A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o casal Rubem Abdalla e Eloisa da Costa por suposta participação nos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro. Ambos são acusados de fazer arrecadações de cerca de R$ 1 milhão para os acampamentos golpistas que se instalaram em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília.
Ambos são acusados de associação criminosa e incitação ao crime.
Rubem foi inicialmente identificado durante investigações como sendo proprietário e responsável pela tenda de alimentação em frente ao QG conhecida como “Barraca do Abdala”.
Segundo a PGR, Rubem e Eloisa administravam a barraca juntos, e na frente do estabelecimento havia a exibição de faixas e cartazes solicitando doação de dinheiro para a compra de alimentos para os manifestantes que frequentavam o Quartel General.
Depois do afastamento de sigilo bancário de Rubem, identificou-se “uma série de transações financeiras suspeitas na conta de Rubem, protagonizadas por Eloisa Costa Leita”.
Na denúncia, a PGR descreve a dinâmica do casal, que consistia na arrecadação de recursos por meio de uma chave Pix em nome de Eloisa. Os montantes eram posteriormente enviados para Rubem.
“Parte da quantia angariada foi destinada para incitar a prática de atos antidemocráticos mediante o fornecimento de alimentos aos frequentadores do QGEx [ Quartel-General do Exército]”, afirma a Procuradoria.
A investigação ainda mostra que tais transações suspeitas identificadas também chamam atenção pelo seu volume. Segundo a denúncia, entre novembro de 2022 e janeiro de 2021, Eloisa “apresentou movimentação de valores incompatíveis com sua profissão e capacidade financeira”.
Na época, ela trabalhava em uma empresa chamada “Paraíso dos Pães”, ganhando cerca de R$ 1.212 mensais. No entanto, teria movimentado naqueles meses algo em torno de R$ 1 milhão em crédito e outros R$ 738 mil em débito.
Eloisa ainda teria recebido valores de outras pessoas vinculadas aos atos de 8 de Janeiro, identificados pela Polícia Federal (PF) como possíveis financiadores de acampamentos e transportes para as manifestações.
“As operações bancárias realizadas por Ruben Abdalla e Eloisa da Costa Leite se deram aproximadamente dois meses antes do dia 8.1.2023, o que reforça a compreensão de que sejam valores arrecadados para custear a alimentação e estrutura do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, com a prestação de suporte material e moral para a ocorrência dos atos violentos de 8.1.2023”, disse a PGR.
A denúncia é assinada pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 9 de julho deste ano. Agora, o STF deve julgar se aceita ou não a acusação contra o casal, podendo torná-los réus.
Fonte: Metrópoles








