miguel Bittar. Mas assina apenas Marcio Bittar. É o candidato ao Senado pelo Acre que teve a infância mais “viajada”. Passou parte dela em quatro cidades. Franca (no interior de São Paulo, onde nasceu, há 63 anos), Cuiabá (capital do Mato Grosso), Campo Grande (capital do Mato Grosso do Sul) e Sena Madureira, no interior do Acre. À exceção de Franca, as outras três cidades acompanham a trajetória afetiva da vida de Bittar.
Com destaque para Sena Madureira, onde pelejou com os pais Mamédio Bittar e Manife Miguel Bittar e cinco irmãos na lida na fazenda onde a família vivia. “Por isso, não fui muito de festas”, lembra. Entre o “Seu” Mamédio e a D. Manife, a referência de vida de Marcio tende mais ao velho pai. Nas entrevistas, quando reforça algum valor de ordem moral, é nos ensinamentos de Mamédio que ele se ampara. Outra referência de vida de Marcio era o irmão Mauro Bittar, um empresário e articulador político de bastidor, influente na política acreana nos anos 80. Mauro Bittar faleceu em abril do ano passado. Marcio sentiu o impacto. “Foi minha base em tantos momentos. A dor é imensa, mas levo comigo todas as lembranças, risos e ensinamentos que ele deixou”, escreveu Bittar nas redes sociais à época.
Quando adolescente, morou com a irmã mais velha, Marisa Bittar, na Capital, Rio Branco. Pelos diversos relatos de Marcio na vida pública, ela foi uma espécie de “mãe”. Foi ela quem lhe alfabetizou politicamente, alertando para algumas injustiças que eram frutos de decisões. E valorizava a possibilidade de escolhas diretas do povo.
Mas o jovem Marcio gostava mesmo era de jogar bola em um campinho que havia no cruzamento onde hoje estão as ruas Isaura Parente e Antônio da Rocha Viana. Nascia ali um corinthiano incorrigível. E começava também uma aproximação fora dos jogos e da diversão.
Foi na juventude que Marcio Bittar se aproximou do PCB. Era o início dos anos 80. Articulado (aliás, essa é uma característica de Marcio Bittar: uma pessoa que tem boa capacidade de articulação política), rapidamente se destacou no ainda clandestino Partidão. Por isso, fez parte do curso de formação política na então União Soviética, um privilégio para poucos militantes do partido no país.
A partir disso, o roteiro de Marcio Bittar foi, aos poucos, migrando para o outro extremo do espectro político. Filiou-se ao PMDB, partido pelo qual se elegeu deputado estadual em 1994 e se reelegeu em 1998.
Em 2002, flerta com o passado no já descaracterizado Partidão, sob a liderança nacional de Roberto Freire e o projeto do PPS. Marcio Bittar se candidata ao Governo do Acre novamente e perde. Teve nova derrota pelo mesmo partido em 2004 quando disputa a Prefeitura de Rio Branco. Tenta novamente chegar ao Palácio Rio Branco em 2006 e, mais uma vez, perde. Foram três balsas seguidas estando no PPS.
Foi quando resolveu mudar para o PSDB e se elegeu deputado federal. Nesse momento, o grau de articulação política ganha força. Mesmo o ex-presidente Fernando Henrique tendo fortes relações institucionais com o Governo do Acre, Bittar consegue costuras importantes no tucanato.
Disputa o Governo do Acre pelo PSDB em 2014 e perde no segundo turno, mesmo tendo mais de 186 mil votos. Sai do PSDB e volta para a antiga casa, o agora MDB. Em 2018, elege-se senador com 23,28% dos votos válidos. O Brasil já vivia sob a onda da ultra-direita e, bem articulado que é, Bittar mantém boas relações com a cúpula do Palácio do Planalto. Foi o relator do Orçamento da União, o cargo de maior prestígio no parlamento brasileiro.
Em 2022, foi para o União Brasil, por uma questão que misturava questões de ordem partidária com questões de foro particular. Candidatou-se ao Governo do Estado, mas não se elegeu. No pleito de 2026, tenta voltar ao Senado agora pelo PL.
Quando perguntado sobre qual cena ou episódio mais marcou a trajetória, ele lembra de uma incursão que fez com apoiadores políticos para o Rio Macauã, afluente do Iaco. “Os seringais já estavam decadentes. Quase ninguém vivia mais de seringa. Mas eu queria conhecer um homem que ainda insistia em viver da extração e fui informado de que no Macauã eu iria encontrar. E encontrei. Lembro de tudo. Lembro até do cheiro no lugar onde ele elaborava o látex. É triste como não se conseguiu transformar aquilo tudo em riqueza para aquele povo. É por isso que eu luto”, afirmou.
