SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que fez um acordo com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, para que Washington suspenda, ao final de dezembro, o repasse anual de US$ 4 bilhões (R$ 21,7 bilhões) a Israel.
Em entrevista ao programa “Fox & Friends”, da emissora Fox News, Trump disse que Tel Aviv já não precisa do financiamento e que o Partido Democrata e políticos de esquerda usavam o apoio financeiro da Casa Branca ao país como argumento para criticar o Partido Republicano.
“Agora, quanto aos pagamentos a Israel, Bibi e eu fizemos um acordo. Damos a Israel US$ 4 bilhões por ano e, meses atrás, acertamos que vamos interromper isso”, disse o presidente. “Já concordamos que, até o fim deste ano, deixaremos de pagar Israel. Agora, ajudaremos Israel se precisar.”
Ainda segundo Trump, Israel está satisfeito com o acordo porque “se tornou um país muito bem-sucedido” e “não precisa” da ajuda. “Portanto, é simplesmente um gasto inútil, já que já concordamos que, até o fim deste ano, não pagaremos mais a Israel”, disse o republicano. “Ajudaremos Israel se precisar. Eles têm sido um grande aliado, e nós temos sido o maior de todos os aliados.”
O gabinete do premiê israelense não havia comentado as declarações do republicano até a última atualização deste texto. Segundo a imprensa israelense, autoridades dos ministérios das Finanças e da Defesa, além de representantes das Forças Armadas israelenses disseram ter sido surpreendidas pelo anúncio de Trump.
O líder da oposição em Israel, Gadi Eisenkot, que trabalha para formar um novo governo após as eleições, disse que o anúncio de Trump mostra que Netanyahu não é mais apto a liderar o país. “O fato de o aparato de defesa, assim como os cidadãos israelenses, estar tomando conhecimento pela imprensa de uma mudança na relação estratégica mostra o quanto a conduta de Netanyahu representa um perigo real”, disse em comunicado. “Ele não é mais digno de confiança e precisa ser substituído.”
Não ficou claro de imediato a qual financiamento específico Trump se referia. Um memorando de entendimento que prevê US$ 3,8 bilhões (R$ 20,44 bilhões) anuais em ajuda militar dos EUA a Israel vai expirar apenas em 2028, e já há conversas em andamento sobre como a assistência de Washington ao país evoluirá após essa data.
Israel foi a nação que mais recebeu assistência externa americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, contemplada com aproximadamente US$ 308 bilhões (R$ 1,6 trilhão). O país também é um dos maiores compradores de armamentos dos EUA, importando cerca de 69% de todo o equipamento bélico que compram.
Netanyahu disse, em entrevista à CBS em maio, que esperava tornar Tel Aviv independente do apoio militar da Casa Branca no prazo de uma década. Em uma carta enviada em junho a um congressista americano, escreveu que havia chegado a hora de “deixar de ser beneficiário de ajuda e passar a ser parceiro”.
O apoio da opinião pública americana a Israel caiu desde o início da guerra no Oriente Médio, com ataques incessantes na Faixa de Gaza desde 2023, sobretudo entre os democratas.
Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac feita em junho constatou que 48% dos eleitores e 66% dos democratas dizem acreditar que os EUA apoiam Israel em excesso, ante 16% e 20%, respectivamente, quando a pergunta foi feita pela primeira vez, em 2017.
Com informações do Notícias ao Minuto







