A capital acreana registrou, na terça-feira (15), o pior evento de alagamento já registrado na Baixada da Sobral. Em três horas, choveu mais de 50 milímetros, o que resultou no alagamento de 54 ruas, atingiu 13 bairros e afetou diretamente cerca de 6 mil pessoas. A Prefeitura de Rio Branco mobilizou equipes de limpeza urbana, da Secretaria de Assistência Social (SAS/DH) e da Defesa Civil para atender os moradores.

O coordenador da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, confirmou a gravidade do evento. “Esse evento que aconteceu no dia de ontem foi o pior de toda a história em relação aqui a esses bairros”, afirmou. Segundo ele, aproximadamente 15 famílias tiveram perdas diretas, e nenhuma residência foi registrada como completamente destruída, embora haja indícios de risco estrutural em alguns imóveis. Falcão informou ainda que a previsão é de redução das chuvas nos próximos dias.
Em relação à alimentação, a Secretaria de Assistência Social, em conjunto com a Defesa Civil, distribuiu refeições prontas às famílias afetadas. “Nós vamos fazer entrega de cestas básicas também”, acrescentou Falcão.
O prefeito Alysson Bestene esteve no bairro e acompanhou os trabalhos. Ele anunciou a retomada do programa Recomeço, que prevê a entrega de utensílios domésticos como geladeiras e fogões às famílias prejudicadas. “A gente tem aqui o programa Recomeço, já é uma marca da gestão, que a gente tem esses utensílios domésticos que a gente vai retomar tudo isso”, disse. Bestene informou que solicitou ao secretário de finanças um levantamento dos valores necessários para a aplicação do auxílio-bem às famílias.
Sobre soluções estruturais, o prefeito reconheceu que o problema não é novo e envolve o assoreamento de córregos e a construção de casas em áreas de risco. “A gente tem uma rede aí que precisa ser revitalizada, uma rede de drenagem”, explicou. Ele anunciou a formação de uma comissão técnica com engenheiros e arquitetos para elaborar um projeto de infraestrutura hídrica, com possibilidade de realização de audiência pública junto à Câmara de Vereadores. A curto prazo, estuda-se a implantação de bolsões e obras de desvio do fluxo de água.
Entre os moradores afetados está Luan Mateus, morador da baixada e motoboy. Para ele, foi a primeira vez que a enchente invadiu sua casa. No momento da chuva, ele saiu apenas com o filho de 8 anos. Ao retornar, encontrou todos os móveis destruídos pela água. “Televisão, sofá, minha geladeira caiu aqui no quarto, as camas, tudo”, relatou. Ele disse que sentiu tristeza, mas também alívio por nenhuma criança ter se machucado. Apesar disso, informou que algumas crianças da vizinhança amanheceram doentes e que seu filho não dormiu bem após o episódio. Sobre a recuperação dos bens perdidos, Mateus demonstrou determinação. “Com muito trabalho, a gente vai recuperar tudo”, afirmou.
No bairro João Paulo 2, na Rua Sebastião Amâncio, a dona de casa Sebastiana criticou a falta de manutenção dos bueiros. “O prefeito mandou asfaltar, mas não tomou a providência de ajeitar os bueiros. Não pode chover, que alarga a rua, entra água para dentro das casas”, disse. Ela relatou que os moradores vivem em estado de estresse constante por conta das enchentes recorrentes.
A moradora Francisca, que completou 82 anos na data do evento, ressaltou que nunca havia presenciado uma situação semelhante. “Essa enchente, essas águas aqui, jeito que foi ontem, não tem precedência. Nunca tinha acontecido desse jeito”, afirmou. Segundo ela, o pedido unânime dos moradores é que “o problema seja resolvido o quanto antes”.
A prefeitura informou que as equipes vão atuar durante toda a semana na região e, se necessário, ao longo do mês, para dar suporte às famílias afetadas na Baixada da Sobral.







