O governo federal proibiu, em todo o país, o uso de antibióticos como aditivos para melhorar o desempenho de animais de produção, como gado, aves e suínos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (27) e já está em vigor, com prazo de adaptação para o setor.
A medida determina o fim da importação, fabricação, comercialização e uso desses produtos quando utilizados com a finalidade de acelerar o crescimento dos animais. Além disso, os registros dos aditivos que se enquadram nessa categoria serão cancelados.
Prazo de até 180 dias para retirada
Apesar da proibição imediata, o governo estabeleceu um período de transição. Produtos já fabricados ou importados poderão continuar sendo comercializados e utilizados por até 180 dias. Após esse prazo, os estoques remanescentes deverão ser recolhidos pelas empresas responsáveis.
Além disso, fabricantes e importadores terão até 30 dias para informar ao governo a quantidade de produtos em estoque, bem como itens que ainda estejam em trânsito ou aguardando liberação.
Impacto direto na produção e no consumidor
A decisão afeta diretamente a cadeia produtiva de proteínas no Brasil, especialmente setores como pecuária, avicultura e suinocultura. Isso porque os antibióticos vinham sendo utilizados para acelerar o ganho de peso dos animais e melhorar a eficiência da produção.
Com a nova regra, o setor deverá adotar alternativas para manter a produtividade, o que pode gerar mudanças nos custos e, consequentemente, refletir no preço final de produtos como carne, leite e derivados.
Combate à resistência bacteriana
A proibição segue uma tendência global de restrição ao uso indiscriminado de antibióticos na produção animal. O objetivo principal é reduzir o risco de resistência bacteriana, considerada um dos maiores desafios de saúde pública no mundo.
Isso ocorre porque o uso contínuo desses medicamentos em animais pode contribuir para o surgimento de bactérias mais resistentes, dificultando o tratamento de doenças tanto em animais quanto em humanos.
Exceção para exportação
Apesar da restrição no mercado interno, o governo prevê uma exceção. Empresas poderão solicitar autorização para fabricar esses aditivos exclusivamente para exportação, desde que atendam às exigências estabelecidas pelos órgãos competentes.
O que muda na prática
Com a nova regra, fica proibido o uso de substâncias antimicrobianas como promotores de crescimento na produção animal em todo o território nacional. Entre os compostos atingidos estão substâncias amplamente utilizadas na indústria, agora classificadas como inadequadas para essa finalidade.
A medida marca uma mudança relevante na política sanitária brasileira e coloca o país em linha com práticas internacionais voltadas à segurança alimentar e à saúde pública.
Fonte: ContilNet







