A economia do Acre deve registrar uma expansão de 2,82% no Produto Interno Bruto (PIB) ao longo do ano de 2026. O índice posiciona o estado na sexta colocação entre as 27 unidades da federação com maior ritmo de aceleração econômica no país, superando mercados tradicionais das regiões Sul e Sudeste.
Os dados constam em um estudo macroeconômico inédito divulgado pelos economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, do Departamento Econômico do Santander. O levantamento consolida o histórico do PIB regionalizado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até o ano de 2023 e estabelece modelos de projeções para o quadriênio entre 2024 e 2027.
Embora o relatório aponte para uma desaceleração disseminada na atividade econômica brasileira em comparação com o forte desempenho observado em 2025, o cenário de 2026 projeta crescimento para todos os estados. O grande destaque do mapa estatístico é a predominância da região Norte nos postos de liderança do desenvolvimento nacional.
Norte assume a liderança do crescimento do país
O avanço projetado para o Acre insere-se em um movimento de forte tração dos estados do Norte e do Centro-Oeste. O ranking nacional de estimativas para 2026 é liderado pelo Tocantins, com alta prevista de 3,85%, seguido de perto por Roraima, com 3,62%, e pelo Amazonas, que fecha o pódio com 3,04%. O Amapá aparece na quarta posição, com 2,96%, seguido pelo Mato Grosso (2,92%) e pelo Acre (2,82%). Logo atrás figuram Pará (2,76%) e Rondônia (2,70%).
De acordo com a análise técnica do Santander, a ascensão do bloco setentrional do país decorre, paradoxalmente, de sua menor participação proporcional no PIB brasileiro agregado. Estados com menor densidade industrial e de serviços de grande escala reagem de forma mais dinâmica a investimentos pontuais e ciclos produtivos locais.
“A região Norte, por ter a menor participação no PIB nacional entre as regiões do país, costuma apresentar taxas de crescimento mais elevadas ao longo dos anos. Esse movimento foi observado em 2021, teve breve interrupção nos dois anos seguintes e deve voltar a colocar a região em posição de liderança a partir de 2024”, explicou o economista Gabriel Couto.
O analista detalha que, enquanto Tocantins e Roraima colhem os frutos da expansão da fronteira agrícola interna, o Amazonas se beneficia da resiliência do consumo doméstico para dar sustentação à sua indústria de transformação e ao comércio de serviços.
Centro-Oeste perde fôlego após safras recordes
O protagonismo do Norte em 2026 decorre também da perda de fôlego do Centro-Oeste. No ano de 2025, estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul lideravam o crescimento do país com marcas expressivas de 8,3% e 7%, respectivamente, impulsionados por recordes sucessivos na colheita de grãos.
Para 2026, embora os volumes da produção agropecuária permaneçam robustos, a taxa percentual de crescimento despenca em razão da base de comparação extremamente elevada do ano anterior. O fenômeno provoca uma acomodação nos indicadores do Centro-Oeste, cujas taxas passam a orbitar perto da média nacional.
Acomodação e menor desigualdade regional
O estudo do Santander identificou um estreitamento na distância econômica entre os estados da federação. Em 2025, o abismo entre as economias em forte expansão e os estados estagnados era profundo. Em 2026, a distribuição dos índices mostra-se mais concentrada: o teto de crescimento é de 3,85% (Tocantins), enquanto apenas três estados do Sul e Sudeste aparecem no patamar inferior próximo a 1%.
Nas regiões mais industrializadas, o comportamento é modesto. São Paulo (1,80%), Minas Gerais (1,79%) e Espírito Santo (2,10%) registram desempenho mediano, pressionados pelas condições ainda restritivas do ciclo de política monetária e juros elevados, que afetam diretamente os setores de serviços corporativos e manufatura. O Rio de Janeiro amarga a última posição nacional, com projeção de apenas 1,09% de avanço.
O Ranking Completo do PIB dos Estados para 2026
O quadro geral detalha a estimativa percentual de evolução econômica de cada estado, evidenciando o Acre e os vizinhos amazônicos no topo da tabela.
| Posição | Estado / Unidade da Federação | Projeção de Crescimento (%) |
| 1º | Tocantins | 3,85% |
| 2º | Roraima | 3,62% |
| 3º | Amazonas | 3,04% |
| 4º | Amapá | 2,96% |
| 5º | Mato Grosso | 2,92% |
| 6º | Acre | 2,82% |
| 7º | Pará | 2,76% |
| 8º | Rondônia | 2,70% |
| 9º | Distrito Federal | 2,35% |
| 10º | Paraíba | 2,33% |
| 11º | Santa Catarina | 2,24% |
| 12º | Maranhão | 2,16% |
| 13º | Goiás | 2,15% |
| 14º | Espírito Santo | 2,10% |
| 15º | São Paulo | 1,80% |
| 16º | Minas Gerais | 1,79% |
| 17º | Piauí | 1,76% |
| 18º | Alagoas | 1,70% |
| 19º | Ceará | 1,65% |
| 20º | Pernambuco | 1,56% |
| 21º | Sergipe | 1,55% |
| 22º | Rio Grande do Norte | 1,39% |
| 23º | Bahia | 1,34% |
| 24º | Mato Grosso do Sul | 1,26% |
| 25º | Paraná | 1,13% |
| 26º | Rio Grande do Sul | 1,12% |
| 27º | Rio de Janeiro | 1,09% |
Fatores de risco e tendência de queda para 2027
Os modelos de projeção do Santander estendidos para o ano de 2027 reforçam a tendência de desaceleração estrutural na economia brasileira. No horizonte do próximo ano, nenhum estado da federação deverá ultrapassar a marca de 3,1% de crescimento, concentrando-se a maioria absoluta em uma faixa estreita entre 1% e 2%. O Acre e os demais estados da Amazônia Legal deverão manter-se na linha de frente dos resultados, mas com taxas mais tímidas.
Os economistas alertam que o cumprimento dessas metas está condicionado a variáveis nacionais, como o comportamento do mercado de trabalho e as decisões de política monetária do Banco Central. Contudo, o principal fator de risco mapeado para o Norte e Centro-Oeste reside nas oscilações climáticas, especialmente diante da possibilidade de consolidação de um fenômeno El Niño de forte intensidade entre o final deste ano e os primeiros meses de 2027, o que poderia comprometer o rendimento da agropecuária e das hidrelétricas.
Fonte: ContilNet







