Honda Banner

Acreano de 18 anos realiza sonho de fazer intercâmbio na Colômbia

Para Kayk, a lembrança mais importante da viagem não está em um único lugar visitado ou em uma atividade específica. Está na possibilidade de ter saído da própria realidade / Foto: cedida

Sair de Rio Branco, atravessar fronteiras e passar 16 dias imerso em uma realidade completamente diferente da sua. Para o estudante Kayk Felismino Nogueira, de 18 anos, a experiência de participar de um intercâmbio acadêmico e cultural em Bogotá, na Colômbia, foi muito além de conhecer outro país. Foi a oportunidade de realizar um sonho antigo, descobrir novas possibilidades para o futuro e perceber, na prática, como o contato com outras culturas pode transformar a maneira de enxergar o mundo.

Estudante do Instituto Federal do Acre (Ifac), Kayk integrou a delegação acreana de seis alunos selecionados para o Programa de Mobilidade STEM Internacional, iniciativa voltada às áreas de ciência, tecnologia, engenharia, matemática e inovação. O grupo retornou ao Acre na última segunda-feira (19), depois de 16 dias de atividades acadêmicas, oficinas práticas, visitas institucionais e experiências de imersão cultural.

Em entrevista ao ContilNet, o jovem relembrou os momentos que mais marcaram a viagem, desde a surpresa ao descobrir que havia sido selecionado até as diferenças no clima, na alimentação e na mobilidade urbana da capital colombiana. Também falou sobre os desafios da convivência coletiva, o contato com universidades e a expectativa de que outros estudantes da rede federal tenham a mesma oportunidade.

Para Kayk, a viagem teve um significado especial porque experiências internacionais ainda são pouco acessíveis para muitos jovens acreanos / Foto: cedida

Para Kayk, a viagem teve um significado especial porque experiências internacionais ainda são pouco acessíveis para muitos jovens acreanos, principalmente para aqueles que estão concluindo o ensino médio e começam a pensar nos próximos passos da formação acadêmica.

“A sensação é de realização, pois sempre sonhei em fazer um intercâmbio. No entanto, as oportunidades que surgem na nossa região, no Acre, são muito poucas, principalmente quando se trata de experiências internacionais voltadas ao ensino superior”, afirmou.

O estudante avalia que a iniciativa representa um marco para a formação dos alunos do Ifac e espera que o programa tenha continuidade. Para ele, a possibilidade de conhecer outros ambientes de ensino, conviver com pessoas de diferentes culturas e participar de atividades práticas no exterior pode ampliar os horizontes de quem ainda está decidindo qual caminho seguir depois do ensino médio.

Seleção foi marcada por surpresa e expectativa

A oportunidade de viajar para a Colômbia começou muito antes do embarque. Para integrar a delegação, Kayk precisou passar por um processo seletivo que envolveu diferentes etapas e critérios estabelecidos em edital. Entre eles estavam a análise da documentação, a idade dos candidatos, a produção de uma redação, a avaliação de proficiência em espanhol e uma entrevista com avaliadores.

Segundo o estudante, a seleção também considerava a capacidade de cada participante de representar o próprio campus e a disposição para enfrentar as mudanças provocadas pela experiência em outro país. Havia, ainda, prioridade para alunos do primeiro ano do ensino médio, que poderiam aproveitar outras oportunidades de mobilidade internacional ao longo da formação.

Kayk, porém, estava no terceiro ano quando participou da seleção. Por isso, a notícia de que havia conseguido a vaga foi recebida com surpresa. Ele imaginava que a concorrência seria acirrada, mas acabou sendo o único estudante do Campus Baixada do Sol a chegar à etapa final do processo.

“Quando descobri que havia sido selecionado, fiquei extremamente surpreso, principalmente porque estava no terceiro ano do ensino médio. Por isso, a oportunidade teve um significado ainda maior para mim”, contou.

A aprovação transformou uma possibilidade que parecia distante em uma experiência concreta. O jovem, que já desejava fazer um intercâmbio, viu no resultado a chance de conhecer um novo país ainda durante a educação básica, em uma iniciativa direcionada aos estudantes dos cursos técnicos integrados ao ensino médio.

