A distribuição do fundo eleitoral de 2026, apurada pela coluna, ajuda a explicar por que a corrida pelo Senado no Acre ganhou tanta atenção das cúpulas nacionais de PL e PT.
Os dois partidos terão as maiores fatias dos quase R$ 5 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, mecanismo criado para bancar as eleições com recursos públicos e reduzir a dependência de doações privadas.
Pelos números, o PL receberá R$ 881,6 milhões, um salto de 205,6% em relação a 2022. O PT ficará com R$ 615,3 milhões, crescimento de 22,3%.
No Acre, a coincidência é curiosa: tanto PL quanto PT concentraram suas apostas em apenas uma disputa majoritária. Nenhuma das duas siglas terá candidato ao governo do Estado. Os esforços estarão voltados exclusivamente para o Senado.
Pelo PT, o nome é o ex-governador Jorge Viana. Pelo PL, o senador Márcio Bittar buscará a reeleição.
E justamente os dois aparecem entre os líderes das pesquisas de intenção de voto, ao lado do ex-governador Gladson Camelí.
Na prática, isso significa que duas das legendas mais abastecidas do país terão liberdade para direcionar grande parte de suas estruturas políticas e financeiras para uma única campanha majoritária no Acre.
Em Brasília, a prioridade já foi definida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados que a eleição de Jorge Viana é um dos principais objetivos do PT no Estado. O ex-governador é visto pela direção nacional como peça importante para ampliar a presença petista no Senado.
Do outro lado, a situação é semelhante. Márcio Bittar é considerado um dos parlamentares mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro e tem forte interlocução com a direção nacional do PL. A avaliação entre bolsonaristas é de que preservar sua cadeira é estratégico para manter a influência do grupo na Casa.
Embora o dinheiro do fundo eleitoral seja distribuído pelas executivas nacionais e não automaticamente aos candidatos, a força financeira das duas legendas tende a aumentar o peso político de Jorge Viana e Márcio Bittar na disputa.
Enquanto isso, outras candidaturas ao Senado precisarão buscar espaço em partidos com caixas menores ou dividir recursos com projetos estaduais mais amplos.
Em uma eleição em que duas vagas estarão em jogo, o tamanho do cofre partidário pode se transformar em um dos fatores mais relevantes da campanha acreana.
Fonte: ContilNet