Júnior Feitosa
Vascaíno, Júnior Feitosa gosta de bolacha amassada em copo de extrato de tomate com café
O corpanzil e a voz grave de Júnior Feitosa impõem alguma reserva ao interlocutor. E se isso acontecer nos embates do Tribunal do Júri, onde garante o sustento da família militando na advocacia criminal, é preciso mais cuidado mesmo. O Código Penal memorizado em detalhes: incisos, parágrafos, jurisprudências, são lembrados e destrinchados em performance teatral. Associado ao relógio dourado e ao cordão de ouro, tudo sugere algum cuidado na aproximação.
Mas, na verdade, assim como no Tribunal do Júri, há um personagem em ação. De fato, quando a ousadia aponta a mínima intimidade, a figura traz serenidade e até alguma delicadeza, sobretudo quando fala da filha. Torcedor do Vasco da Gama, sabe o peso que uma paixão exige no peito de alguém.
Nascido na cidade de Tarauacá, é o caçula entre os candidatos ao Senado pelo Acre, com apenas 44 anos. Na infância, lembra de duas paixões: jogar futebol e tomar banho de rio. No famoso campinho da Dona Eulina, localizado no bairro da Praia, tentava imitar os ídolos de seu tempo do Gigante da Colina: Romário, Juninho Pernambucano, Mauro Galvão, Edmundo. Todos eles estavam ali, no gingado das pernas ainda imberbes de Júnior Feitosa, no campinho da Dona Eulina, driblando obstáculos e construindo sonhos.
Na adolescência, a rapaziada se reunia no “Explode Coração”, onde suava até a alma e iniciava a arte da paquera embalada por “Ana Júlia”, do grupo Los Hermanos, ou pelo pagode do grupo Karametade com o sucesso “Morango do Nordeste”.
O Acre já estava suficientemente integrado ao resto do país. Nos início dos anos 2000, o gosto musical já não era mais ditado pela Rádio Difusora Acreana, como em outros tempos. O ritmo que embalava Salvador ou Copacabana era o mesmo que estava nos assobios do vendedor de tapioca de Tarauacá.
Mas uma mania parece ser própria de muitos acreanos. Comer bolacha quebrada, embebida em café em um prato fundo ou em uma caneca grande. “Bolacha amassada dentro de um ‘copo de extrato de tomate’ com café”, confessa Júnior.
A participação política já começou no movimento estudantil. Foi presidente do Grêmio da Escola Dr. Djalma da Cunha Batista. A partir dali, já começou a perceber a dificuldade em criar consensos em torno de ideias de forma democrática.
Atualmente, como advogado criminalista, lida diariamente com excluídos de toda ordem. Vinculado à Assembleia de Deus, integra o partido Democracia Cristã. Mantém um ritual, nos momentos de dúvida e insegurança: “Consultar a Deus orando antes de tudo”.
Defende a ideia de que o parlamento precisa ser composto por pessoas que estejam incomodadas com o atual cenário da política brasileira. “A desesperança que toma conta do povo por desacreditar completamente da política, ante a falta de oportunidade para a nossa juventude e a impossibilidade dos moradores das reservas [extrativistas], em não poder fazer um tanque e/ou açude para garantir a segurança alimentar que tem afetado, grande proporção da população que ainda passa fome”, afirma.
Inacio Moreira
Dançarino do Gereba, vendedor de cigarros da Souza Cruz e vascaíno: sofrer e acreditar
O vascaíno Inácio Moreira tem consciência de que a paixão que lhe tatuou a cruz de malta no coração praticamente lhe impôs uma sina. “Sei bem o que significa sofrer e continuar acreditando”. No Acre, ele sofre pelo Independência. O futebol como metáfora da vida facilita muita explicação.
No caso do hoje Professor Inácio Moreira, candidato ao Senado pelo PSol, ajuda a entender onde foi forjado o espírito de persistência, de cálculo, quase de teimosia, em superar dificuldades.
