O Rio Acre apresenta a terceira pior cota para esta época do ano nos últimos 11 anos, segundo a Defesa Civil de Rio Branco. O cenário preocupa as autoridades diante da possibilidade de prolongamento da estiagem até dezembro, mesmo com as chuvas registradas nas últimas semanas.
Após o manancial atingir 1,99 metro no dia 31 de outubro, o ContilNet conversou com o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, que explicou os motivos da permanência dos níveis baixos e alertou para os riscos de agravamento da seca.
“Nós estamos com 1,74m agora. Então, 1,58m foi a menor marca desse ano, a gente não baixou disso. Em outros anos, a gente chegou em níveis mais baixos. Mas o fato é que, nesse momento, nós estamos com a terceira pior cota dos últimos 11 anos. Ou seja, 7 desses 11 anos o rio estava com bem mais água do que está agora”, disse.
Segundo Falcão, o mês de novembro deveria apresentar um volume de água mais elevado, considerando o início do período chuvoso na região. No entanto, as precipitações registradas até o momento têm ocorrido de maneira irregular, o que dificulta a recuperação do nível do rio.
“Realmente tem chovido. Só que não são chuvas regulares. E quando essa chuva acontece, o solo está tão saturado, que essa água não escoa, ela não chega dentro do rio, não chega nos igarapés, nas represas, nos poços. E com isso faz com que o nível não melhore. Então, a gente só consegue melhorar nível quando temos chuvas regulares”, destacou.
O coordenador destacou que a recuperação do manancial depende da continuidade das precipitações e alertou para a possibilidade de a estiagem se prolongar até dezembro, em razão das condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño.
“Mesmo com chuvas, essas chuvas são irregulares. E agora que já era para ter tido chuvas regulares, a gente não tem ainda. Isso é o fenômeno El Niño, que promete que essa estiagem vai até o final do ano, ou seja, todo mês de novembro e ainda o mês de dezembro. Estamos tendo ondas de calor e uma série de previsões que estão se concretizando”, completou.
Coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão/Foto: Gustavo Monteiro
Outro ponto destacado pelo coronel é a proximidade do nível atual do Rio Acre com a menor marca histórica registrada em 2024. Durante a entrevista, quando o manancial apresentava 1,74 metro, Falcão explicou que a diferença em relação ao recorde era de apenas 51 centímetros.
“Estamos a 51 centímetros daquela marca histórica. Para que a situação fique ruim, não precisa nem chegar lá. Se o rio ficar abaixo de 1,5 metro, já teremos uma situação bem pior do que a atual. Considerando que as oscilações podem variar de 50 centímetros a um metro, ou até mais, é possível que, sem chuvas, a gente se aproxime novamente da marca de 2024”, alertou.
Crise hídrica de 2024
Em 2024, o Rio Acre enfrentou uma das mais severas estiagens de sua história, atingindo a marca recorde de 1,23 metro. O nível extremamente baixo comprometeu as condições do manancial e intensificou a preocupação com o abastecimento de água e os impactos da seca sobre a população.
A possibilidade de o rio voltar a se aproximar desse patamar preocupa as autoridades, especialmente diante da irregularidade das chuvas e das previsões de continuidade das condições de estiagem até o encerramento do ano.
Medições do Rio Acre
Em julho de 2026, o ContilNet já havia entrevistado o tenente-coronel Cláudio Falcão sobre os riscos da estiagem e a possibilidade de o Rio Acre voltar a atingir níveis semelhantes aos registrados durante a crise hídrica de 2024. Na ocasião, o manancial apresentava 2,46 metros, ficando 96 centímetros acima da cota considerada crítica, estabelecida em 1,5 metro.
Diante da possibilidade de uma estiagem severa, o Governo do Acre instituiu o Gabinete de Crise Hídrica do Estado, responsável por coordenar as ações de enfrentamento aos impactos da seca.
Entre as atribuições do grupo estão o monitoramento dos recursos hídricos, a articulação entre órgãos públicos, a coordenação de medidas emergenciais e a elaboração de estratégias para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a população acreana.
Gabinete reúne órgãos estaduais do Acre/Foto: Juan Diaz/ContilNet
O gabinete foi criado para permitir uma atuação integrada do poder público diante das situações de escassez de água provocadas pelos fenômenos climáticos que atingem o estado.
Cerca de três meses após a entrevista, o Rio Acre voltou a apresentar uma redução significativa no nível das águas, justamente em um período em que o manancial deveria registrar elevação em razão da chegada das chuvas.
No dia 31 de outubro, o rio atingiu 1,99 metro. Já nesta sexta-feira (6), durante a primeira semana de novembro, uma nova medição apontou 1,75 metro, representando uma redução de 24 centímetros em apenas seis dias.
Notificações de seca
Cinco municípios do Acre aparecem com alerta de seca nesta sexta-feira (6), segundo dados consultados na plataforma Alerta Secas, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
As localidades identificadas são Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter, todas situadas no interior do estado.
O monitoramento acompanha as condições de seca em diferentes regiões do país, permitindo identificar áreas afetadas pela escassez de chuvas e observar a evolução do fenômeno.
Desenvolvida pelo Cemaden, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a plataforma Alerta Secas reúne informações sobre a ocorrência, a intensidade e os riscos associados à seca nos municípios brasileiros. A ferramenta também permite consultar dados históricos e acompanhar mudanças nas condições climáticas ao longo dos meses.
Dados da plataforma auxiliam no acompanhamento das áreas afetadas/Foto: reprodução
O levantamento ocorre após o governo federal reconhecer, em agosto deste ano, a situação de emergência provocada pela seca nos 22 municípios acreanos.
Os dados da plataforma auxiliam no acompanhamento das áreas afetadas e podem contribuir para o planejamento de medidas destinadas a reduzir os impactos da seca sobre a população.
Fonte: Contilnet