Ao final da mobilidade, Kayk recebeu certificados da Universidade de La Sabana e da organização AFS, parceira do programa / Foto: cedida

A participação também exigiu que ele estivesse preparado para representar a instituição fora do Brasil. A entrevista de seleção, conforme explicou, avaliou justamente aspectos que iam além do desempenho acadêmico, considerando o perfil do candidato e sua capacidade de adaptação a uma realidade diferente.

Engenharia, ventilador pulmonar e novas perspectivas para o futuro

Entre as experiências que mais marcaram a viagem estão as atividades desenvolvidas na Universidade de La Sabana, instituição particular localizada na Colômbia. Durante a visita, os estudantes tiveram contato com aulas de engenharia mecânica, matemática e física, além de conhecerem espaços utilizados na formação de profissionais de diferentes áreas.

Uma das atividades práticas consistiu na montagem de um ventilador pulmonar. Para Kayk, a possibilidade de participar de uma experiência desse tipo ajudou a aproximar os conteúdos científicos de aplicações concretas, permitindo que os alunos conhecessem um pouco da dinâmica de aprendizagem em uma universidade estrangeira.

A delegação também visitou o hospital simulado da instituição, estrutura utilizada em atividades de formação e que impressionou o estudante pelas instalações. A experiência permitiu observar de perto ambientes acadêmicos diferentes daqueles com os quais ele estava acostumado no Acre.

O roteiro incluiu ainda uma universidade pública, onde os participantes conheceram museus ligados à paleontologia e à geologia. As visitas ampliaram o contato dos jovens com áreas distintas do conhecimento e mostraram diferentes possibilidades de formação e pesquisa.

Ao longo da programação, os estudantes também participaram de oficinas de engenharia, construíram objetos com peças produzidas em impressoras 3D e montaram foguetes. As atividades integraram uma agenda voltada à experimentação, à inovação e ao desenvolvimento de conhecimentos científicos.

Ao final da mobilidade, Kayk recebeu certificados da Universidade de La Sabana e da organização AFS, parceira do programa. Mais do que os documentos, ele destaca o significado da experiência para quem está prestes a concluir o ensino médio e começa a planejar o ingresso no ensino superior.

“Além de conhecer realmente a estrutura da Colômbia, também visitamos a Universidade de La Sabana. Lá, tivemos aulas de engenharia mecânica e aulas práticas, nas quais montamos um ventilador pulmonar. Também tivemos aulas de matemática e um pouco de física”, relatou.

Para o estudante, conhecer a estrutura das universidades e participar das atividades ajudou a ampliar a percepção sobre as oportunidades que podem surgir depois da conclusão do curso técnico. “Essa experiência abre muitas portas”, resumiu.

De Rio Branco a Bogotá: uma cidade que mudou a rotina do estudante

Se as atividades acadêmicas ampliaram os horizontes de Kayk, a vida cotidiana em Bogotá também foi responsável por algumas das descobertas mais marcantes da viagem.

Acostumado à dinâmica de Rio Branco, o estudante encontrou uma capital muito maior, com trânsito intenso, deslocamentos demorados e uma rotina urbana diferente daquela que conhecia. A dimensão da cidade foi uma das primeiras coisas que o surpreenderam.

“Foi como se o mundo estivesse de cabeça para baixo, porque saí de Rio Branco, uma cidade que não é tão grande assim, e fui para Bogotá, uma cidade extremamente movimentada, com um ritmo de vida completamente diferente daquele ao qual estou acostumado”, contou.

A mobilidade urbana chamou sua atenção especialmente pela quantidade de ciclovias. Segundo ele, bicicletas, patinetes e motos elétricas fazem parte das alternativas utilizadas pelos moradores para se deslocar em meio ao trânsito e às grandes distâncias da capital colombiana.

A presença dessas estruturas contrastou com a realidade à qual estava habituado no Acre. Para Kayk, observar como os moradores utilizam diferentes meios de transporte foi uma forma de compreender, para além dos pontos turísticos, aspectos da organização e do funcionamento da cidade.

