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Abstenção do eleitorado pode ser decisiva na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Abstenção do eleitorado pode ser decisiva na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Campanhas intensificam apelos finais para garantir presença do eleitorado nas seções/Foto: Reprodução

Em um cenário de disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), a taxa de abstenção do eleitorado no próximo domingo ganha peso estratégico para o desfecho das eleições presidenciais. Como a legislação brasileira considera apenas os votos válidos — descartando brancos, nulos e ausências —, a presença física do cidadão na cabine de votação altera diretamente o tamanho do universo necessário para que um candidato vença o pleito.

A expectativa de cientistas políticos é que o índice de faltantes se mantenha no patamar histórico registrado nas últimas disputas federais, oscilando próximo dos 20%. Nas eleições de 2018, o primeiro turno registrou 20,3% de ausências (29,9 milhões de pessoas), subindo para 21,3% na segunda etapa (31,3 milhões). Já em 2022, o não comparecimento atingiu 20,9% dos eleitores no primeiro turno (32,7 milhões) e 20,5% no segundo turno (32,2 milhões).

O impacto da abstenção sobre as candidaturas ocorre porque a ausência do eleitorado não se distribui de forma uniforme entre as diferentes camadas sociais e regiões do país.

“Se a ausência fosse distribuída de maneira uniforme entre todos os segmentos do eleitorado, seu efeito sobre o resultado seria igual para todos os candidatos. A questão é que a abstenção geralmente não é uniforme: determinados grupos sociais e regiões apresentam taxas diferentes de comparecimento”, analisa o cientista político Leandro Gabiati.

Diante desse fator, a estratégia das equipes de campanha nesta reta final de mobilização volta-se tanto para a conquista de indecisos quanto para o engajamento dos próprios apoiadores, de modo a garantir que compareçam às seções eleitorais.

Analistas apontam que o comportamento do eleitor brasileiro em relação às urnas é influenciado por fatores estruturais, operacionais e de renda. Embora o voto seja obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos, a sanção financeira aplicada a quem falta e não justifica — fixada em R$ 3,51 — é considerada simbólica.

Além disso, a consolidação de ferramentas digitais pela Justiça Eleitoral, como o aplicativo e-Título, facilitou a justificativa da ausência por geolocalização no próprio dia do pleito, reduzindo o custo operacional de quem opta por não votar.

Outros dois componentes explicam o volume de não comparecimento:

  • Envelhecimento populacional: eleitores com mais de 70 anos possuem direito ao voto facultativo e registram queda progressiva na presença física às urnas;

  • Barreira socioeconômica: no primeiro turno de 2022, mais de 55% dos abstencionistas tinham nível de instrução até o ensino fundamental completo, segmento de menor renda que enfrenta maior dificuldade com custos de deslocamento e transporte no dia da votação.

Professores de ciência política apontam que o quadro de hiperpolarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo, somado à desilusão de uma parcela do eleitorado que não se identifica com os nomes na disputa, reforça a relevância da conscientização promovida pelas campanhas nos dias que antecedem a votação.

A legislação eleitoral estabelece distinções claras entre os conceitos de abstenção e voto nulo:

  • Abstenção: refere-se à ausência física do eleitor na seção eleitoral. O cidadão apto a votar deixa de comparecer e não assina a lista de presença.

  • Voto nulo: ocorre quando o eleitor comparece à urna eletrônica e digita uma sequência de números inválida (como “00”), confirmando a operação para anular a escolha.

Ambas as modalidades são desconsideradas no cálculo final dos votos válidos que definem o vencedor da eleição, mas apenas o voto nulo exige o deslocamento do cidadão até o local de votação.

Redação ContilNet

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