A deputada Erika Hilton (PSol-SP) revelou ter recebido um telefonema do SBT depois que o apresentador Ratinho, em seu programa, afirmou que a parlamentar não poderia ser considerada uma mulher porque “não tem útero”. Em entrevista à coluna, a congressista disse ter tomado “todas as medidas judiciais” contra o comunicador e esperar uma atitude mais incisiva por parte da emissora.
De acordo com a deputada, representantes do SBT entraram em contato com sua assessoria e chegaram a falar diretamente com ela pelo telefone. Erika Hilton preferiu não revelar o conteúdo da conversa.
“Enviaram comunicados públicos, enviaram comunicados através da minha assessoria, fizemos conversas ao telefone. Acho que essa conversa fica no âmbito dos bastidores, né? Mas tivemos conversa, tivemos nota pública e há um diálogo muito saudável, me parece, por parte da emissora com relação à equipe jurídica”, relatou Erika Hilton.
“Não vejo muitos avanços, não me parece que estamos conseguindo avançar da maneira como nós gostaríamos. [Eu esperava] talvez uma retratação no próprio programa. A emissora tomando para si essa responsabilidade e dizendo: ‘Não, olha, extrapolou os limites do respeito, extrapolou a crítica política. Vamos tomar alguma medida’. Eu não sei, eu nunca tive uma emissora de televisão, não sei quais são as medidas legais que uma emissora pode tomar”, disse a deputada.
“Cunho misógino”
Erika Hilton lamentou o episódio e considerou ainda que as declarações de Ratinho foram ofensivas a mulheres cisgênero que, por qualquer razão não possuem o sistema reprodutor feminino completo.
“Eu me senti agredida, eu me senti violentada, eu me senti ridicularizada, eu senti a minha imagem manchada e tomei todas as medidas que achava cabíveis. Tomei as medidas direcionadas ao apresentador, tomei as medidas pedindo para que o SBT fizesse uma retratação e tomei as medidas para que, caso isso não aconteça, a suspensão do programa também seja determinada”, disse.
“Eu acho que, quando você vai a um programa de televisão em rede aberta, uma concessão pública, num horário de alta audiência, e você se sente autorizado a, primeiro, ir para o campo da política não só para dar uma opinião, mas também agredir uma parlamentar, né? Porque você dizer que uma pessoa não é mulher porque ela não tem útero é violar várias mulheres que também não têm útero e são cisgênero. É você violar mulheres que não menstruam e ainda fazer isso com cunho misógino, e dizer: ‘Ah, pra ser mulher tem que ficar chata três dias’”, destacou Erika Hilton.
“O apresentador é agressivo, incorre em crime mais de uma vez. Ele sempre tratou as mulheres com tom de menosprezo. Há inúmeros episódios de comportamento machista, há episódios de comportamento racista. É que dessa vez ele mexeu com uma mulher grande, uma mulher que mobilizou a sociedade, uma mulher que fez com que as pessoas se indignassem. Não só as pessoas dos movimentos sociais. Artistas, pessoas da intelectualidade que se indignaram, porque você não pode aceitar que a opinião esbarre na violência, que ela acirre ainda mais o ódio”, afirmou a deputada.
Fonte: Metrópoles








