Os clubes da Série A do Brasileirão movimentaram R$ 14,3 bilhões em 2025, segundo o Relatório Convocados 2026*. O valor representa uma alta de 32% em relação ao ano anterior.
O resultado da pesquisa aponta para um momento de expansão do futebol brasileiro, segundo Cesar Grafietti, economista responsável pelo estudo.
Mas, ressalta Grafietti, é importante observar que parte considerável dos 14,3 bilhões vem dos chamados valores não recorrentes. Ou seja, as entradas fora do padrão de ganhos dos clubes, como transferências de atletas e premiações.
Os valores não recorrentes elevaram os números de 2025, mas não são garantia de previsibilidade a longo prazo, aponta Grafietti.
O economista diz que o principal desafio é assegurar que esse crescimento se transforme em uma operação saudável, gerando “maior capacidade de geração de caixa recorrente e menos dependência de fatores extraordinários”.
O caminho para isso, segundo Grafietti, passa por explorar o crescimento das receitas que são de gestão de responsabilidade do clube, como bilheteria, sócio-torcedor e relações comerciais.
“Depois, transformar essas receitas não recorrentes, como a venda de atletas, em algo com pouco mais de previsibilidade. Não dá pra vender R$ 500 milhões em jogador todo ano, mas, se você conseguir fazer uma maquininha de formação e fazer R$ 200, 300 milhões todo ano, já ganha mais previsibilidade. Transferir é parte do negócio”, afirma o economista, que cita Flamengo e Palmeiras como exemplo:
“Eles têm muito mais poder de negociação, então tem outro canal pra construir uma receita que teoricamente não é recorrente.”
Transferências e Copa do Mundo de Clubes puxam alta
Os valores não recorrentes são aqueles extraordinários, que fogem ao habitual da renda anual dos clubes.
Dos R$ 14,3 bilhões de 2025, por exemplo, R$ 3,9 bilhões vieram de negociações de jogadores, representando uma alta de 63% nesse âmbito em relação ao ano anterior.
Já as premiações chegaram a R$ 1,6 bilhão, um valor que aumentou pelas participações dos brasileiros na Copa do Mundo de Clubes – R$ 863 milhões foram distribuídos aos quatro clubes participantes da competição.
“Há um comportamento tradicional do futebol brasileiro, que é o ‘tenho mais dinheiro, vou gastar mais’, o que é normal. O que falta é a compreensão de que não se pode correr riscos de quebrar”, afirma Grafietti.
* O relatório Convocados 2026 é o estudo anual sobre a indústria do futebol produzido por Convocados e OutField, com patrocínio da Galapagos Capital
Fonte: UOL








