A mesma empresa responsável pela construção da Ponte Frei Paolino, em Sena Madureira, que desabou na sexta-feira (6), é a encarregada da obra da futura 6ª ponte sobre o Rio Acre, em Rio Branco. A informação faz parte de uma apuração feita pelo ContilNet.
A Construtora Cidade começou nesta semana os serviços iniciais do Lote 3 do Arco Metropolitano da capital, empreendimento que prevê a construção da nova travessia ligando a região do Belo Jardim ao Quixadá. O contrato tem prazo de execução de 24 meses e integra um conjunto de investimentos em mobilidade orçado em mais de R$ 70 milhões.
No último dia 3 de junho, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) anunciou o início das atividades no local, com abertura e limpeza dos acessos, implantação do canteiro de obras e preparação da área onde será construída a estrutura.
O projeto faz parte da Operação Verão 2026 e está dividido em quatro lotes. O terceiro trecho contempla a ligação entre a Estrada do Quixadá e a futura 6ª ponte, enquanto o quarto seguirá da nova travessia até a BR-364.
Parecer técnico considerou empresa apta para a obra
Documentos obtidos pelo ContilNet mostram que a Construtora Cidade passou por análise técnica do Deracre antes de ser habilitada para executar o empreendimento.
Em parecer emitido em dezembro do ano passado, técnicos do órgão concluíram que a empresa atendia às exigências previstas no edital da Licitação Pública Internacional nº 02/2025, financiada pelo Fonplata. A análise apontou que a construtora apresentou experiência anterior em obras semelhantes, equipe técnica especializada e os equipamentos exigidos para a execução do projeto.
O documento também registra que a empresa apresentou proposta de R$ 73,7 milhões para o Lote 3, referente à construção da 6ª ponte de Rio Branco.
Ao final da avaliação, o parecer recomendou a habilitação da Construtora Cidade para a execução do empreendimento.
Desabamento em Sena Madureira
A coincidência entre as duas obras ganhou repercussão após o colapso da Ponte Frei Paolino, em Sena Madureira. A estrutura havia sido inaugurada há cerca de dois anos e meio e foi interditada dias antes do desabamento em razão do avanço do processo de erosão identificado nas cabeceiras.
Questionada pelo ContilNet sobre a possibilidade de o episódio afetar a continuidade da obra em Rio Branco, a presidente do Deracre, Sula Ximenes, afirmou que não existe, até o momento, impedimento para que a empresa continue executando os serviços contratados.
Segundo ela, a Construtora Cidade venceu regularmente a concorrência internacional e já se encontra mobilizada no Arco Metropolitano.
“Hoje não existe nada que impeça a empresa de continuar executando a obra. O que precisamos é aguardar o laudo que vai apontar o que aconteceu”, disse.
Sula afirmou ainda que situações semelhantes têm sido observadas em outras estruturas no estado e citou problemas registrados na passarela Joaquim Macedo, em Rio Branco, além de intervenções em pontes nos municípios de Tarauacá e Porto Acre.
A presidente do Deracre informou que a área da ponte que desabou em Sena Madureira será totalmente isolada e receberá sinalização também no leito do rio para evitar acidentes.
Ela acrescentou que o governo cobrou providências imediatas da empresa responsável e que uma reunião prevista para a próxima terça-feira deverá definir as medidas relacionadas à retirada dos escombros e às próximas etapas após o colapso da estrutura.
Fonte: Contilnet








