O homem que se passava por militar do Exército dos Estados Unidos para aplicar o chamado “golpe do amor” conseguiu extorquir cerca de R$ 30 mil de uma moradora de Brasília após enganá-la, por aproximadamente dois meses, com promessas de casamento. O suspeito foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizada na última terça-feira (3/3).
A investigação teve início após a mulher procurar a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Asa Sul) para denunciar o golpe.
A vítima relatou ter sido contatada por um número telefônico internacional por um homem que afirmava ser oficial do Exército dos EUA.
O primeiro contato ocorreu sob o pretexto de um erro de discagem. A conversa evoluiu rapidamente para um relacionamento virtual, mantido por aplicativo de mensagens. O suspeito afirmava que viria ao Brasil e chegou a pedir a vítima em casamento.
Inicialmente, houve apenas conversa, sem envio de imagens, e posteriormente a comunicação passou a ocorrer por meio de áudios e mensagens. Para fortalecer o vínculo emocional e ganhar a confiança da vítima, o golpista enviava algumas gravações de voz em português.
O falso militar dos EUA dizia ser filho de mãe brasileira e pai chinês e alegava já ter vivido em Planaltina (DF). Ele também contou ter uma filha menor, que chegou a trocar mensagens com a vítima por e-mail. Os contatos eram diários e marcados por demonstrações constantes de carinho e interesse.
Caixa com dinheiro
Após cerca de dois meses de aproximação e manipulação emocional, o suspeito afirmou ter encontrado uma caixa com dinheiro durante uma missão no exterior.
Segundo ele, enviaria o valor para a vítima no Brasil, junto de um anel de noivado, por meio de uma suposta empresa transportadora.
Na sequência, a mulher começou a receber mensagens da suposta empresa de transporte, que exigia pagamentos de taxas alfandegárias e outros encargos para liberar a encomenda.
Convencida de que receberia o dinheiro e acreditando no relacionamento, a vítima chegou a contrair empréstimos com juros elevados para pagar as cobranças. O prejuízo financeiro ultrapassou o equivalente a mais de um ano de salário, além de causar profundo abalo emocional.
Rede criminosa
A investigação identificou que o responsável pelo golpe era um homem, apontado inicialmente como o líder da organização criminosa. O prejuízo causado às vítimas registradas em todo o país pode chegar a R$ 500 mil.
Esse tipo de relacionamento virtual era mantido por cerca de dois meses, período em que o autor buscava criar vínculo emocional e credibilidade antes de solicitar valores sob diferentes pretextos, como supostos custos de transporte, taxas ou liberação de encomendas.
Ele atua no país e utilizava intermediários no Brasil que cediam contas bancárias para receber os valores obtidos com os golpes.
De acordo com a PCDF, essas pessoas recebiam um pequeno percentual e repassavam o restante ao investigado. Em geral, os intermediários eram pessoas humildes, com baixo grau de instrução, que sabiam sobre o golpe dado pelo autor.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra ele nos municípios de Embu das Artes, Guarulhos e Carapicuíba, no estado de São Paulo.
Fonte: Metrópoles