“Foi no Senai que minha vida política começou. Fui eleito presidente do grêmio. Conheci o Hildo Montysuma e começamos a articular uma chapa para a direção da Casa do Estudante Acreano. Eu ainda não conhecia todas as teorias sobre conflito de classes. Mas já conhecia o conflito na vida real. Sabia que havia o menino que podia apenas estudar e o menino que precisava estudar e trabalhar. Sabia que existia a família que tinha carro e a família que dependia do ônibus. A família que tinha plano de saúde e a família que dependia da saúde pública”, recorda, antes de formular a síntese que forjou a formação da liderança. “Depois eu aprendi os conceitos. Primeiro eu conheci a realidade”.
Na juventude, riscava o salão no Barracão do 15, nas danceterias Phazer, Boateca do Rio Branco. A vida noturna muito mais restrita do que agora, criava no jovem a ansiedade pelo fim de semana seguinte.
Mas já no início dos anos 80, o jovem Inácio percebeu que nem era preciso ir para o centro de Rio Branco para se divertir. “Aprendi mesmo a dançar foi no Gereba e no Cai N’Água, aqui no bairro das Placas. Esses lugares guardam a memória de uma geração inteira. Quando lembro deles, não lembro apenas da música. Lembro das pessoas, das roupas, das paqueras, dos amigos e daquela expectativa do fim de semana”, disse. E, mais uma vez, a força da ideia de que o sofrimento e privações do jovem forjaram a conduta do homem. “Antes de conhecer as grandes festas da cidade, eu já tinha aprendido a me divertir no meu próprio bairro”.
Na infância, as atividades no bairro Placas eram praticamente duas: soltar pepeta e tomar banho em açudes e igarapés. “A nossa diversão não precisava de shopping, videogame ou dinheiro no bolso. A periferia inventava sua própria alegria. Tinha pepeta no céu, banho de igarapé, açude, bola e amigos. A rua era o nosso parque de diversões. Talvez por isso eu tenha tanto sentimento de pertencimento às Placas. Quando falo da periferia, não estou falando de um lugar que conheci durante a campanha. Estou falando do lugar onde minha vida aconteceu”, reforçou Moreira.
Na Panheirinha do Aviário ou no campo das Placas, onde ficava o Comércio do Hermínio, pouco depois do Posto do Talma, a paixão pelo futebol foi se fortalecendo. Mesmo porque, na periferia, os campos de futebol não oferecem apenas a possibilidade de um jogo.
“Quem cresceu na periferia sabe o que representava um campinho. Era muito mais do que futebol. Era nosso ponto de encontro. Ali se fazia amizade, se resolvia briga, se aprendia a ganhar, perder e dividir espaço. Hoje, quando defendo esporte, cultura e lazer nas periferias, lembro desses lugares”.
A vida e as exclusões sentidas na periferia de Rio Branco, associadas aos vários anos dedicados ao setor de vendas da antiga Souza Cruz (comércio de cigarros) no interior do Acre, foram criando relações e dando traquejo à jovem liderança que surgia. Da presidência do Grêmio Estudantil do Senai, passando pelo início da militância no PCdoB, a amizade com Marina Silva, então recém saída do Partido Revolucionário Comunista (PRC), foi um pulo. Desde então, Inácio Moreira sempre foi um militante comunista de bastidores. Coordenou o setor financeiro de diversas campanhas.
De certa forma, a periferia continuava oprimida. Em 2026, o Professor Inácio Moreira decidiu protagonizar a cena. A comunidade do bairro Placas, simbolizando todas as periferias das 22 cidades do Acre, apresenta-se como uma opção ao eleitor.
Sérgio Petecão
Pai assassinado aos 14 anos e a rotina no Seis de Agosto: “moldou quem eu sou”
A pergunta “O que você nunca faria?” é uma das 50 questões que foram feitas para o candidato à reeleição ao Senado, Sérgio Petecão para a elaboração de um perfil. A resposta sintetiza boa parte do que está presente nas outras 49: “Esquecer de onde vim”. Sempre que pode, Petecão faz referência ao bairro Seis de Agosto e as peripécias que aconteceram por ali no final dos anos 70 e 80. “A Seis de Agosto moldou quem eu sou”, orgulha-se.
Quando tinha 14 anos, o pai foi assassinado. Isso mudou tudo. “Eu não tive muito como frequentar festas. Eu era o irmão mais velho e minha mãe pegava pesado”, lembra, fazendo referência ao comércio que a família mantinha com venda de combustível em uma bomba flutuante no Rio Acre. “Gostava da rua, da turma e da bola. Mas a responsabilidade chegou cedo demais”.
