Caso Instituto São José: Perícia diz que adolescente fez ao menos 20 disparos

Caso São José: perícia diz que adolescente fez ao menos 20 disparos e trocou carregador

As investigações em torno do ataque no Instituto São José ganharam um dado técnico importante nesta quinta-feira (11). A equipe de peritos criminais e investigadores da Polícia Civil, no dia da tragédia, recolheu pelo menos 20 cápsulas de munição deflagradas.

A informação foi divulgada pela TV Gazeta e confirmada ao ContilNet pela Polícia Civil do Acre.

A quantidade de cápsulas deflagradas recolhidas pela Polícia Civil apresenta uma nova versão da ocorrência. As primeiras informações davam conta de que o adolescente de 13 anos, autor do ataque, não teria conseguido trocar o carregador, e teria soltado a arma no chão e se dirigido ao Quartel-geral da Polícia Militar do Acre (PMAC).

Com a informação do recolhimento de 20 cápsula, há a confirmação de que o adolescente trocou o carregador e voltou a atirar nas vítimas.

O ataque no Instituto São José completou um mês nesta sexta-feira, 5 de junho. Naquele dia, um aluno de 13 anos entrou armado na escola e atirou contra quatro pessoas: três funcionárias e uma aluna de 11 anos. Dentre as servidoras, duas inspetoras foram mortas.

Após o ataque, o adolescente se dirigiu ao Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Acre (PMAC), localizado a poucos metros da instituição de ensino, e se entregou.

Com a notícia dos tiros dentro da instituição, as autoridades policiais isolaram o perímetro da escola para permitir o trabalho da Polícia Científica. Sob supervisão das autoridades, os parentes passaram pelo processo de reconhecimento das vítimas.

As vítimas

As inspetoras de corredor Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos, morreram ainda no local.

Uma aluna de 11 anos e uma outra funcionária ficaram feridas e foram encaminhadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Pronto-Socorro de Rio Branco.

Alzenir Pereira da Silva trabalhava há décadas no Instituto São José e Raquel era funcionária da escola há cerca de 3 anos.

Caso São José: perícia diz que adolescente fez ao menos 20 disparos e trocou carregador

Foto: Reprodução

As duas funcionárias foram veladas na quarta-feira e sepultadas no mesmo dia: Tia ‘Zena’, como Alzenir era conhecida, foi velada na residência da mãe, no bairro Cidade Nova, e sepultada no Cemitério São João Batista. Já Raquel Sales foi velada na Capela São João Batista e sepultada no Cemitério Morada da Paz.

Primeiras informações oficiais

Na noite da terça-feira (5), o governo do Acre concedeu uma coletiva de imprensa para detalhar os primeiros desdobramentos do caso. Na ocasião, a comandante-geral da Polícia Militar do Acre (PMAC), coronel Marta Renata, explicou como aconteceu a apresentação do adolescente no quartel.

“Ele obviamente estava nervoso, mas foi muito bem articulado na sua fala e de modo muito direto disse que estava se apresentando porque era o responsável pelo ocorrido no colégio São José”, explicou.

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Questionada se o adolescente havia demonstrado arrependimento, ela respondeu que ele não fez nenhum comentário relacionado. Além disso, as autoridades também não descartaram a possibilidade de novos ataques.

Poucas horas depois do tiroteio, a 4ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público do Acre (MPAC) apresentou pedido de internação provisória do adolescente.

Ações governamentais e mobilização

Diante da repercussão do atentado, o governo do Acre mobilizou uma força-tarefa envolvendo diferentes secretarias e órgãos de segurança pública.

A governadora Mailza Assis reuniu representantes das forças de segurança para alinhar medidas emergenciais e definir o posicionamento institucional diante da tragédia.

O governo decretou luto oficial de três dias. As redes estadual, municipal e privada suspenderam as aulas temporariamente.

Investigações

A Polícia Civil do Acre deu detalhes das investigações sobre o ataque no Instituto São José, que aconteceu na última terça-feira (7). Em entrevista coletiva, o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Martin Hessel, explicou que todo trabalho pericial e toda coleta de materiais que podem levar a mais provas foram feitos.

Hessel explicou que no dia do fato, toda ação policial, tanto da parte ostensiva quanto da polícia judiciária, foi feita. “Todos os equipamentos [celulares] resultantes das buscas que foram feitas, também com autorização judicial, estão sendo analisadas”, disse.

Volta às aulas

As aulas do Instituto São José, em Rio Branco, voltaram no dia 18 de maio, quase duas semanas após o ataque que terminou com a morte de duas servidoras da escola. O retorno foi feito de forma escalonada e com uma série de medidas de acolhimento e segurança para estudantes, professores e funcionários.

Segundo a direção da instituição, a volta das atividades foi organizada após uma semana de reuniões entre equipes da escola, pais, representantes da Educação, Saúde, Assistência Social, Segurança Pública, Ministério Público e Tribunal de Justiça.

Durante os primeiros dias, os alunos participaram de atividades leves, com rodas de conversa, momentos de escuta, convivência e apoio psicológico.

Além do acompanhamento psicossocial, o retorno contou com reforço na segurança. Entre as medidas adotadas estão detectores de metais e presença da Polícia Militar Escolar e Comunitária, em parceria com outros órgãos públicos.

A Sejusp instalou um posto eletrônico em frente à escola. O equipamento foi desenvolvido com tecnologia avançada para conectar a população, em tempo real, ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) com apenas um toque. O equipamento foi instalado quase um mês após o ataque a tiros que matou duas funcionárias.

O posto eletrônico, que está em fase de instalação, deve permanecer em teste por cerca de 90 dias.

Comitê Consultivo do Observatório de Segurança Escolar e Articulação Interinstitucional e Comunitária

A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) oficializou a criação do Comitê Consultivo do Observatório de Segurança Escolar e Articulação Interinstitucional e Comunitária. A ideia é ampliar a participação de órgãos públicos e instituições parceiras nas ações voltadas à prevenção da violência e à promoção de um ambiente escolar mais seguro no Acre.

A medida foi publicada na edição desta quarta-feira (10) do Diário Oficial do Estado (DOE), por meio da Portaria SEE nº 1.733, de 9 de junho de 2026, assinada pelo secretário de Estado de Educação e Cultura, Reginaldo Luis Pereira Prates. O comitê atuará como instância de apoio ao Observatório de Segurança Escolar, criado pelo Decreto nº 11.695, de maio de 2025.

Indenização aos familiares das vítimas

Nesta semana, a Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) aprovou por unanimidade, tanto nas comissões temáticas quanto no plenário da Casa, o Projeto de Lei que institui uma indenização especial, de natureza compensatória e humanitária, destinada aos dependentes das vítimas fatais do episódio de violência ocorrido no Instituto São José, em Rio Branco.

A proposta, de autoria do deputado Pedro Longo (MDB), foi chancelada de forma célere pelos parlamentares diante da extrema gravidade do ocorrido em 5 de maio de 2026.

A medida garante o pagamento em parcela única no valor de R$ 100.000,00 por vítima fatal, beneficiando diretamente os familiares de Raquel Sales Feitosa e Alzenir Pereira da Silva, trabalhadoras que perderam suas vidas no exercício de suas funções dentro do ambiente escolar.

Conteúdo Original / Fonte: ContilNet

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