Declaração ocorreu após a terceira fase da Operação Carbono Oculto. — Foto: Reprodução
A Entre Investimentos, empresa que aparece nas investigações sobre os recursos destinados ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu dinheiro do Banco Master e de estruturas ligadas ao crime organizado, segundo afirmou nesta quinta-feira (24) o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A declaração ocorreu após a terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal. A ação investiga estruturas financeiras suspeitas de ocultar patrimônio, dissimular a origem de recursos e movimentar dinheiro relacionado ao esquema investigado no setor de combustíveis.
“Nós estamos falando de uma administradora, de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper”, afirmou Durigan.
A relação com Dark Horse aparece porque a Entre Investimentos, de propriedade do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, foi utilizada para fazer repasses ao fundo norte-americano Havengate Development Fund, ligado ao financiamento do filme.
Segundo a delação de Freixo, foram realizadas sete transferências ao fundo entre janeiro e setembro de 2025, que somaram US$ 12,33 milhões, valor que equivalia a cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.
Ministro diz que origem dos recursos ainda é investigada
Questionado sobre a possível relação entre os recursos do crime organizado e o dinheiro destinado ao filme, Durigan afirmou que a investigação ainda precisa identificar a origem e o caminho percorrido pelos valores.
“Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações [Dark Horse] vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso. Aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa”, disse o ministro.
Durigan afirmou ainda que a concentração de recursos de diferentes origens em uma mesma estrutura financeira dificulta a identificação de quais valores foram destinados a cada operação.
A Entre aparece, portanto, em duas frentes das investigações: no caminho dos recursos enviados ao fundo que financiou Dark Horse e nas apurações sobre estruturas financeiras utilizadas para movimentar e ocultar dinheiro relacionado ao setor de combustíveis.
Empresário é alvo da operação
Antonio Carlos Freixo Júnior foi um dos alvos da terceira fase da Carbono Oculto nesta quinta-feira. Também foram cumpridos mandados relacionados a Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e aos irmãos dele, André e Bruno Tupinambá.
O empresário é delator no caso envolvendo o Banco Master. Sua colaboração premiada foi homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na delação, Freixo afirmou que os repasses para o Havengate foram feitos a pedido de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O fundo nos Estados Unidos aparece nas investigações como destinatário dos recursos que posteriormente financiaram o filme.
A nova fase da operação também apura um conjunto de movimentações financeiras que, segundo a Receita Federal, chegou a R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. As investigações buscam esclarecer a origem dos recursos, as estruturas utilizadas para sua circulação e possíveis mecanismos de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Redação ContilNet