O trabalho com a venda de combustível na bomba flutuante construiu referências importantes no jovem. “Cresci vendo ribeirinhos chegando de canoa e ouvindo histórias do interior”, conta Petecão.
Outra rotina marcante na vida de Petecão guarda relação justamente com o Rio Acre. Ter crescido no Seis de Agosto fez com que o menino aprendesse, desde cedo, que o rio tem um ritmo próprio e que exige respeito.
“Minha casa alagava quando eu morava no Seis de Agosto. Anos depois, mesmo morando em outro lugar, voltou a alagar. Por isso, sei o que uma família sente quando a água entra em casa. Ver gente tirando sofá, colchão e geladeira da água: aquilo mexe comigo porque eu vivi isso”.
Torcedor do Fluminense, o futebol foi estratégico para que a figura de Petecão passasse a ser conhecida. “Além de jogar, eu gostava de organizar campeonatos e incentivar o esporte no bairro e na zona rural”, ensina Petecão. “A gente jogava onde tinha espaço na Seis de Agosto, mas também no Bancrévea”.
Nas andanças pelo interior do Acre, muitas histórias são contadas por Petecão. Mas uma se destaca pelo fato de expor a figura popular em que ele acabou se transformando. Já como parlamentar, foi participar de uma atividade política em Sena Madureira. A noite chegou e com ela o convite para participar de um forró em um bairro na periferia de Sena. Convite aceito, lá se foi o então presidente da Aleac “riscar o salão”.
Em determinado momento da festa, entra um pelotão da Polícia Militar no recinto. À ordem do comandante, o sanfoneiro parou a alegria. “Todo mundo encostado na parede. Bora, cabra!” A ordem foi obedecida por todos. “Por sorte, o comandante me conheceu. Até hoje, dou risada dessa história”, lembra, reforçando que obedeceu a todas as ordens da autoridade policial.
Sérgio Oliveira saiu de cena cedo. O nome “Petecão” veio já nas primeiras molecagens da meninada nos campinhos de futebol do Seis de Agosto. “Foi por causa do tamanho da minha cabeça, quando eu era menino. O apelido pegou e nunca mais saiu”, sorri. A referência à “peteca” tem relação à brincadeira com as pequenas esferas de vidro que foram tão importantes para diversas gerações do Acre. Havia algumas delas que eram maiores (quase sempre coloridas por dentro). Elas eram chamadas de “petecão”.
Gladson Cameli
O sonho de ser piloto de avião e a política como outra herança de família
Os 48 anos de Gladson Cameli são atípicos para um acreano. Nascido em Cruzeiro do Sul e herdeiro de uma das maiores fortunas do Norte do país, Gladson cresceu em um cenário incomum comparado a qualquer jovem acreano, seja de renda média ou até mesmo de renda alta para os padrões locais.
Para usar o clichê de forma diferente, é possível dizer que o berço de ouro de Gladson veio tatuado com a expressão “Cameli” e isso diz muito no Vale do Juruá, uma região onde há a maior concentração de renda do Acre, um estado que tem uma das maiores concentrações de renda do país.
Ele não diz abertamente, mas talvez isso explique o perfil: para afastar a antipatia natural que se estabelece entre um menino rico e os colegas, Gladson se especializou em ser quase sempre simpático. Raros são os episódios que alguém se lembra dele nervoso ou descontrolado. Raramente alguém se lembra da imagem de Gladson que não seja sorrindo.
Flamenguista. Mas não guarda nem um cacoete de quem acompanha as batalhas pela liderança no Brasileirão ou as instabilidades do departamento médico do time com os desfalques das principais estrelas em momentos cruciais da Libertadores. É um torcedor rubronegro mais por charme do que por paixão.
“Titanic” é um dos filmes com o qual ele se identifica, por um motivo espiritual. “Porque não adianta desafiar Deus”, argumentou. O outro filme que marcou a vida de Gladson é “O Milagre do Rio Hudson”. Esta película revela uma das paixões de Gladson: a aviação.
O filme é baseado em uma história real, quando um avião (US Airways 1549) com 155 passageiros a bordo, teve que fazer um pouso de emergência no Rio Hudson. O incidente aconteceu em 2009. A manobra tornou o piloto Chesley Sully Sullenberger mundialmente conhecido.
“Desde que eu me entendo por gente, sempre gostei de aviação. Teve uma época em que eu achava que ia seguir carreira. Mas meu pai queria que eu fizesse engenharia e eu fiz. E gostei também. Então, eu continuo gostando de aviação. Mas aí juntou com a política, que era outra paixão. E a aviação não deixou de ser uma paixão. Mas a política tomou o lugar principal”, roteiriza Gladson.
