Durante entrevista concedida ao ac24horas na primeira noite da Expoacre 2026, neste sábado (1º), o senador e candidato ao Governo do Acre, Alan Rick (Republicanos), afirmou que decidiu disputar o comando do Estado diante dos desafios econômicos, sociais e de infraestrutura que, segundo ele, precisam ser enfrentados pela próxima gestão.
Questionado sobre o que o motiva a entrar na disputa mesmo diante de um cenário considerado difícil, com problemas orçamentários e estruturais, Alan Rick afirmou que o apoio recebido durante a caminhada política reforça sua decisão de concorrer ao governo.
Segundo o candidato, o contato com a população durante a Expoacre mostrou, na avaliação dele, um chamado para assumir a disputa. “É exatamente o que nós vivemos ao longo dessa jornada e que vivemos essa noite aqui. Até chegar aqui, chegamos com bastante antecedência no parque. Fui dar uma voltinha com o meu filho, com a minha esposa e os amigos que estão com a gente. E quase que eu não chego aqui pelo carinho das pessoas, pelo abraço do povo”, afirmou.
Alan Rick afirmou que não teria colocado seu nome à disposição caso não acreditasse na possibilidade de enfrentar os desafios do Estado. Ele citou problemas nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e orçamento. “Eu não me arvoraria jamais a ser candidato ao governo do meu estado sabendo do quadro que você colocou, que é um quadro de dificuldade. O estado enfrenta sérios problemas de orçamento, de investimento, de capacidade de organização, de planejamento”, destacou.
Na educação, o senador afirmou que o Acre precisa avançar na estrutura das escolas e defendeu mais investimentos para melhorar as condições de ensino. “Nós temos aí uma saúde que enfrenta muitas dificuldades, a educação num patamar muito ruim em relação aos demais estados, não por culpa dos nossos professores, não por culpa do servidor da educação, mas pela falta de investimento do próprio governo do estado na melhoria da qualidade de ensino, em levar internet para as escolas, em levar água potável para as escolas, em dar melhores condições de trabalho aos nossos professores”, ressaltou.
O candidato também criticou o volume de obras e projetos ainda pendentes de conclusão e citou valores de restos a pagar.”Nós temos graves problemas de infraestrutura que não foram vencidos. Você tem restos a pagar na casa de mais de um bilhão e meio de reais de projetos que já deveriam ter sido concluídos, obras que já deveriam ter sido concluídas”, pontuou.
Para o candidato, o Estado precisa criar condições para atrair investimentos privados. Ele citou como exemplo uma visita feita a uma fábrica de açaí em Feijó, que recebeu investimentos de empresários de fora do Acre. “Eles viram que o potencial do açaí de Feijó é gigantesco. A qualidade é extraordinária. É um produto que tem mercado no Brasil inteiro e no mundo. E eles resolveram investir”, destacou.
Segundo Alan Rick, os empreendedores precisam de infraestrutura básica para ampliar seus negócios. “O empreendedor precisa do básico. Ele quer a infraestrutura e as condições para que ele possa vender seu produto, para que ele tenha a capacidade de trabalhar com aquilo que se exige de qualquer estado que se prepare para atrair investimento”, observou.
Ao falar sobre o agronegócio e a agricultura familiar, Alan Rick afirmou que o setor precisa ser fortalecido para reduzir a dependência econômica do funcionalismo público e ampliar a geração de renda no campo. “Nós precisamos que essa força da nossa economia, que é a agricultura, a pecuária, ela tenha a capacidade de manter o homem no campo, garantindo sustento para a sua família, com qualidade de vida”, ressaltou.
O candidato defendeu a regularização fundiária e ambiental como uma das prioridades para permitir que produtores tenham acesso a crédito e investimentos. “52 mil propriedades, Jô, estão com problemas no CAR, no seu programa de regularização ambiental, no PRA, tem problemas de regularização fundiária. Esses problemas ambientais geram problemas de regularização e, com isso, não acessam crédito, não têm condições de fazer investimentos”, destacou.
Alan Rick também defendeu a criação de um mutirão envolvendo órgãos estaduais e federais para solucionar as pendências. “O estado tem que fazer um grande mutirão. Colocar todo mundo na mesma mesa e está aqui o problema. Vamos encontrar a solução? Vamos fazer. Tem que ter decisão. Tem que ter o pulso firme de tomar a decisão e fazer”, pontuou.
Na área da produção rural, o candidato afirmou que o Estado precisa garantir o escoamento e a compra dos produtos dos agricultores locais. “É inadmissível você estar dentro de uma associação de produtores e ouvir do produtor que ele teve que jogar fora parte da sua produção porque o estado não comprou o produto dele e deixou para comprar do vizinho Rondônia”, ressaltou.
Alan Rick também criticou a compra de alimentos de outros estados para abastecimento da merenda escolar, enquanto produtores acreanos enfrentam dificuldades para vender suas mercadorias. “91% das propriedades no Acre são da agricultura familiar. Resolver o problema dos ramais é fundamental”, observou.
Por fim, o senador afirmou que o Estado precisa recuperar sua capacidade de funcionamento, com combate à corrupção e valorização dos servidores técnicos. “O estado precisa voltar a fazer o seu papel. Pra fazer o papel tem que combater a corrupção endêmica, tem que organizar a casa, valorizar técnicos e fazer a engrenagem do estado rodar”, finalizou.
Lucas Vitor







