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“A Amazônia me chamou. Eu apenas ouvi”, médica Célia Rocha lança biografia

“A Amazônia me chamou. Eu apenas ouvi”, médica Célia Rocha lança biografia

Marcada por um histórico de dedicação à medicina, superação de tragédias pessoais e pelo profundo vínculo construído com a população amazônica, a médica Célia Rocha lançou, na noite desta sexta-feira (24), a biografia autorizada Célia Rocha, A Menina que Curava o Tempo. O evento ocorreu no Memorial dos Autonomistas, em Rio Branco, e reuniu familiares, amigos, pacientes, profissionais da saúde e figuras da cultura acreana.

Publicada pela Editora Social, a obra foi escrita pelo jornalista Peter Lucena a partir dos relatos de Célia. Ao relembrar a origem do projeto, a médica contou que a iniciativa partiu do próprio jornalista ao resgatar a história do acidente aéreo ao qual ela sobreviveu.

“A ideia dessa biografia, porque na verdade é uma biografia autorizada, não foi nem minha. O Peter Lucena me ligou uma época e disse: ‘Doutora Célia, estou lançando um livro cujo título é O Voo da Morte, a história que abalou o Acre, e queria saber se a senhora permite que eu publique, porque a senhora é um capítulo do livro’. Depois ele ficou me ligando: ‘Doutora Célia, vamos escrever a sua biografia, porque é a sua história. Que eu saiba, não tem ninguém no mundo que tem uma história dessa’”, recordou Célia.

A ligação com o Acre começou de forma audaciosa. Recém-formada e com pós-graduação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a paraibana percorreu 4.995 quilômetros ao volante de um Fusca pela Rodovia Transamazônica. A citação estampada na capa da obra resume essa escolha:

Médica relata 40 cirurgias e superação de câncer em biografia/ Foto: Juan Diaz/ ContilNet

“Há caminhos que a gente escolhe e outros que a vida chama. A Amazônia me chamou. Eu apenas ouvi.”

Um dos trechos mais impactantes da publicação detalha as severas sequelas provocadas pela queda da aeronave. Célia permaneceu internada por três meses e 20 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, onde passou por mais de quatro dezenas de procedimentos operatórios.

“Hoje, na verdade, eu era para ser tetraplégica, cega e sem pé. Eu fui literalmente triturada, digo que me colocaram num grande liquidificador industrial e ligaram em alta rotação, porque fui toda quebrada. Sou toda reconstituída de placa de titânio e parafuso: rosto, coluna, joelho, onde você puder imaginar. Fraturei todos os arcos costais, perfurei os pulmões, o meu baço estourou e perdi muito sangue. Até tuberculose pleural, paralisia facial durante seis meses, fecaloma, hepatite medicamentosa e gastrite corrosiva eu tive”, detalhou a médica.

Após o acidente, o processo de reabilitação exigiu um ano e meio de isolamento para que ela pudesse voltar a andar. Tempos depois de retornar às suas funções como subsecretária de Estado de Saúde no Acre, Célia enfrentou mais um desafio ao diagnosticar a si mesma com câncer de mama.

“Belíssimo dia, estou eu tomando banho no meu banheiro e senti algo na mama direita. Liguei para a clínica em São Paulo e disse: ‘Estou chegando aí, estou com câncer de mama’. Cheguei lá, fizeram biópsia e deu adenocarcinoma invasivo de mama. Aí foi mais uma cirurgia, 30 radioterapias e 8 ciclos de quimioterapia. Em resumo: estou aqui, viva, e só sou gratidão a Deus”, afirmou.

Durante a cerimônia de lançamento, ao olhar para a trajetória percorrida desde a juventude no Nordeste até a consolidação de sua carreira no Norte, a médica resumiu o afeto que nutre pelo estado que adotou como lar.

“Agora eu já sou ‘acrebana’, né? É a mistura de Acre com Paraíba. Cheguei aqui dirigindo um Fusca, com meu violão, meu estetoscópio e terminei ficando. Adoro esse povo daqui, tenho um carinho profundo pelo cidadão acreano”, concluiu.

Fonte: ContilNet

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