As primeiras cenas de pobreza com as quais se deparou foram vistas, acompanhando o tio Orleir. O pai estava interessado que o filho fosse engenheiro para cuidar da administração das empresas, mas foram as agendas do tio que chamaram a atenção do jovem. “Quando era criança, nunca percebi essa diferença porque nunca fiz essa distinção”, diz Gladson, referindo-se à diferença entre classes sociais. “Mas com o dia a dia da política, acompanhando meu tio, vi a necessidade de ajudar quem precisa”.
Um episódio que o ex-governador relata que ele nunca esqueceu foi quando, em uma das agendas de visita às comunidades rurais, um garoto lhe confessou um desejo. “Teve uma vez, num ramal, que tinha uma situação que eu nunca esqueci. Era a situação de um menino que o sonho dele era tomar um sorvete. Ele nunca tinha tomado na vida. Isso parece simples, mas me marcou”, lembra.
Mara Rocha: o jornalismo construiu o cenário para a Política
O nome Cylmara Rocha foi rapidamente simplificado pela exigência da profissão. A jovem jornalista rapidamente foi bem aceita pelo público. Primeiro da TV União, filiada à Rede Bandeirantes e depois da Rede Amazônica de Rádio e Televisão no Acre, na apresentação do Jornal do Acre 2ª edição, diariamente. Era um dos telejornais mais formais e aguardados pelos telespectadores da década dos 90 no Acre. Mara Rocha tinha apenas 17 anos quando iniciou todo esse processo.
Em 1995, foi para a empresa de Narciso Mendes. Na TV Rio Branco, Mara Rocha apresentou os programas Direto da Redação, TJ Acre e Diário do Esporte. No rádio foi para uma das emissoras privadas mais tradicionais da cidade, a Rádio Capital, onde apresentou o “Jornal da Capital”. Formou-se em Educação Física e em Jornalismo.
Essas diversas experiências tão intensas, apesar da pouca idade, chamaram atenção da equipe de governo. Foi quando ela passou a integrar a equipe de Comunicação do governo de Orleir Cameli.
Chegou à TV Gazeta em 1999. Era a emissora de maior audiência. Foi ali, sob o olhar criterioso do empresário Roberto Moura, que Mara Rocha se projetou efetivamente para todo o Acre. Foi na bancada do Gazeta em Manchete que ela conquistou a confiança do telespectador e também conquistou muitos desafetos que estavam no poder.
Trabalhou por 19 anos na TV Gazeta, onde também apresentava outro sucesso de audiência com um programa segmentado para o público da agropecuária. Com o programa “Acre Rural”, Mara Rocha construiu amizades e relações de trabalho que consolidou um caminho que, mais tarde, seria percorrido pela política.
Em 2015, ela se filia ao PSDB convidada pelo irmão Wherles Rocha. Em 2018, se candidata e é eleita deputada federal com mais de 40 mil votos. Em 2022, candidata-se ao Governo do Estado pelo MDB. Com pouco mais de 47 mil votos, não foi eleita.
Neste domingo, Mara Rocha é testada mais uma vez. Agora para o Senado.
Eduardo Velloso é filho de três gerações de oftalmologistas
Eduardo Ovídio Borges de Velloso Vianna é o nome formal. Nome aristocrático, até. Mas a política e a turma da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas simplificaram as coisas. Simplesmente, Eduardo Velloso. foi um jovem que integra uma família ligada à Medicina. Por três gerações. E todos médicos oftalmologistas.
Formou-se em 2002, especializou-se em Brasília e volta para o Acre em 2006. Durante os trabalhos na clínica e no Hospital Oftalmológico, Velloso foi consolidando a carreira política. As cirurgias, os contatos e viagens para o interior do estado iam fazendo o jovem médico ser conhecido. Em 2006, candidata-se, mas perde eleição para a Câmara Federal. Aceita o convite, em 2018, para ser suplente do senador Marcio Bittar. Assumiu o cargo por pouco mais de três meses.
No mesmo ano, Velloso se candidata à Câmara Federal e , desta vez, é eleito pelo União Brasil, com 16,7 mil votos. Em 2022, já no partido Solidariedade, candidata-se em Senado e integra a coligação “Produzir para Empregar”.
Itaan Arruda
Com informações do ac24horas







