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Doença que ameaça plantações de laranja e limão é confirmada pela 1ª vez no Acre

Enfermidade provoca lesões nas folhas, nos ramos e nos frutos. Foto: Sandra Tereza/Idaf

O Acre confirmou os primeiros focos de cancro cítrico em plantações de limão e laranja. A doença foi identificada em propriedades rurais de Brasileia e Epitaciolândia, no Alto Acre, e levou o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) a intensificar as ações de fiscalização e vigilância sanitária para evitar que a bactéria se espalhe para outras áreas de produção.

A ocorrência foi descoberta durante inspeções realizadas por técnicos da Defesa Sanitária Vegetal do órgão na regional do Alto Acre. Após a identificação de sintomas suspeitos nas plantações, foram coletadas amostras que passaram por análises laboratoriais. Os exames confirmaram a presença da bactéria responsável pela doença.

Uma das hipóteses investigadas é que a contaminação tenha ocorrido pela entrada de mudas clandestinas provenientes de São Paulo. A possibilidade foi levantada a partir de relatos de produtores rurais, mas ainda não há confirmação sobre a origem da bactéria. O Idaf conduz uma investigação epidemiológica para identificar como o agente chegou às propriedades e quais podem ter sido as formas de disseminação.

Doença pode comprometer produção e comercialização

O cancro cítrico é causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri e atinge diferentes espécies de plantas cítricas, entre elas laranjeiras, limoeiros e tangerineiras.

A enfermidade provoca lesões nas folhas, nos galhos e nos frutos. Dependendo da intensidade da contaminação, pode prejudicar o desenvolvimento das plantas, reduzir a produtividade das lavouras e provocar perdas econômicas aos produtores, inclusive por comprometer a comercialização dos frutos.

Monitoramento em propriedades rurais permite identificar cancro cítrico no Alto Acre. Foto: Sandra Tereza/Idaf

A transmissão pode ocorrer principalmente pelo transporte de material vegetal contaminado, como mudas, além da dispersão de partículas da bactéria a partir de plantas infectadas. Condições ambientais e práticas inadequadas de manejo também podem favorecer o avanço da doença.

As medidas de prevenção, vigilância, controle e eventual erradicação seguem as regras estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Instrução Normativa nº 21, de 25 de abril de 2018.

Idaf investiga origem da contaminação

Segundo o coordenador de Defesa Vegetal da regional do Alto Acre, Darison Alencar, a identificação ocorreu durante o acompanhamento técnico de propriedades cadastradas pelo Instituto.

O primeiro registro de sintomas suspeitos foi observado em frutos de limão-taiti, em uma propriedade de Brasileia. Depois de novas coletas e da investigação realizada pela equipe, a presença da bactéria foi confirmada em laboratório.

“Por meio do cadastro das propriedades, a equipe técnica do Idaf consegue realizar o monitoramento das áreas de produção. Foi justamente durante essas atividades que identificamos sintomas suspeitos de cancro cítrico em frutos de limão-taiti, em uma propriedade de Brasileia. Após investigação e realização de novas coletas, a presença da bactéria foi confirmada por análises laboratoriais”, explicou.

Darison informou ainda que toda a documentação foi encaminhada ao Ministério da Agricultura e Pecuária. O órgão federal deverá atuar em conjunto com o Idaf na definição dos procedimentos necessários, conforme a legislação sanitária.

Produtores são orientados a evitar mudas clandestinas

Com a confirmação dos focos, o Idaf reforçou o alerta para que agricultores adquiram mudas somente de viveiros devidamente registrados e que forneçam a documentação e a certificação fitossanitária exigidas.

O cuidado é considerado fundamental para impedir que plantas contaminadas sejam transportadas para propriedades ainda livres da doença.

No Acre, o trabalho de prevenção é desenvolvido por meio do Programa Estadual de Sanidade Citrícola (Pesc), que realiza cadastramento de propriedades, levantamentos fitossanitários, inspeções, monitoramento de pragas e atividades de orientação aos produtores. Até o fim de 2025, o estado tinha 275 propriedades citrícolas cadastradas.

A coordenadora do programa, Ana Cláudia D’Abadia, destacou que a identificação precoce de novos casos e a colaboração dos agricultores serão importantes para conter a disseminação da bactéria.

“Nosso objetivo é identificar precocemente qualquer ocorrência, realizar as investigações necessárias e adotar as medidas previstas na legislação para evitar a disseminação da doença. Também é fundamental contar com a colaboração dos produtores rurais, que devem comunicar ao Instituto qualquer sintoma suspeito em suas plantações. Precisamos proteger a citricultura acreana, que é uma importante fonte de renda para muitas famílias”, afirmou.

Fonte: Contilnet

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