A expansão da geração de energia solar em residências, pequenos comércios e propriedades rurais começou a pressionar a rede elétrica em estados do Centro-Oeste e da região Norte. De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira, 22, áreas de Mato Grosso, Acre e Rondônia já enfrentam limitações para novas conexões de sistemas fotovoltaicos, devido ao esgotamento da capacidade das redes de distribuição.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o avanço acelerado da micro e minigeração distribuída, modalidade que inclui painéis solares instalados em telhados de casas, comércios e fazendas, tem provocado sobrecarga em horários de baixa demanda. Nessas situações, a energia excedente é injetada na rede simultaneamente por milhares de consumidores, o que pode causar instabilidade e até risco de desligamentos.
O problema foi identificado inicialmente em Mato Grosso, onde já há rejeição a novos pedidos de ligação. A limitação, porém, tem reflexos operacionais também no Acre e em Rondônia, que compartilham parte da infraestrutura de transmissão. Técnicos do setor afirmam ainda que o Mato Grosso do Sul caminha para cenário semelhante, com crescimento acelerado da geração solar distribuída.
De acordo com o operador, a rede elétrica dessas regiões não foi projetada para receber grande volume de energia descentralizada. Durante o dia, especialmente por volta do meio-dia, quando a produção solar atinge o pico, o sistema passa a receber mais energia do que o planejado. Com isso, distribuidoras e órgãos reguladores têm barrado novas conexões até que a infraestrutura seja ampliada.
A Agência Nacional de Energia Elétrica também orientou distribuidoras a revisar instalações já conectadas para identificar casos em que consumidores ampliaram sistemas sem autorização. Há registros de unidades com capacidade de geração superior ao permitido, o que agrava a sobrecarga da rede.
O crescimento da energia solar no país ajuda a explicar o cenário. Em 2025, o Brasil ultrapassou 60 gigawatts de potência instalada, e a fonte já responde por mais de 23% da matriz elétrica nacional, atrás apenas das hidrelétricas.
Fonte: ac24horas








