Uma mãe que teve o filho de apenas 18 meses declarado morto após um afogamento revelou detalhes do momento em que descobriu que a criança ainda estava viva, cerca de cinco horas depois de ter sido levada ao necrotério de um hospital no Arizona, nos Estados Unidos.
O caso aconteceu em 8 de fevereiro deste ano, mas voltou a ganhar repercussão após Alexus Fiordilino conceder uma entrevista à emissora KNXV, afiliada da ABC News, na quarta-feira (21).
O pequeno Vincent foi encontrado inconsciente na piscina da casa da família e levado ao Centro Médico Mercy Gilbert, na cidade de Gilbert.
Segundo a mãe, durante a despedida, ela chegou a acreditar que o filho ainda estava respirando. No entanto, o médico responsável pelo atendimento, Aryan Toosi, teria explicado que os movimentos eram apenas os últimos suspiros da criança e que novas tentativas de reanimação poderiam prolongar seu sofrimento.
“Como mãe, você não quer ouvir isso. Eu não queria que ele sofresse. Parecia que tinham feito tudo o que podiam”, contou Alexus.
O médico declarou a morte de Vincent às 18h20, no horário local, naquele domingo, dia da realização do Super Bowl.
Bebê foi encontrado vivo horas depois no necrotério
Cerca de cinco horas após a declaração de óbito, enquanto Alexus e o marido, Angelo, prestavam depoimento às autoridades, um detetive comunicou uma descoberta inesperada.
Um funcionário do Instituto Médico Legal do Condado de Maricopa, que havia ido ao hospital buscar o corpo da criança, percebeu que Vincent ainda apresentava sinais de vida.
“Meu marido e eu gritamos de alívio. Louvamos ao Senhor. Choramos. Passar de ouvir que ele tinha morrido para descobrir que não tinha é uma sensação inexplicável”, relatou a mãe.
Apesar do alívio, Alexus questiona o fato de o menino ter permanecido durante horas sem receber atendimento médico.
“Ele ficou sozinho durante cinco horas e meia. Como alguém pode fazer isso com um bebê?”, desabafou.
Criança sofreu lesão cerebral grave
Vincent sobreviveu, mas sofreu uma lesão cerebral grave e permanente, segundo informações divulgadas pelos advogados da família.
O menino recebeu alta hospitalar em abril, mas continua apresentando comprometimentos neurológicos significativos.
De acordo com os representantes legais dos pais, a criança não consegue andar sozinha e ainda não recuperou a capacidade de falar.
A família questiona a conduta do médico responsável por declarar o óbito e sustenta que o período em que Vincent permaneceu no necrotério teria contribuído de maneira significativa para o agravamento de suas lesões.
Os advogados argumentam que os danos provocados pela ausência de atendimento durante aquelas horas podem ter sido ainda maiores do que os decorrentes do afogamento.
Os pais pretendem entrar com uma ação judicial contra os responsáveis pelo atendimento médico.
Médico e hospital se pronunciam
Em comunicado enviado à ABC News na quinta-feira (22), um advogado de Aryan Toosi afirmou que o profissional lamenta a situação enfrentada pela criança e seus familiares.
“Os pensamentos do médico estão com o jovem paciente e sua família”, declarou, acrescentando que Toosi deseja que Vincent continue se recuperando.
O representante afirmou ainda que o compromisso do médico com a qualidade do atendimento sempre esteve relacionado à intenção de proporcionar segurança, conforto e recuperação aos pacientes.
“Devido ao processo judicial pendente e às leis de privacidade dos pacientes, não podemos comentar os detalhes do atendimento prestado neste momento”, explicou.
A Dignity Health, responsável pela administração do hospital, também se manifestou.
A instituição classificou o episódio como uma situação comovente, mas afirmou que não poderia divulgar informações sobre o caso por questões de privacidade.
“A segurança dos pacientes e a prestação de cuidados excepcionais são nossas maiores prioridades”, declarou a empresa.
Polícia não encontrou indícios de crime por parte dos profissionais
O Departamento de Polícia de Gilbert informou que a investigação não identificou evidências de conduta criminosa por parte dos profissionais de saúde envolvidos.
Por esse motivo, nenhuma acusação criminal foi apresentada contra os funcionários do hospital.
“Este caso está agora sendo encaminhado à Procuradoria-Geral para análise”, informou um porta-voz da polícia.
Inicialmente, as autoridades também haviam recomendado que os pais fossem acusados de maus-tratos infantis por suposta negligência relacionada ao afogamento.
Entretanto, a Procuradoria do Condado de Maricopa decidiu não apresentar acusações.
Segundo os promotores, a residência possuía diversas fechaduras de segurança para crianças e outras medidas de proteção.
Vários adultos estavam presentes na casa no momento do incidente, e todos acreditavam que outra pessoa estava supervisionando Vincent.
A investigação também não encontrou provas de que os pais apresentassem sinais evidentes de incapacidade para cuidar da criança, embora ambos tenham admitido o consumo de maconha naquela manhã.
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Notícias ao Minuto | 04:30 – 23/10/2026
Com informações do Notícias ao Minuto







