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Acreano de 58 anos sobrevive após 9 dias perdido na floresta boliviana

Zamir Ferreira e o grupo de voluntários brasileiros - Foto: Cedida

Fernando Oliveira

Após nove dias desaparecido, o acreano Sebastião Nascimento Leal, de 58 anos, natural de Brasiléia, foi encontrado vivo na manhã deste domingo (8), nas proximidades da fazenda San Lucas, na comunidade de Nueva Unión, município de Filadelfia, no departamento de Pando, na Bolívia, onde trabalhava.

A operação de busca contou com a participação dos Bombeiros de Pando, de uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Acre, que chegou à região com um rastreador especializado, além de voluntários brasileiros e bolivianos que se mobilizaram para localizar o desaparecido.

Sebastião estava desaparecido desde sábado, 31 de outubro. Ele foi localizado por volta das 9h15, durante o quarto dia de operações de rastreamento na região.

De acordo com o relatório policial, divulgado pelo canal 15 boliviano SPC, o brasileiro foi encontrado no quadrante oeste da área de buscas, desorientado e com sinais evidentes de desgaste físico, após passar vários dias na mata. No momento do resgate, ele estava descalço e carregava uma espingarda e uma faca.

Após ser localizado, a equipe BERSA FÉNIX prestou os primeiros socorros e ofereceu água e alimentos. Em seguida, Sebastião foi evacuado e encaminhado ao centro de saúde de Filadelfia, onde recebeu atendimento médico. A avaliação preliminar apontou um quadro de desnutrição e desidratação, motivo pelo qual ele permaneceu sob observação médica.

A região onde Sebastião foi encontrado fica a aproximadamente 70 quilômetros de Brasiléia, onde mora com a família.

Sebastião já está a caminho de Brasiléia para reencontrar a família

Após o resgate, Sebastião Leal já está sendo levado para Brasiléia, onde deverá reencontrar os familiares. A notícia foi comemorada pelo taxista Zamir Ferreira, que liderou o grupo de voluntários brasileiros durante as buscas.

Em uma mesnsagem enviada ao jornalista Fernando Oliveira demonstrou a emoção e o alívio com o desfecho da operação.

“Encontramos o homem, o homem está aqui. Já estamos indo para Brasiléia com ele. Estamos aqui em Cobija já, tá bom? Deu certo aqui, graças a Deus. O bombeiro brasileiro esteve também no local, nos dando apoio e, graças a Deus, conseguimos encontrar”, relatou.

Zamir explicou que Sebastião conseguiu sair da mata e chegar a um ramal, onde foi encontrado e posteriormente conduzido pelos bombeiros bolivianos para atendimento médico.

“Ele saiu para o ramal e o bombeiro boliviano levou ele para o hospital. Mas ele estava ciente do que estava acontecendo e só está um pouco desidratado”, acrescentou.

Taxista destaca dedicação dos voluntários brasileiros e bolivianos

Durante entrevista ao repórter Fernando Oliveira, Zamir Ferreira relatou o esforço conjunto de brasileiros e bolivianos para encontrar Sebastião.

Segundo Zamir, 11 brasileiros e 10 bolivianos participaram diretamente das operações, enfrentando as dificuldades impostas pela mata fechada e pelas características da região.

“São 11 brasileiros com 10 bolivianos que estão lá nessa comunidade Nueva Unión. Os caras são muito esforçados, demais. Essa primeira turma de bolivianos, que são 10, não media esforços para estar lá dentro. Eles trabalhavam em um esquema de 24 por 48 horas e chegavam a passar três dias na mata, levando alimentação para continuar ajudando nas buscas”, relatou.

Zamir explicou que os voluntários chegaram a montar acampamentos na região para facilitar o trabalho de rastreamento e ampliar as possibilidades de encontrar o brasileiro.

“Eles passavam até três dias na mata, levando as coisas para comer por lá, tudo para ajudar e ver se a gente conseguia encontrar nosso primo. Foi um esforço muito grande de todos. Mas, em nome de Jesus Cristo, a gente manteve a esperança de encontrar ele”, afirmou.

O taxista também comemorou o resultado da mobilização, destacando que o empenho das equipes foi fundamental para o desfecho positivo.

Mata fechada dificultou o trabalho

Durante a entrevista, Zamir também destacou que a vegetação densa e a existência de diversos caminhos improvisados na mata dificultaram o avanço das equipes.

“Lá a mata é muito densa, muito fechada, tem varadores para todo canto. Eu acredito que ele tenha se perdido em um desses caminhos. É como se a gente entrasse em uma cidade grande que não conhece, sem saber para onde ir”, explicou.

De acordo com Zamir, havia também a expectativa de reforço nas buscas com o uso de um drone pelos bombeiros bolivianos, para sobrevoar áreas abertas e campos próximos à região onde Sebastião foi localizado.

O resgate representa um momento de alívio para familiares, amigos e voluntários que acompanharam a operação durante vários dias. A mobilização reuniu brasileiros e bolivianos, que enfrentaram as dificuldades da localidade e mantiveram a esperança de encontrar o acreano com vida.

Após dias de angústia, o reencontro de Sebastião com a família em Brasiléia marca o desfecho positivo de uma operação que contou com a dedicação e solidariedade de dezenas de pessoas dos dois países.

 

Da redação ac24horas

Com informações do ac24horas

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