As caminhadas também renderam situações que ficaram na memória dos estudantes. Uma expressão mencionada durante os deslocamentos virou motivo de brincadeira entre os integrantes do grupo: as famosas “duas quadras colombianas”.

Quando alguém dizia que faltavam apenas duas quadras para chegar ao destino, os jovens já desconfiavam de que a distância seria bem maior do que imaginavam. Segundo Kayk, as caminhadas eram frequentes e, muitas vezes, a indicação de que faltava pouco não significava que o percurso terminaria tão cedo.

A experiência ajudou a mostrar como até referências aparentemente simples, como a distância entre dois lugares, podem mudar de significado quando alguém passa a viver em uma cidade com dimensões e hábitos diferentes dos seus.

A comida e o clima também exigiram adaptação

A alimentação foi outro aspecto que exigiu adaptação durante a estadia. Kayk explicou que os hábitos alimentares dos colombianos eram diferentes daqueles que fazem parte da rotina acreana, principalmente no café da manhã e no jantar.

No Acre, ele está acostumado a começar o dia com opções mais simples, como pão, café e baixaria, prato típico da região. Na Colômbia, percebeu que o café da manhã e o almoço costumavam ser mais reforçados, enquanto o jantar geralmente era mais leve.

A diferença foi sentida especialmente nos primeiros dias, quando os pratos e as combinações servidas não correspondiam ao padrão alimentar que ele conhecia em casa.

“No início, tive um pouco de dificuldade para me adaptar à alimentação, principalmente porque os pratos eram bastante diferentes daqueles com os quais eu estava acostumado no Brasil. Não era aquela combinação tradicional de arroz e feijão do Acre”, relatou.

O clima também esteve entre os assuntos mais comentados depois do retorno. Kayk contou que uma das perguntas mais frequentes de amigos e familiares foi sobre a temperatura em Bogotá, sobretudo pela diferença em relação ao calor característico do Acre.

Enquanto no estado acreano os termômetros podem chegar a 39 °C, o estudante disse que, durante a experiência colombiana, as temperaturas podiam ficar na faixa de 16 °C a 17 °C. Ele também percebeu que o tempo podia mudar bastante ao longo do mesmo dia, alternando entre frio, calor e chuva.

A diferença climática tornou a viagem ainda mais marcante para quem estava acostumado a uma realidade amazônica. Mais do que enfrentar temperaturas distintas, o estudante precisou se adaptar a uma rotina na qual o ambiente, os deslocamentos e os costumes eram diferentes daqueles que conhecia.

Ao falar sobre o que gostaria que as pessoas perguntassem depois de sua volta, Kayk destacou que a experiência de viver 15 dias em outro país vai muito além das dúvidas sobre o frio ou a comida.

“Uma pergunta que eu gostaria que alguém me fizesse é como realmente é passar 15 dias na Colômbia, porque é muito diferente sair de uma região extremamente quente e ir para uma região mais fria, além de conhecer uma cidade enorme e com uma população muito numerosa”, afirmou.

A resposta, segundo ele, envolve justamente o conjunto de mudanças que precisou enfrentar: o tamanho da cidade, o ritmo de vida, a alimentação, o clima e o contato com pessoas de diferentes origens.

Convivência com estudantes de outros estados e contato com o espanhol

A viagem também exigiu adaptação à convivência coletiva. A delegação contou com seis estudantes do Acre e dez de Rondônia, em razão da parceria entre o Instituto Federal do Acre e o Instituto Federal de Rondônia (IFRO).

A organização dos alojamentos foi um dos desafios da rotina. Os participantes precisaram compartilhar espaços e conciliar hábitos, horários e personalidades diferentes durante os dias de permanência no país.

Para Kayk, conviver com tantas pessoas ao mesmo tempo nem sempre foi simples, mas a experiência também se tornou uma oportunidade de construir relações e aprender com os demais participantes. As conversas, brincadeiras, refeições e atividades realizadas em grupo passaram a fazer parte da memória da viagem.

Outro aspecto importante foi o contato com a equipe colombiana da AFS, com quem os estudantes precisavam se comunicar em espanhol. A interação permitiu que o idioma fosse praticado em situações reais, tanto durante a programação oficial quanto nos momentos de descontração.

