A recusa de Cristiano Ronaldo e Karim Benzema em atuar por Al-Nassr e Al-Ittihad, respectivamente, expôs uma crise silenciosa no futebol da Arábia Saudita. Por trás da revolta dos dois craques está a insatisfação com decisões do Fundo de Investimento Público (PIF), que controla os principais clubes do país.
A origem do conflito está na forma como o PIF, órgão estatal responsável por financiar e administrar parte da Saudi Pro League, tem conduzido seus investimentos. Nos bastidores, o fundo discute uma mudança de estratégia após projetos bilionários fora do futebol não entregarem os resultados esperados.
Este novo “cálculo de rota” impacta diretamente os clubes. A redução de aportes e a indefinição sobre o futuro do controle estatal criaram um ambiente de insegurança, sobretudo entre jogadores que chegaram ao país com promessas de elencos competitivos e protagonismo esportivo.
No Al-Ittihad, a tensão explodiu com Karim Benzema. O atacante francês se irritou com os termos de uma proposta de renovação de contrato, considerada distante do status prometido quando ele deixou o futebol europeu. Em protesto, recusou-se a entrar em campo e, pouco depois, abriu negociação para defender o Al-Hilal.
A possível ida de Benzema para o rival acentuou o sentimento de desequilíbrio entre os clubes. O Al-Hilal, que negocia a saída do controle direto do PIF para receber investimento privado, segue mais ativo no mercado, enquanto outras equipes enfrentam limitações.
Esse cenário é o principal motivo da revolta de Cristiano Ronaldo. No Al-Nassr, o português entende que o clube não recebe o mesmo respaldo institucional do rival, e cobra tratamento mais igualitário por parte do fundo e da liga saudita.
Desde que chegou ao país, em 2023, Cristiano ainda não conquistou títulos relevantes e acredita que a falta de equilíbrio no projeto esportivo impede o Al-Nassr de competir em alto nível.
Fonte: Metrópoles








