A governadora Mailza Assis convocou, na noite desta terça-feira (3), uma reunião com a cúpula da Segurança Pública do Acre para discutir o enfrentamento à violência contra a mulher e as providências relacionadas ao assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos. Ela foi morta a tiros na noite de segunda-feira (2), em Brasiléia, no interior do estado.
O encontro foi realizado na sede da Casa Civil, em Rio Branco, e reuniu representantes das forças de segurança, do sistema penitenciário, da área socioeducativa e da Secretaria de Estado da Mulher. Entre os participantes estavam o secretário de Justiça e Segurança Pública, Américo Gaia; a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marta Renata Alves; o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin; e a secretária da Mulher, Simone Santiago.
Durante a reunião, Mailza afirmou que o combate à violência contra a mulher é uma das prioridades de sua gestão e cobrou uma atuação integrada dos órgãos estaduais, tanto na prevenção quanto na investigação e responsabilização dos envolvidos.
“Não podemos aceitar que mulheres continuem sendo vítimas. No nosso governo, o enfrentamento ao feminicídio será tratado com tolerância zero. Estamos reunindo todas as instituições para fortalecer a prevenção, ampliar a proteção e garantir que os responsáveis por esses crimes sejam rigorosamente investigados e responsabilizados”, declarou.
Plano estadual prevê atuação de 22 instituições
Durante o encontro, Américo Gaia apresentou um esboço do Plano Estadual de Gestão Integrada de Enfrentamento ao Feminicídio. A proposta prevê a mobilização de 22 instituições, distribuídas em seis eixos de atuação e cinco comitês regionais, com participação de setores como Segurança Pública, Saúde, Educação, Assistência Social e Justiça.
Entre as medidas previstas estão a identificação precoce de situações de risco, o fortalecimento da rede de proteção e a responsabilização dos agressores. O plano também estabelece como metas ampliar a presença da Patrulha Maria da Penha nos 22 municípios acreanos e integrar os serviços de atendimento às mulheres.
Botão do pânico e investigação
Um dos pontos discutidos na reunião foi o funcionamento do botão do pânico utilizado por Elyne. Segundo Américo Gaia, o dispositivo era monitorado pelas forças de segurança. O secretário afirmou que a médica acionou e desativou o equipamento minutos antes do assassinato.
Após os alertas, equipes entraram em contato com a vítima e também com o ex-companheiro dela, Francisco Valadares Neto, investigado no caso e que utilizava tornozeleira eletrônica. De acordo com Gaia, o monitoramento identificou que ele estava nas proximidades da médica e chegou a passar perto dela, mas continuou em movimento.
“As circunstâncias do crime continuam sendo apuradas. A investigação busca esclarecer se o caso será caracterizado como homicídio de mulher ou feminicídio, além de identificar todos os envolvidos”, afirmou o secretário.
O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, também apresentou informações sobre o andamento das investigações. Segundo ele, um dos aspectos analisados pelos investigadores é a tentativa de suicídio do ex-companheiro após a morte da médica.
Buzolin informou que Francisco deixou uma carta de despedida, escrita depois do crime, mas não assumiu no documento ter ordenado o assassinato. A hipótese de que ele tenha participado indiretamente do crime, por meio da contratação de um executor, também está sendo investigada.
O delegado-geral acrescentou que o Ministério Público já havia solicitado duas vezes a prisão do investigado, mas os pedidos foram negados pela Justiça. A Polícia Civil trabalha para esclarecer a dinâmica do assassinato, reunir provas e identificar a responsabilidade de cada possível envolvido.
“As investigações seguem em andamento e nenhuma hipótese será descartada antes da conclusão dos trabalhos policiais”, declarou.
A secretária da Mulher, Simone Santiago, afirmou que o caso demonstra a necessidade de fortalecer a articulação entre os órgãos responsáveis pelo atendimento e pela proteção de mulheres em situação de violência. Segundo ela, houve dois pedidos relacionados às medidas previstas na Lei Maria da Penha, com ciência do Ministério Público.
A reunião terminou com a orientação da governadora para que o Sistema Integrado de Segurança Pública intensifique as ações de prevenção e repressão à violência contra a mulher no estado.