Em vez de ficar restrito às provas e aos exercícios, o aprendizado da língua passou a fazer parte das necessidades cotidianas: conversar, compreender orientações, participar das atividades e interagir com pessoas que falavam outro idioma.

“Conviver com tantas pessoas diferentes foi desafiador, mas, ao mesmo tempo, foi uma experiência maravilhosa. Tive a oportunidade de interagir com pessoas da Colômbia, especialmente com a equipe da AFS, com quem precisávamos nos comunicar em espanhol”, explicou.

A volta ao Acre encerrou a programação internacional, mas, para Kayk, a experiência continua tendo reflexos na maneira como pensa o próprio futuro / Foto: cedida

O estudante descreveu os dias de convivência como um período de aprendizado intenso, em que as relações construídas fora das salas de aula tiveram tanta importância quanto as atividades acadêmicas.

“Também havia muita interação entre os próprios alunos, com brincadeiras, conversas e experiências compartilhadas no dia a dia, desde os momentos no dormitório até as refeições e os deslocamentos que realizamos durante toda a viagem. Foram 15 dias de convivência intensa, aprendizado e troca cultural, que tornaram essa experiência inesquecível para mim”, disse.

Uma experiência que pode abrir caminhos para outros acreanos

A volta ao Acre encerrou a programação internacional, mas, para Kayk, a experiência continua tendo reflexos na maneira como pensa o próprio futuro. No terceiro ano do ensino médio, ele está em um momento de transição entre a educação básica e a possibilidade de ingressar no ensino superior. Conhecer universidades, participar de aulas práticas e receber certificações durante a viagem ajudou a tornar esse horizonte mais próximo.

O estudante também espera que a mobilidade não seja uma oportunidade isolada. Para ele, ampliar o acesso a experiências internacionais pode fazer diferença na trajetória de outros jovens que, assim como ele, desejam conhecer novas realidades, mas nem sempre encontram caminhos para isso.

“Essa é uma oportunidade única, pois representa um marco histórico: pela primeira vez, estudantes do ensino médio técnico do Instituto Federal do Acre têm a oportunidade de participar de um intercâmbio internacional”, afirmou.

Kayk ressaltou que deseja ver a iniciativa continuar nos próximos anos, para que outros alunos possam participar de experiências semelhantes. A expectativa é que a vivência internacional contribua para ampliar as possibilidades acadêmicas e profissionais dos estudantes, mostrando que a formação pode ultrapassar os limites do estado e do país.

Kayk ressaltou que deseja ver a iniciativa continuar nos próximos anos, para que outros alunos possam participar de experiências semelhantes / Foto: cedida

A delegação acreana foi formada por seis alunos de cursos técnicos integrados ao ensino médio, representando os campi da instituição: Kayk Felismino Nogueira, do Campus Baixada do Sol; Anna Lya Menezes Cardoso, do Campus Xapuri; Valéria da Costa Nicácio, do Campus Cruzeiro do Sul; Luís Fernando Correia da Silva, do Campus Rio Branco; Cauã Bezerra Maciel, do Campus Sena Madureira; e Anny Vitória de Araújo, do Campus Tarauacá.

O intercâmbio foi promovido pelo Ifac, por meio das diretorias sistêmicas de Relações Internacionais e de Assistência Estudantil, em parceria com a AFS Intercultura Brasil. Durante a jornada, os estudantes participaram de oficinas, aulas, visitas a instituições de ensino e atividades culturais em Bogotá e região, concluindo a programação com a certificação da experiência Sabana STEM: Inovação, Ciência e Futuro.

Para Kayk, a lembrança mais importante da viagem não está em um único lugar visitado ou em uma atividade específica. Está na possibilidade de ter saído da própria realidade, convivido com outras culturas e voltado para casa com uma visão mais ampla do que pode fazer daqui para a frente. E, principalmente, na esperança de que outros estudantes acreanos também tenham a chance de descobrir, por conta própria, o quanto uma oportunidade como essa pode transformar seus planos para o futuro.

Fonte: Contilnet

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais