A família de Hadassa, mulher trans agredida na noite de domingo (25), em Rio Branco, contesta informações divulgadas sobre o caso e cobra Justiça. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (27), uma irmã da vítima afirmou que Hadassa quase morreu e que o caso foi noticiado de forma incorreta.
Hadassa foi encontrada por populares com ferimentos graves no rosto, em um beco no interior do Parque do São Francisco, nas proximidades do Horto Florestal, no bairro Raimundo Melo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) enviou uma equipe de suporte básico ao local, e ela foi levada ao Pronto-Socorro de Rio Branco. Os profissionais identificaram fratura na região do maxilar e cortes profundos nos lábios.
Segundo a irmã, Hadassa teve o maxilar, o nariz e os ouvidos quebrados. Ela contou que o rosto da vítima ficou desfigurado e que os pais acompanham a filha no hospital em sofrimento. “A nossa família viveu um pesadelo real”, afirmou.
De acordo com o relato, o episódio ocorreu no dia da eleição, em um clima tenso, com pessoas que prometiam causar tumulto e fizeram ameaças. A familiar declarou que a motivação da agressão não importa e que “nada justifica uma crueldade dessa”, seja briga, desavença no trabalho ou divergência política. Até o momento, não há informações sobre a identidade do agressor nem sobre o que motivou o ataque.
A irmã contestou três pontos da versão divulgada inicialmente. O primeiro é a informação de que a Polícia Militar não havia sido acionada. Segundo ela, a família tem o registro da ligação. O segundo é a afirmação de que a vítima prestou depoimento. A irmã disse que Hadassa não tinha condições de falar e que quem conversou com a imprensa foi uma amiga dela. O terceiro é o tratamento no masculino dado a Hadassa do início ao fim do texto, o que ela considera desrespeito, já que a vítima é uma mulher trans. A familiar também questionou por que os parentes que estavam no local não foram procurados.
No vídeo, a irmã criticou ainda comentários feitos nas redes sociais, que, segundo ela, usam a dor da família para fazer piadas e politicagem. Ela afirmou que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo e que a omissão contribui para esse cenário. Disse também que Hadassa sobreviveu “por um milagre” e que a família não vai se calar. A publicação circula com as hashtags #JustiçaPorHadassa e #ChegaDeOmissão.
Rebeca Martins
Com informações do ac24horas







