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Dólar vai a R$ 5,511, maior valor do ano, após dados de emprego nos EUA, enquanto Bolsa avança

Dólar recua e Bolsa sobe com decisão de juros do Copom e exterior no radar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou esta sexta-feira (6) em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,511, no maior valor deste ano. Os investidores repercutiram os novos dados de emprego nos Estados Unidos, que vieram acima do esperado.

A taxa de desemprego caiu para 4,1%, enquanto os empregadores criaram 165 mil vagas, mais do que o dobro do previsto pelos economistas.

Com a divulgação dos dados, o mercado ampliou as apostas de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) fará um segundo aumento da taxa de uros. O FedWatch, ferramenta do CME Group, mostra que 77,1% dos investidores apostam em uma elevação dos juros para a faixa entre 4% e 4,25%, enquanto 22,9% esperam a manutenção da taxa no patamar atual.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fehcou o dia em alta de 1,33%, aos 168.404 pontos. No cenário doméstico, os investidores seguem atentos a possíveis sinalizações sobre os rumos da política econômica do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, o mercado seguiu em compasso de espera após uma das piores semanas da história recente para os ativos brasileiros. Na volta do feriado de Finados, a falta de clareza sobre a condução das contas públicas a partir de 2027 e sobre a composição da equipe econômica continuou pesando sobre os ativos.

A partir de quarta-feira (3), porém, o cenário ganhou novos elementos. O resultado das eleições de meio de mandato nos EUA derrubou o petróleo, o Copom interrompeu o ciclo de cortes da Selic e a expectativa por sinalizações mais claras sobre o fiscal trouxe algum alívio, afirma a analista.

No exterior, os dados do mercado de trabalho americano também influenciaram as expectativas sobre os próximos passos do Fed. André Valério, economista sênior do Inter, afirma que os números do payroll vieram bem acima do esperado.

“De modo geral, o mercado de trabalho americano segue bastante robusto. Após um período de desaceleração no segundo semestre de 2025, que motivou os cortes de juros entre setembro e dezembro do ano passado, o mercado de trabalho reacelerou, com destaque para as atividades cíclicas, que têm crescido acima da média”, diz.

Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, em Nova York, também destaca a composição dos números. Das 165 mil vagas criadas, 159 mil vieram do setor privado, o que indica que a geração de empregos não está sendo sustentada pelo governo.

Os salários tiveram alta de 0,4% na comparação mensal e de 3,1% em 12 meses, acima do consenso de 2,9%.

“O dado não aponta nem desaceleração, nem recessão. Confirma o que temos dito na Stratton: a economia americana está acelerando”, afirma.

Segundo Flores, até aqui, a alta da inflação americana veio principalmente do conflito com o Irã e de seus efeitos sobre a oferta de petróleo. Com a economia em aceleração e os salários estáveis, no entanto, o mercado passa a considerar também o risco de inflação de demanda, impulsionada pelo consumo das famílias.

O dado de emprego, diz o gestor, reforça a expectativa de mais uma alta de juros pelo Fed em dezembro.

Para Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, a alta dos ativos brasileiros também reflete uma recuperação técnica após um dia de estresse global relacionado às empresas de tecnologia e à inteligência artificial.

Segundo ele, no mercado brasileiro, o próprio índice chegou ao patamar de mínima de 2026 e interrompeu a queda até então, mostrando que os investidores encontraram um preço onde se sentem mais confortáveis com a exposição ao risco diante das informações que temos disponíveis hoje.

O especialista também diz que como o mercado está em temporada de resultados, bons ativos continuam mostrando que são capazes de atravessar ciclos econômicos mais difíceis.

Bruna Sene acrscenta que, nos Estados Unidos, a vitória dos democratas nas eleições legislativas teve inicialmente uma leitura positiva para os mercados. Com o governo americano politicamente mais limitado, cresceram as apostas de um fim mais rápido do conflito com o Irã. O Brent caiu 8% na quarta-feira, voltou a ficar abaixo dos US$ 100 e caminhava para uma perda superior a 10% na semana.

No dia seguinte, porém, o resultado passou a ser interpretado de outra forma. Os investidores começaram a temer regras mais duras para empresas de inteligência artificial e para a construção de data centers. Na quinta-feira, o Nasdaq caiu 5,5%, na maior queda desde o tarifaço de abril de 2025. A Nvidia recuou mais de 8%.

Nesta sexta-feira, as bolsas americanas fecharam o dia sem direção única. O S&P 500 subiu 0,57%, enquanto o Dow Jones recuou 0,46% e o Nasdaq avançou 1,13%.

O petróleo também passou o dia no radar dos investidores. Por volta das 18h03, o barril do Brent, referência mundial da commodity, tinha queda de 0,31%, cotado a US$ 98.

Com informações do Notícias ao Minuto

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