Anuncie Fatos 1200

Bolsa fecha em alta de mais de 1% com eleição e petróleo no radar; dólar recua

Bolsa fecha em alta de mais de 1% com eleição e petróleo no radar; dólar recua

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa fechou em alta de 1,56%, a 208.295 pontos nesta terça-feira (20), com o otimismo eleitoral sustentando o apetite por risco em um pregão sem divulgação de indicadores econômicos.

A expectativa de alternância de poder na disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) voltou a favorecer os ativos brasileiros, em meio a apostas em mudanças na condução da política econômica, especialmente na área fiscal.

No exterior, as oscilações do petróleo também influenciaram os negócios, em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã.

No pregão volátil, o dólar recuou 0,57%, a R$ 5,017, em linha com o exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante seis outras divisas, caiu 0,27%.

No cenário doméstico, a disputa pela Presidência permaneceu no radar dos investidores às vésperas do segundo turno, marcado para domingo (25). Uma nova pesquisa Quaest está prevista para esta quarta-feira (21), enquanto um levantamento do Datafolha deve ser divulgado na quinta-feira (22).

Os levantamentos têm apontado uma redução da diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Na véspera, a pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou o senador com 50,3% dos votos válidos, ante 49,7% do presidente. Os dois estão tecnicamente empatados.

A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada na terça-feira (13), Flávio tinha 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% de Lula. As oscilações ficaram dentro da margem de erro, mas a diferença numérica entre os candidatos caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual.

“O mercado segue demonstrando otimismo com a possibilidade de alternância de governo e a expectativa de maior compromisso com o ajuste fiscal”, afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável e sócio da Veedha Investimentos.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, por sua vez, chama a atenção para a volatilidade. “Na ausência de indicadores econômicos, o trade eleitoral segue sendo o principal catalisador do Ibovespa. É sempre importante lembrar que, entre o primeiro e segundo turno das eleições, o Ibovespa historicamente apresenta um aumento significativo da volatilidade”.

A candidatura de Flávio é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, um dos fatores apontados para a valorização recente da Bolsa e do real.

A expectativa de maior controle da dívida pública tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, aliviando a curva de juros futuros. Taxas menores, por sua vez, podem reduzir o custo do crédito para as empresas e melhorar as perspectivas de lucro, favorecendo o mercado acionário.

No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte à votação.

A política econômica de Flávio, contudo, ainda gera dúvidas. Como mostrou a Folha de S. Paulo, sua equipe estuda um ajuste inicial de cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), equivalente a R$ 250 bilhões, com medidas como limitar os ganhos reais de benefícios previdenciários e do BPC e acabar com os pisos constitucionais de gastos com saúde e educação. Flávio, porém, nega que pretenda adotar essas medidas.

No exterior, o mercado acompanhou a movimentação do petróleo. Após atingir US$ 111,75 na máxima do dia, por volta das 6h30, o Brent, referência mundial, recuava 0,25%, a US$ 109,29, por volta das 17h. O pico foi o maior desde 5 de maio.

A oscilação refletiu as incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, voltou a negociar em Teerã com o chefe do Exército do Paquistão, o marechal de campo Asim Munir, informou a agência iraniana Nournews. A sinalização de diálogo ajudou a conter a alta da commodity.

O petróleo vinha subindo desde a semana passada, em meio a relatos de navios incendiados no estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. Antes do conflito, a passagem concentrava cerca de 20% do consumo mundial de petróleo.

Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a alta do petróleo aumenta a aversão global ao risco, o que tende a prejudicar mercados emergentes como o Brasil. O país, contudo, é exportador líquido da commodity, o que ajuda a atenuar a pressão sobre os ativos domésticos.

“No caso do Brasil, que é um país exportador líquido de petróleo, esses preços mais altos acabam também beneficiando o real, por conta da maior entrada de moeda estrangeira na conta comercial”, afirma.

O risco de interrupção do fluxo de petróleo na região também pressiona a inflação e preocupa bancos centrais, que avaliam os efeitos da guerra sobre a política monetária. Por outro lado, preços mais altos favorecem a receita e a rentabilidade das petroleiras.

O pregão também foi marcado pela disparada das ações da Americanas, que não integra o Ibovespa. Na máxima do dia, os papéis chegaram a subir 25%, a R$ 7,50. Outras varejistas também avançaram, com Magazine Luiza e Lojas Renner em alta de 14,8% e 5,6%, respectivamente.

O setor tende a se beneficiar da queda dos juros futuros, que sinaliza uma perspectiva mais favorável para o custo do crédito. Empresas varejistas costumam ser sensíveis às taxas de juros, tanto pelo impacto sobre o consumo quanto pelo custo de suas dívidas.

Os contratos de DI (Depósitos Interfinanceiros), que refletem as expectativas do mercado para a trajetória da Selic, recuaram em diferentes vencimentos. Nesta terça-feira, a taxa para janeiro de 2028 caiu 14 pontos-base, de 12,889% para 12,750%, enquanto a de janeiro de 2030 recuou 16 pontos-base.

Com informações do Notícias ao Minuto

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais